Aumentam casos de hipertensão em adolescentes e até crianças

Por Assessoria - 02/08/2021

O cardiologista Roberto Kalil alerta que a doença aparece cada vez mais cedo por conta de hereditariedade, obesidade e outras doenças

Por ser considerada uma doença que atinge apenas pessoas com mais idade, a hipertensão praticamente é ignorada pelos mais jovens, um grande equívoco que pode colocar em risco a saúde de muitos adolescentes e até de crianças.

Valores aumentados de pressão arterial nessas faixas etárias, facilitam a evolução para hipertensão com mais lesões nos vãos, rins e coração desses indivíduos quando forem adultos. Dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão mostram que mais de 3,5 milhões de jovens podem ter pressão alta no Brasil. É necessário alertar os profissionais da saúde e também a população para esse fato.

Anualmente ocorrem 9,4 milhões de mortes no mundo por causa da doença e quanto mais precoce forem tomadas medidas para controlar a hipertensão, maior a chance de redução dessa mortalidade.

O cardiologista Roberto Kalil explica que a hipertensão é uma doença cardiovascular e suas causas, na juventude, são diversas. “A doença costuma estar relacionada tanto à genética quanto ao estilo de vida, mas também pode ser secundária”. Assim, as principais causas são: hereditariedade: filhos de pais que possuem pressão alta têm maior probabilidade de desenvolvê-la; e a hipertensão secundária, desenvolvida após patologias como problemas renais, hipertireoidismo, entre outras. “Outro fator é a obesidade infantil, esse é um dos motivos que elevaram a incidência de hipertensão em jovens no Brasil. Essa relação existe porque o excesso de peso aumenta os níveis de insulina no sangue e a retenção de sódio nos rins. Além disso, a origem da obesidade costuma estar associada à alimentação inadequada, rica em açúcares, sal e gordura, juntamente com o sedentarismo prejudicando ainda mais a saúde”, explica.

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O consumo excessivo de sódio também pode provocar a retenção de líquido no corpo, elevando o volume de sangue dentro das artérias, gerando a hipertensão. O especialista alerta, “o diagnóstico é fundamental, pois ao longo do tempo a doença pode acarretar riscos à saúde, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)”.

O tratamento é simples e diário. “Em alguns casos a pressão alta pode ser revertida com pequenas mudanças de hábito, principalmente na alimentação. Isso é fundamental para diminuir o risco de desenvolver doenças cardíacas em longo prazo”.

Outro perigo é que a hipertensão, na maioria dos casos, é silenciosa, não apresentando sintomas. “Em alguns casos, quando o quadro da doença está mais avançado, os pacientes se queixam de dor de cabeça, tontura, falta de ar, palpitação, zumbido nos ouvidos, visão turva e cansaço excessivo. Quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento, menores são os riscos para a saúde”.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia é que todo paciente com diagnóstico de hipertensão antes dos 30 anos deve ser acompanhado com especialistas, principalmente para a avaliação de hipertensão secundária. “É importante realizar um check-up cardiológico regularmente. Como a hipertensão é silenciosa, através desse acompanhamento, é possível prevenir problemas mais sérios”, alerta o especialista.

Roberto Kalil é presidente do Conselho Diretor do Instituto do Coração (InCor/HCFMUSP) e diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês.

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