AMMA usa a tribuna da Câmara de Mafra para defender inclusão e dar voz às famílias atípicas
Há 9 meses
Por Assessoria

Na sessão da Câmara de Vereadores de Mafra realizada na noite de 2 de junho, a tribuna foi ocupada por Glauciane Zanin, presidente da AMMA (Associação Mafrense Mais Amor – TEA), em um discurso que deu voz às famílias atípicas do município. De forma impactante, Glauciane iniciou sua fala invertendo o protocolo tradicional e saudando, em primeiro lugar, as famílias atípicas presentes, os que acompanhavam pela internet e toda a comunidade que vive a realidade da inclusão.

“Sou filha, mulher, mãe atípica e presidente da AMMA”, destacou ela ao apresentar-se. Professora formada em Letras, pós-graduada em Gestão Escolar, Glauciane ressaltou a multiplicidade de papéis que desempenha, e o peso social que isso carrega. “Desistir não é uma opção”, reforçou, ao relatar os desafios cotidianos enfrentados pelas mães atípicas, que lutam por direitos básicos, por diagnóstico precoce, por terapias, inclusão escolar e respeito.

A AMMA, fundada há 4 anos e 8 meses, vem promovendo ações voltadas à inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ao acolhimento das famílias. Glauciane está à frente da associação há pouco mais de um ano, período em que intensificou campanhas de conscientização, rodas de conversa com apoio psicológico, parcerias comunitárias e eventos como o “Abril Azul”, totalizando sete grandes ações só neste ano. A associação mantém atuação constante nas redes sociais e estreita laços com entidades locais como o Lions Clube de Mafra.

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Durante seu discurso, Glauciane apresentou uma radiografia da realidade vivida por essas famílias no município. Denunciou a falta de estrutura nas escolas para acolher alunos atípicos, a ausência de equipes multidisciplinares e a longa espera por consultas com profissionais como neurologistas. Citou, inclusive, um episódio recente de omissão por parte de uma escola em Mafra, que prejudicou diretamente uma criança autista, expondo a urgência por mudanças estruturais e atitudes mais humanas.

“Não estamos pedindo privilégios, mas sim o cumprimento da Constituição, da LBI (Lei Brasileira de Inclusão) e do Estatuto da Pessoa com Deficiência”, enfatizou. Para Glauciane, a inclusão não pode ser tratada como exceção, mas como obrigação legal e moral do poder público.

Ela ainda compartilhou sua experiência pessoal como mãe do Arthur — diagnosticado com autismo nível 2, TDAH e apraxia de fala — e do pequeno Valentim, que também exige atenção. “Sou a mãe chata que está presente na escola e nas terapias, porque só assim conseguimos avanços. Mas sei o quanto isso é desgastante, caro e muitas vezes solitário”, afirmou.

Glauciane finalizou pedindo mais sensibilidade e ação concreta por parte do poder público, com maior fiscalização, ampliação da equipe técnica, criação de políticas públicas inclusivas e escuta ativa às famílias. “A omissão não é neutra. Ela custa caro. Custa o desenvolvimento das nossas crianças e a saúde mental de pais e mães que só querem ver seus filhos incluídos e respeitados.”

O discurso foi um chamado forte e necessário à transformação de uma realidade que ainda invisibiliza parte significativa da população. Glauciane Zanin reafirmou que a luta por inclusão é coletiva e contínua — e que Mafra precisa avançar com empatia, planejamento e responsabilidade.

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