Adir Jorge: O pracinha riomafrense cuja história ganhou as telas de TV

“Bastante pesaroso comunico-vos, de ordem do Exmo. Sr. Ministro, o falecimento em operações de guerra na Itália , no dia 22 de abril do corrente ano, do soldado Adir Jorge da Força Expedicionária Brasileira. Lamento sinceramente ter de vos transmitir essa infausta notícia, mas é oportuno e confortador, principalmente para os parentes mais próximos, saber que o soldado Adir Jorge em terra estrangeira soube honrar as tradições gloriosas do soldado Brasileiro, demonstrando no campo de batalha nobre virtudes morais...”

Por Fábio Reimão de Mello - 09/05/2013

Foi através da carta da qual extrairam-se as frases acima, datada de 05 de junho de 1945 e assinada pelo general de Brigada Canrobert Pereira da Costa, secretário Geral do Ministério da Guerra, que o senhor Felipe Jorge e a senhora Durvalina Torquato Jorge foram informados oficialmente do falecimento de seu filho Adir, em meio aos combates da 2ª Guerra Mundial.

Membro do 6° Regimento de Infantaria, embarcado para a Itália em 30 de junho de 1944, o jovem rionegrense nascido em 1921 participou diretamente dos combates travados por seu batalhão entre 1944 e 1945, tendo seu destino selado durante o ataque brasileiro à cidade de Montese, mesmo combate no qual o conterrâneo Tenente Ary Rauen foi morto. Foi em Montese, a 15 de abril de 1945, que Adir foi ferido de tal forma que, mesmo os cuidados médicos que lhe foram dedicados no 16° Hospital de Evacuação, não foram suficientes para evitar seu falecimento dias depois, em 22 de abril.

Assim, tendo tombado em combate a exemplo de outros três rionegrenses (o sargento Max Wolff Filho e os soldados Gumercindo da Silva e Luiz Stoebl Filho), Adir Jorge foi sepultado no Cemitério Militar de Pistóia, na Itália, sendo postumamente condecorado com a Medalha de Campanha, Medalha Sangue do Brasil e Medalha Cruz de Combate de 2ª Classe.

Condecorações cuja concessão atribui-se a “ação de feito excepcional na campanha da Itália”, que passaram a ser carregadas nas solenidades oficiais, como forma de homenagem, respeito e orgulho, pelo Pai, o senhor Felipe Jorge e, que fizeram parte do acervo de objetos pessoais conservado em um relicário na residência da família, localizada na rua que hoje leva o seu nome no centro de Rio Negro.

Essa história, que pode até parecer comum à de outros tantos conterrâneos (cerca de 40), que fizeram parte da tropa brasileira que lutou naquele conflito, por suas claras marcas de coragem, de bravura, de tristeza e de orgulho, não se limitou apenas às páginas dos livros de história e materializou-se recentemente em versão para televisão.

Adir Jorge ganhou as telas de TV em 2010, por meio de um curta-metragem, intitulado “O Pracinha de Rio Negro”, produção escrita por Camilla Mageski, dirigido por Anderson Jader e Priscilla Miquilussi e exibido no quadro “Casos e Causos” do programa “Revista RPC” em 24 de outubro e em 02 de janeiro de 2011.

Com elenco formado, entre outros, pelos atores Luthero de Almeida, Endrigo Monte Serrat e Daniel Jorge, o curta, que empregou a técnica de imagens em preto e branco e foi filmado Curitiba e, é claro, em Rio Negro, ganhou o “Prêmio RPC TV Melhores em Cena – edição 2011” na categoria “Melhor Produção”.

E assim a história da nossa gente, a nossa história como riomafrenses, mostrou seu potencial de chamar a atenção e encantar pessoas além de nossas fronteiras locais.

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