Propagandas antigas: Lembrando o cotidiano do passado

Por F√°bio Reim√£o de Mello - 07/07/2013

Segundo a Wikipédia, propaganda é um modo específico de apresentar informação sobre um produto, marca, empresa ou política que visa influenciar a atitude de uma audiência para uma causa, posição ou atuação.

No caso em que vamos abordar, as propagandas, mais do que apresentarem produtos, transmitem ideias, buscam convencer o p√ļblico tanto da utilidade quanto da superioridade de seu produto em rela√ß√£o aos similares, mostram diferenciais e principalmente tentam criar nas pessoas, um sentimento de necessidade de consumo daquilo que ofertam.

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Quando se fala de tecnologia, é habitual que tenhamos muitas vezes, a primeira informação sobre um material inovador, por meio de produtos apresentados em propagandas e, da mesma forma, também é habitual que o passado figure em meio a um pouco de esquecimento, ficando não muito claro na memória. Porém, sempre a comparação entre o antigo e o novo é reveladora, curiosa e interessante, seja ela na nossa mente ou até, através das próprias propagandas.

Assim, aproveitando uma excelente contribuição do amigo Lucas Grams, vejamos como podemos verificar a evolução tecnológica do nosso cotidiano ao longo do tempo, pela observação de algumas propagandas da década de 1910 e 1960, que circularam em Riomafra e a que e nossos pais e avós tiverem contato.

O jornal Brasil Post ‚Äď Seman√°rio Brasileiro, do Consulado Alem√£o de Belo Horizonte ‚Äď MG, nos anos de 1960 e 1961, trazia em suas p√°ginas produtos inovadores e extremamente √ļteis para a √©poca, que de certa forma, revolucionavam o modo de vida da v√°rias fam√≠lias, facilitando o dia a dia daqueles que tinham condi√ß√Ķes de adquiri-los.

Em uma época em que ter água dentro de casa para os afazeres domésticos, de cozinha ou higiene não era tão fácil quanto hoje, pois havia a necessidade de retirar a balde água do poço geralmente existente na residência, uma bomba elétrica d’água, que abastecia uma caixa d’água e permitia o acesso à água pelo simples abrir de uma torneira era um verdadeiro luxo.

Se a ideia √© de conforto e pensamos nos nossos dias com TV‚Äôs de alta defini√ß√£o e grandes propor√ß√Ķes, h√° 50 anos muita gente queria, √© reunir a fam√≠lia ap√≥s o jantar para acompanhar a novela, transmitida por r√°dio e acompanhada por meio de uma eletrola.

E, falando ainda em lazer, nosso comum veículo para passeio e esporte a bicicleta, era vista principalmente como meio de transporte rápido e sem custo (talvez numa proximidade do que hoje temos as motocicletas) empregado para o deslocamento até o local de trabalho, não tão acessíveis no preço, confortáveis e leves como as bikes de 2013.

Se, a propaganda de 1960 já nos mostra coisas que fogem à realidade do século 21, as do Almanak Agrícola Brasileiro de 1912, editado por Amadeu A. Barbiellini (mais de 100 anos atrás) é um verdadeiro desafio ao entendimento do contexto do cotidiano daquela época.

Onde tablett‚Äôs e ultrabook‚Äôs n√£o existiam nem em hist√≥rias de fic√ß√£o, as m√°quinas de escrever eram a ‚Äúrepresenta√ß√£o da escrita moderna‚ÄĚ, n√£o mais atrelada a caligrafia manual. M√°quinas bem menos ‚Äúevolu√≠das‚ÄĚ do que as que tenhamos tido contato, muito mais pesadas e cuja datilografia era um verdadeiro exerc√≠cio para as m√£os.

Tempo em que tomar um bom cafezinho não dependia de apenas ligar o botão da cafeteira, mas dependia de moer os grãos de café torrado em um moinho caseiro e, tempo em que os agricultores sonhavam em possuir um moderno arado reversível de tração animal, fato que chega a dar pena quando imaginamos a potencia e capacidade de nossos tratores e implementos agrícolas atuais.

E o que talvez seja o mais curioso, ao inv√©s dos an√ļncios de autom√≥veis a que estamos acostumados, com design inovador, ousado e alt√≠ssimas velocidades, em 1912 t√≠nhamos propaganda de locom√≥veis, m√°quinas a vapor usadas para movimentar ve√≠culos nas ruas (chamados tamb√©m de locomotivas de estradas), nada r√°pidos, por√©m muito eficientes para o in√≠cio do s√©culo 20.

√Č, dando um passeio pelo passado das nossas propagandas, podemos n√£o somente conhecer os produtos que eram comercializados a 50 ou at√© 100 anos atr√°s, mas principalmente por meio deles, saber um pouco mais do contexto de vidas das fam√≠lias daquelas √©pocas, de como a nossa tecnologia avan√ßou e como era a realidade de nossos antepassados ou at√© aquela que n√≥s mesmos um dia vivenciamos.

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1 COMENT√ĀRIO

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  1. A locomotiva da primeira imagem n√£o era usada para transporte mas sim como m√°quina industrial, principalmente para moinhos. Na √©poca a erva mate era nosso principal produto, certamente tais m√°quinas eram bastante √ļteis para o processamento e beneficiamento da mesma.

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