História do Cine Rio Negro

Por Redação Click Riomafra - 28/01/2017
Exibição com casa cheia no Cine Rio Negro no início dos anos de 1930.
Exibição com casa cheia no Cine Rio Negro no início dos anos de 1930.

Edificado no início do século XX, o Cine Rio Negro foi motivo de orgulho para a cidade por muitas décadas. Suas atividades incluíram além de exibição cinematográfica, espetáculos teatrais e variedades.

Em 1929, Djalma Forjaz, no livro do Centenário da Colonização Alemã, descreveu o orgulho dos rionegrenses, por esse empreendimento da seguinte maneira:

Dotado de todos os requisitos de hygiene, conforto e segurança o “Theatro-Cinema Rio Negro” é dessa forma um estabelecimento modelar e de consumada esthética. (FORJAZ, 1919, p.137)

O aparecimento das salas de cinema são testemunhas de uma era veloz de profundas transformações tecnológicas ocorrida no século XX. As descobertas dos Irmãos Lumiére rapidamente chegaram aos centros urbanos propiciados pela implantação dos sistemas de distribuição elétrica, que aqui em Rio Negro se deu em 1912, e dos projetos urbanísticos e sanitárias, implantados nos grandes centros principalmente após o advento do sistema republicano.

Como testemunha dessas transformações, o Cine Rio Negro iniciou suas atividades quando as apresentações cinematográficas ainda eram mudas, sendo acompanhadas por músicos que tinham a missão de transmitir a emotividade aos espectadores e em consequência precisavam ser extremamente hábeis e dotados de grande capacidade de improviso, visto que na maioria das vezes chegavam para a sessão sem ter visto o filme.

Como prova de intensa vida cultural na cidade de Rio Negro da década de 1920, o historiador Raul de Almeida demonstra que não precisava trazer músicos de fora. Segundo Raul:

Fazer história é lembrar, as figuras de Martha Schaller e Leonardo Tyreck, que nos deitavam nas sessões de cinema mudo daqueles tempos de 1920, executando números de acordo com o desenrolar da “fita”, isto é, suaves quando as cenas eram românticas, ou forte, quando ela era movimentada, ou jocosa se o assunto era cômico (ALMEIDA, 1976, p. 128)

Depois da Segunda Guerra Mundial, o avanço tecnológico se intensifica e acaba afetando todas as estruturas da vida humana em coletividade. O cinema torna-se uma grande indústria dirigida por corporações que se tornam grandes monopólios, e com o passar dos anos acabam centralizando as salas de cinema em grandes estabelecimentos e muitas vezes reprodutores do mesmo filme.

Aliado à essa transformação, o advento da televisão e do vídeo cassete possibilitou a apreciação do cinema de maneira mais introspectiva, literalmente mais caseira. Dessa forma os cinemas tradicionais perderam espaço, massacrado pelas novas tecnologias e pela massificação dos filmes hollywoodianos em grandes centros.

Fonte: Arquivo Público Municipal de Rio Negro

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