História da cidade de Rio Negro

Por Gazeta de Riomafra - 17/10/2015

História da cidade de Rio Negro

A cidade de Rio Negro outrora pertencente a São Paulo, como parte integrante da antiga Comarca de Paranaguá e Curitiba, hoje Estado do Paraná, era habitada nos seus primórdios pelos índios botocudos, que dominavam as matas da encosta marítima da Serra do Mar até o rio Timbó, nas bacias dos rios Negro e Iguaçu ao norte, até o rio do Peixe, na Bacia do Pelotas, ao sul.

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Esta região era atravessada por tropeiros que conduziam o gado de Viamão, Rio Grande do Sul, à Sorocaba, em São Paulo. Devido aos prejuízos vultuosos e perigos causados pelos difíceis caminhos abertos pelo próprio gado, em 1816 os tropeiros requerem junto a D. João VI a abertura de uma estrada ligando a Estrada do Campo do Tenente (Lapa), no Paraná, à Campo Alto (Lages), em Santa Catarina.

O que existia com o nome de ‚ÄúEstrada da Mata‚ÄĚ era t√£o somente uma vereda aberta pelo pr√≥prio gado, s√≥ trilhada quando necess√°rio. A hist√≥ria de Rio Negro confunde-se com a da ‚ÄúEstrada da Mata‚ÄĚ, aonde passavam os bravos tropeiros, conduzindo o gado.

Em 1826 √© iniciada a constru√ß√£o da ‚ÄúEstrada da Mata‚ÄĚ, sendo Jo√£o da Silva Machado, futuro ‚ÄúBar√£o de Antonina‚ÄĚ, o respons√°vel pela obra e fiscaliza√ß√£o dos trabalhadores.

Depois dos tropeiros foram chegando os imigrantes a ent√£o ‚ÄúCapela da Mata‚ÄĚ. A eleva√ß√£o da Capela Provis√≥ria √† Capela Curada data de 26 de julho de 1828. Rio Negro passou de Capela Curada √† Freguesia do Senhor Bom Jesus de Rio Negro em 28 de fevereiro de 1838 e, elevada √† Vila, em 02 de abril de 1870.

No dia 15 de novembro de 1870 fez-se a primeira elei√ß√£o de vereadores e a 15 de novembro do mesmo ano deu-se a instala√ß√£o do Munic√≠pio de Rio Negro, com a posse da primeira C√Ęmara de Vereadores.

Em 1916, com o fim da Guerra do Contestado, foi estabelecido o acordo de limites entre Paraná e Santa Catarina, e parte do município de Rio Negro foi desmembrada originando as cidades de Itaiópolis, Três Barras e Mafra.

Tropeiros

Em Rio Negro existe o Clube de Tropeiros ‚ÄúEstrada da Mata‚ÄĚ, que tem por objetivo resgatar a hist√≥ria dos tropeiros e do munic√≠pio, como surgiram, quais os primeiros moradores, sua etnia e manter um relacionamento de confraterniza√ß√£o, amizade e lealdade, preservando os costumes e tradi√ß√£o do tropeirismo.

Os alem√£es

Em Rio Negro, onde existia um pequeno povoado com o nome de ‚ÄúCapela da Estrada da Mata‚ÄĚ com 108 moradores em 1828, localizaram-se fam√≠lias alem√£s, que teriam embarcado no veleiro alem√£o Charlote Louise em 30 de junho de 1828, portanto de conformidade com os planos do Governo Imperial em atrair imigrantes europeus ao nosso pa√≠s. Apesar de terem aportado no Rio de Janeiro em 02 de outubro, somente em janeiro de 1829 chegaram em Antonina, e seu destino foi alcan√ßado em 06 de fevereiro de 1829.

Houve duas remessas de colonos alem√£es para Rio Negro, a pedido do Bar√£o de Antonina que, ‚Äúpara garantir a subsist√™ncia pr√≥pria, tiveram de derrubar as matas, deslocar terras para revolv√™-la e plantar o cereal necess√°rio √† vida‚ÄĚ. Com a chegada desses colonos, a povoa√ß√£o ganha impulso e cria um movimento not√°vel para a √©poca.

Os bucovinos

A origem dos bucovinos est√° na Baviera (Bayerischerwald), sul da Alemanha, de onde emigraram para o B√∂hmerwald (na Bo√™mia, atualmente Rep√ļblica Tcheca) em fins do s√©culo XVIII. Em 1838/1840, foram para a Bucovina, hoje Rom√™nia.

Em 1887 e 1888, imigraram para o Brasil, em duas levas, mais especificadamente, Rio Negro (PR) num total de 77 fam√≠lias, 377 pessoas onde realizaram as tarefas de desbravamento, a come√ßar pela derrubada das matas para o plantio e estabelecimento de sua cultura. Os bucovinos ocuparam largo setor de atividades econ√īmicas conquistando relativa prosperidade, conservando, por√©m, algumas caracter√≠sticas espec√≠ficas, representadas, sobretudo pela l√≠ngua, tradi√ß√Ķes e costumes.

