Projeto-piloto em Mafra promove alimentação saudável e fortalece a convivência comunitária
Há 17 horas
Por Assessoria

Do preparo da terra à semeadura, ao plantio e à colheita de verduras e legumes, sete famílias da comunidade de Vila Ruthes, localizada a cerca de 13 quilômetros do centro de Mafra, estão encontrando na produção dos próprios alimentos uma oportunidade de melhorar a alimentação e fortalecer os laços comunitários.

Entre brócolis, couve-flor, alface, repolho, cenoura e outras hortaliças, os resultados já começam a aparecer por meio do projeto-piloto Cultivando Vínculos, Fortalecendo Comunidades, desenvolvido desde o início de 2026 pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), da Secretaria Municipal de Assistência Social e Habitação da Prefeitura de Mafra, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e o Sindicato Rural de Mafra.

Em poucos meses, os participantes já estão colhendo os frutos do trabalho coletivo. Além de ampliar o acesso a alimentos frescos e diversificar as refeições, a iniciativa incentiva novos hábitos alimentares, promove o aprendizado e cria oportunidades de convivência, cooperação e participação comunitária.

Participação social e acesso às políticas públicas

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Segundo a coordenadora do projeto, Andrea Leal de Barros, a proposta surgiu do reconhecimento de que as comunidades do interior também precisam de oportunidades de convivência, participação social e acesso às ações da Política de Assistência Social.

“Mais do que implantar uma horta, o objetivo foi construir uma estratégia de aproximação com a comunidade, valorizando as pessoas, seus conhecimentos, suas histórias e suas potencialidades”, afirmou.

O trabalho começou com conversas com os moradores e a apresentação da proposta. Desde o início, a escuta e a participação da comunidade foram fundamentais para construir uma iniciativa conectada à realidade local e aos interesses dos próprios participantes.

Por meio da parceria com o SENAR e o Sindicato Rural de Mafra, os participantes tiveram acesso, ao longo do ano, a capacitações em compostagem, olericultura básica e olericultura orgânica, além de atividades relacionadas ao cultivo de plantas medicinais. Também está em andamento a implantação de uma estufa, vinculada à formação em olericultura protegida, que permitirá ampliar as possibilidades de cultivo, incluindo hortaliças como o tomate.

A moradora Fátima Martins participa do projeto desde o início e já acompanha os resultados do próprio trabalho, colhendo e consumindo as verduras cultivadas na horta comunitária.

“Está sendo uma experiência muito boa, pois o que nós plantamos, nós colhemos e nós comemos. O programa está ajudando bastante na nossa alimentação”, relatou.

Para ela, a iniciativa representa uma oportunidade inédita de aprendizado, participação e melhoria no cotidiano.

“Nunca pensei que a gente ia ter essa oportunidade, que o SCFV trouxe para cá, para nós, e que está nos ajudando muito”, afirmou.

Além de proporcionar uma atividade significativa e momentos de convivência, a horta também contribui para a alimentação cotidiana. Para participantes que compartilham responsabilidades de cuidado com crianças da família e da comunidade, a possibilidade de cultivar e colher alimentos frescos representa um benefício que vai além do aprendizado, auxiliando na complementação da alimentação e fortalecendo os laços de solidariedade entre as pessoas.

Fátima também relata perceber mudanças positivas na própria saúde desde que passou a participar da iniciativa, o que reforça, em sua experiência, a importância de ampliar o acesso a alimentos frescos e incentivar hábitos alimentares mais saudáveis.

Outra participante é Josiane Cardoso, moradora da localidade há cerca de 25 anos. Mãe de três filhos, ela destaca a importância da oportunidade para a comunidade, especialmente pelos benefícios para as crianças e pela possibilidade de economizar na compra de verduras.

“Nunca ninguém apresentou esse projeto para a gente. Ele é muito bom para o crescimento e a evolução das crianças e ainda para a economia que temos, pois não precisamos comprar isso no mercado. Tem ainda a qualidade das verduras colhidas, sem agrotóxicos”, declarou.

O relato evidencia como a horta comunitária pode contribuir para aproximar as pessoas de práticas de cultivo, estimular o envolvimento das crianças com a produção dos alimentos e favorecer o aproveitamento dos recursos disponíveis na própria comunidade.

Alimentação natural e saudável

Para Angelita Franco de Oliveira, outra participante do projeto, a satisfação está também em poder colher e consumir os alimentos produzidos coletivamente.

“É muito bom colher as verduras na horta e ter uma alimentação natural e saudável”, afirmou.

Assim como as demais participantes, Angelita deseja continuar envolvida na iniciativa Cultivando Vínculos, Fortalecendo Comunidades, que vem proporcionando novas experiências e fortalecendo o interesse pela produção de alimentos e pela convivência comunitária.

Propósito vai muito além do plantio

No projeto, o SCFV utiliza a horta comunitária como ferramenta de aproximação e desenvolvimento do trabalho social no território. As atividades práticas são acompanhadas por momentos de conversa, descontração, integração e troca de experiências, criando oportunidades para que os moradores se conheçam melhor, compartilhem saberes e construam relações de confiança.

Dessa forma, a horta torna-se um espaço de convivência comunitária, no qual o respeito, a cooperação, a solidariedade e o sentimento de pertencimento são cultivados junto com cada muda plantada.

A experiência também demonstra que iniciativas desenvolvidas em parceria com a própria comunidade podem ampliar as possibilidades de atuação da Política de Assistência Social nas localidades do interior, favorecendo a participação social e o fortalecimento dos vínculos comunitários.

Com os resultados iniciais, o projeto-piloto abre caminhos para que a experiência seja avaliada e possa inspirar iniciativas semelhantes em outras localidades de Mafra, ampliando as oportunidades de convivência, participação e acesso às políticas públicas.

Mais do que produzir verduras e legumes, o Cultivando Vínculos, Fortalecendo Comunidades mostra que cultivar a terra também pode ser uma forma de cultivar relações, compartilhar conhecimentos e fortalecer a comunidade.

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