A escravidão é, sem dúvida, uma mancha que o Brasil levará para sempre em sua história. Pouco se fala, muitos tentam esquecer ou minimizar. Mas o que aconteceu nesse país foi uma das maiores atrocidades que a humanidade já viu.

Negros da costa da África foram arrancados de seu país, de seu continente e trazidos a força  para o Brasil e demais países da América, acorrentados como animais, para prestar serviço braçal até a morte aos senhores brancos.

Tiveram suas famílias destruídas. Foram vendidos separadamente e espalhados por esse país. Crianças foram abusadas. Velhos foram mortos. Jovens eram levados para prestar serviço braçal. Apanhavam de chicote, eram mutilados, torturados. Na senzala, local onde se abrigava inúmeros negros, passavam fome, frio e padeciam de várias enfermidades.
Se há algum povo que mereça ser para sempre lembrado com honrarias no Brasil, esse povo é, obviamente, o povo negro que aqui chegou! São eles os verdadeiros heróis de nossa nação!
Pena que muitos não reconhecem esse débito que nossa sociedade possui com os africanos. Muito se homenageia os alemães, ucranianos,  italianos e até japoneses que, certamente, também contribuiriam para o progresso do país. Mas e os africanos? Nunca se viu um presidente do Brasil pedindo desculpas aos descendentes africanos pela barbáre que nosso Estado cometeu. Nunca se viu nenhuma festa oficial para comemorar o aniversário da chegada desse povo ao Brasil! Ao contrário, continua sendo disseminado em nossa sociedade um preconceito besta e injustificável.
Claro que o Governo Federal, a partir de 2003 passou a criar políticas públicas para remediar esse débito, como por exemplo, as cotas em Universidades, que são severamente criticados por algumas pessoas “brancas”. Até mesmo um Ministério de Igualdade Racial foi criado.
Mas infelizmente, o preconceito continua. Tudo o que é de origem africana ainda é visto com maus olhos por parte de nossa sociedade.
E é justamente esse preconceito que se reflete hoje na Religião. Por que as religiões Afro-brasileiras são as mais atacadas, difamadas e agredidas pelas seitas judaicas/cristãs?
A resposta é só uma: Preconceito! O Mesmo preconceito e intolerância que existiu quando o primeiro negro aqui pisou, ainda existe, infelizmente, no coração e mente de muitos brasileiros. A idéia de que um “Deus branco” é superior e melhor do que um “Deus negro” é muito difundida em diversas “igrejas” desse país.
Podemos observar na própria história de fundação da Religião de Umbanda, que até mesmo os Centros Espíritas Kardecistas da época, repudiavam – e infelizmente ainda hoje alguns espíritas ainda repudiam - a manifestação de qualquer espírito que dissesse ter sido negro ou índio. Mas porque apenas os doutores europeus de olhos azuis e cabelo loiros poderiam deixar suas mensagens? Será que a cor de um ser humano representa sua evolução?
Discordando disso, O Caboclo das 7 Encruzilhadas, no dia 15 de novembro de 1908, rompeu com o Kardecismo e anunciou a fundação de uma nova religião onde o negro e o índio poderiam se manifestar! Essa religião se chamaria Umbanda e iria acolher a todos, independentemente de cor, classe social e crença. Disse o caboclo “Aprenderemos com os que sabem mais e ensinaremos os que sabem menos”. Logo depois, se manifestou o espírito de um ex-escravo, chamado de Pai Antônio que ao lado do Caboclo das 7 Encruzilhadas deram início aos primeiros fundamentos da Umbanda no Brasil.
O vídeo abaixo, retrata de forma simples tudo o que aconteceu neste país durante a escravidão. Trata-se de uma cantiga de capoeira composta pelo mestre Barrão e Mestre Burgûes.