Irreverente no seu jeito de ser. Responsável em suas pregações religiosas”. Este seria o retrato mais fiel para definir a personalidade do padre Luiz Carlos Sartor, que iniciou suas atividades em Mafra no ano de 2008 e assumiu o comando da Paróquia São José em outubro de 2010.

Para o padre Luiz – que assume a Paróquia de Guaraqueçaba no Paraná, distante 174 Km de Curitiba, já no domingo 05 de maio, atuar em Mafra foi mais um marco no exercício da vocação do Sacerdócio. “É uma comunidade de muita religiosidade, com um povo muito bom, participativo e solidário e certamente continuarei mantendo contatos”, afirma, ao tempo em que cita um ditado popular do Município, que diz “quem bebe dessa água nunca esquece”.

Como atividades de maior destaque enquanto vigário e depois pároco, o sacerdote cita momentos em que atuou junto ao Presídio Regional de Mafra, levando a palavra de Deus aos detentos; sua participação em celebrações junto à Associação Terapêutica Novo Amanhecer – Atena, dividindo as dificuldades e anseios daqueles que buscam se livrar do uso de entorpecentes e do álcool, entre outros; as Missas que rezou junto ao Lar dos Velhinhos São Francisco de Assis. O Novenário/Peregrinação de São José é outra ação que motivou o padre Luiz Carlos a se manter firme em sua caminhada junto aos paroquianos e a todos que o procuraram enquanto de sua atuação na Paróquia.

Possuindo o título de Cidadão Honorário de Mafra o padre Luiz Carlos conserva sua humildade e cita que por vezes nem mesmo se recorda de possuir tão importante comenda. “Isso demonstra, de igual forma à maneira em que fui recebido pelo povo de Mafra, mesmo sendo diferente, um padre cabeludo e barbudo, além de brincalhão, o carinho e a acessibilidade que os mafrenses dedicam a quem aqui chega para desenvolver o seu trabalho, no meu caso, em nome de Deus”, aponta.

O pároco cita que sempre manteve excelente relacionamento com as famílias das quais se aproximou, sempre sendo bem acolhido e respeitado tanto pelo seu modo de ser como de agir. “O carinho da comunidade mafrense jamais poderei esquecer, me sinto parte daqui”, salienta.

A Paróquia São José conta com mais de vinte mil fiéis, somente nos finais de semana mais de quatro mil pessoas frequentam o Santuário e as Capelas, o que demonstra a grande religiosidade citada pelo padre Luiz Carlos Sartor. “São muitas cabeças pensantes, muitos pensamentos diferentes e nós aprendemos a lidar com cada situação, para isso somos preparados não apenas enquanto seminaristas, mas em toda nossa vida sacerdotal”.

Influente e por vezes considerado polêmico, padre Luiz Carlos diz que a Igreja não pode ficar alheio à política e afirma que Mafra ainda precisa melhorar em muito nessa questão, “especialmente na preparação da comunidade para a política”. Com 17 anos de sacerdócio e deles cinco atuando em Mafra o reverendo diz não entender por que Mafra, estando em um cruzamento rodoferroviário, com fácil acesso às capitais de Santa Catarina e do Paraná e com uma população correta e trabalhadora, parece estar estagnada, tendo algo que a impede de se desenvolver. “Éramos para ser uma cidade destaque no Estado, não sei o que acontece, que forças são essas que repentinamente fazem com que as coisas não andem”.

Citando as eleições Municipais nos últimos tempos em Mafra, o padre Luiz Carlos volta a falar da preparação do povo para a política, destacando soar negativo as eleições ou seus resultados por tantas vezes irem parar na Justiça. “Não entendo como um povo tão bom às vezes se deixa dominar ou influenciar por más intenções ou maus políticos e é isso que precisa mudar para que Mafra possa voltar a crescer”, aponta.

Indagado se a política chegou a intervir na sua atuação como pároco em Mafra o pároco dá um sorriso e destaca que essa intervenção é inevitável. “A Igreja acolhe a todos independentemente de cor, raça, situação financeira ou política, é a casa de Deus e é claro que por vezes a política ou os políticos acabam tentando ingerência em nossas ações, mas buscamos tratar cada caso como ele deve ser tratado, não nos deixando influenciar”, garante.

Para o padre Luiz Carlos Sartor a Igreja, como um todo, precisa passar por mudanças, se adequar à realidade e mesmo assim mantendo suas origens e convicções. Segundo ele tivemos um grande exemplo de mudança com o Papa João Paulo II. “Quem o viu nas vezes em que visitou o Brasil claramente percebeu que no final ele já não era o mesmo que aqui chegou pela primeira vez, foi mudando, se adequando às mudanças da sociedade, mas sempre mantendo a tradição do catolicismo”.

Falamos das diferenças de opinião tanto na Igreja quanto na política e mais uma vez afirmando que todos os caminhos estão ligados à Igreja o padre finaliza a entrevista citando que “as diferenças de opinião são normais, o mais difícil é aceitar as diferenças, que Deus abençoe vocês e o povo de Mafra”.

O atual vigário Paroquial padre Aldo Seidel assumirá como pároco da Paróquia São José e terá como ajudante o sacerdote Fernando Bráulio Pimentel, ordenado no último ano em Mafra e atualmente desempenhando suas funções em Inácio Martins, no Paraná.

Nesse domingo o padre Luiz Carlos Sartor celebra a Missa em homenagem a São José e aos trabalhadores, seu último ato como pároco na São José, oportunidade em que deverá estar sendo homenageado pelos fiéis quanto ao bom trabalho desenvolvido em Mafra.