Mafra, uma terra de muitas histórias

Por F√°bio Reim√£o de Mello - 22/11/2012

Mafra, uma terra de muitas histórias

O olhar desatento e superficial de um viajante pode levá-lo a imaginar que Mafra é como tantos outros municípios catarinenses, formada por uma população trabalhadora, possuidora de um território extenso e principalmente, dona de uma história baseada em fatos locais com pouca expressão além de suas próprias fronteiras.

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Porém um olhar mais atento e profundo é capaz de revelar uma realidade despercebida não só por olhos estranhos, que por aqui simplesmente passam, como pela maioria de nossa própria gente, o fato de que somos detentores de uma história rica e fascinante, na qual figuram importantes acontecimentos que marcam o passado de Santa Catarina assim como de todo o Sul brasileiro, fazendo de Mafra elemento singular no cenário histórico/cultural do Estado:

Munic√≠pio que surgiu no rastro dos tropeiros que conduziam gado e muares do Rio Grande do Sul √†s feiras de Sorocaba, Mafra assistiu em seus prim√≥rdios o sert√£o ser rasgado pela Estrada da Mata, tarefa que sob a responsabilidade do Bar√£o de Antonina, que propiciou n√£o s√≥ melhoria na condu√ß√£o de animais, mas proporcionou principalmente a fixa√ß√£o do homem a este ch√£o ‚Äď ch√£o utilizado como ponto de partida das tropas que seguiram √† Guerra dos Farrapos, que viu o tombar dos seus pela var√≠ola disseminada pelos soldados, que tremeu com o troar dos canh√Ķes de Pica-Paus e Maragatos durante a Revolu√ß√£o Federalista, foi abandonada, tomada e marcada pelo expurgo atrav√©s da degola daqueles considerados traidores.

Carro√ß√Ķes Armas Contestado mafra-uma-terra-de-muitas-historias-2 Movimenta√ß√£o Tropas Esta√ß√£o de Mafra
Testemunha da a√ß√£o dos Monges, acompanhou o disseminar da f√© do povo simples, contada at√© os dias de hoje em in√ļmeras lendas, povoadas de ora√ß√Ķes, cruzes, √°guas e milagres, ajudando a canoniza√ß√£o popular de Jo√£o Maria.

Em meio a convuls√£o social e disputas fronteiri√ßas, viveu as agruras da Guerra do Contestado, sentiu o temor das incurs√Ķes, sediou toda uma estrutura militar de cerco a √°rea em conflito, tratou feridos, enterrou mortos, viu combater e combateu sob o comando do Coronel Nicolau Bley Netto.

E, após o término dos conflitos, com a definição das fronteiras entre Santa Catarina e Paraná, quando o rio Negro acabou por se tornar o divisor de um mesmo povo em duas cidades diferentes, não nasceu, pois sua existência se confere a terra e não simplesmente ao nome, mas sim, iniciou uma nova fase de sua existência, sob o nome de Mafra e bandeira de Santa Catarina.

Em quase 95 anos de cria√ß√£o e tantos outros, de uma hist√≥ria repleta de epis√≥dios de guerra, Mafra tamb√©m se caracterizou como s√≠mbolo da esperan√ßa de uma vida digna para centenas de imigrantes que, ao longo do tempo aqui se estabeleceram, amparados pela ch√£o que adotaram como p√°tria. Teuto-Bucovinos, alem√£es, poloneses, ucranianos, italianos, s√≠rio-libaneses, povos de diferentes origens que se integraram ao alemento nacional (tropeiros, √≠ndigenas, ga√ļchos e caboclos) formaram a base da atual popula√ß√£o mafrense, fato facilmente verificado pelos sobrenomes, semblantes e costumes dos seus cerca de 55 mil habitantes.

Mafra sempre viveu intensamente os acontecimentos de seu tempo, do cultivo da erva-mate a navega√ß√£o pelo rio Negro, do Batalh√£o Patri√≥tico do Coronel Jos√© Severiano Maia a constru√ß√£o da estrada de ferro, das grandes enchentes aos Pracinhas da 2¬™ Guerra Mundial, hist√≥ria e cultura est√£o presentes em cada esquina, pr√©dio, localidade do interior, nas tradi√ß√Ķes e costumes de seu povo, cabe-nos a tarefa de conhecer a nossa pr√≥pria hist√≥ria, compreender a dimens√£o de sua riqueza e acima de tudo, valoriz√°-la como bem pertencente a cada cidad√£o mafrense.

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