Os poloneses

Em 1890 Rio Negro recebeu uma grande leva de colonos poloneses destinados √† col√īnia Lucena, ent√£o pertencente a Rio Negro.

Hoje a antiga col√īnia pertence ao pr√≥spero munic√≠pio de Itai√≥polis, Santa Catarina, desmembrado de Rio Negro atrav√©s do Acordo de Limites entre Paran√° e Santa Catarina, em 1916.

Os imigrantes poloneses marcaram sua forte presen√ßa no munic√≠pio em 1891. Alojaram-se em um barrac√£o, √†s margens do rio Negro, onde viviam com imigrantes de outras origens em condi√ß√Ķes prec√°rias. Foram surpreendidos por uma enchente avassaladora, quando o representante dos imigrantes, registrava em cart√≥rio um ou dois mortos, todos os dias. Assim as epidemias causadas p√≥s-enchente mataram mais de trezentos imigrantes poloneses, sem contar os que foram mortos por ocasi√£o do Cerco da Lapa, quando lutaram como verdadeiros her√≥is.

O pr√≥prio ‚Äúrio Negro‚ÄĚ

O rio Negro é um rio brasileiro da bacia hidrográfica do rio Paraná, que banha os estados do Paraná e de Santa Catarina, fazendo parte da divisa entre estes estados, por toda sua extensão.

Nasce na Serra do Mar a menos de 20 quil√īmetros do Oceano Atl√Ęntico, mas corre de leste para oeste numa extens√£o de mais ou menos 300 quil√īmetros, recebendo como afluentes principais pela margem esquerda o rio Bateias, rio Preto, os dois rios chamados rio Negrinho, o rio S√£o Bento, o rio da Lan√ßa entre outros. Pela sua margem direita recebe o Rio da V√°rzea, o rio Pi√™n, o rio Passa Tr√™s. Pr√≥ximo √† cidade de Canoinhas, aflui o rio Canoinhas. Acaba por se unir ao rio Igua√ßu.

Importante fonte de √°gua para os munic√≠pios por onde passa, no passado foi naveg√°vel em boa parte de seu leito e era usado no transporte de erva mate. √Č fonte de areia para constru√ß√£o civil, sendo minerada nas vargens marginais assim como na pr√≥pria calha do rio (nesta j√° n√£o √© t√£o frequente como foi no passado). Tamb√©m √© explorada a argila de suas margens para uso na ind√ļstria cer√Ęmica. J√° foi personagem de grandes enchentes, destacando-se as dos anos de 1983 e 1992, quando chegou a atingir a marca de mais de 18 metros. O rio Negro, neste trecho, tem qualidade da √°gua avaliada pelo Instituto Ambiental do Paran√° ‚Äď IAP como classe 02, ou seja, pode ser utilizada para o consumo desde que adequadamente tratada, tarefa essa de responsabilidade da Companhia de Saneamento do Paran√° ‚Äď Sanepar.

Entre os munic√≠pios de Rio Negro e Mafra, existem a ponte met√°lica Dr. Dinis Assis Henning, a ponte Coronel Rodrigo Ajace e a ponte interestadual Engenheiro Moacyr Gomes e Souza na BR-116, conhecida como ‚Äúponte dos peixinhos‚ÄĚ. O rio Negro possui grande variedade de peixes ‚Äď lambaris, bagres, mandis, tra√≠ras e carpas, sendo que estas chegam a pesar mais de 20 kg.

Conheça alguns pontos turísticos da cidade

Trilhas: De aproximadamente 4.830 m, sendo usada anteriormente pelos antigos franciscanos. Atualmente as pessoas vão fazer caminhadas e educação ambiental. Pode-se vislumbrar a Gruta Nossa Senhora de Lourdes e o antigo Campo Santo onde no passado eram sepultados os padres que viviam no seminário.

Centro Ambiental Casa Branca: Voltado para os estudos e pesquisas da fauna e flora locais, oferece informa√ß√Ķes e atividades na √°rea ambiental para integra√ß√£o da comunidade com os recursos naturais do parque.

Semin√°rio Ser√°fico S√£o Luiz de Tolosa: Exemplar mais significativo da arquitetura municipal, tem suas origens ligadas √† hist√≥ria e a cultura n√£o s√≥ do munic√≠pio, mas de toda a regi√£o. Constru√≠da em arquitetura alem√£, com o interior em estuque, isto √©, uma mistura de gesso, √°gua e cola, sobre uma camada de l√Ęmina de madeira. Com 7200 m distribu√≠dos em tr√™s pavimentos, sendo que, sua pedra fundamental foi lan√ßada em 1918, e a constru√ß√£o conclu√≠da em 1923.

Capela C√īnego Jos√© Ernser: Localizada no antigo Semin√°rio. Sua arquitetura √© de estilo ecl√©tico, seu interior √© constitu√≠do de pintura mural em t√©cnicas de √≥leo sobre tela, t√™mpera mural e pinturas feitas √† base de cal, no per√≠odo de 1932 a 1935 por Pedro Cechet. Restaurada, foi reinaugurada em 2000.

Pres√©pio em Palha de Milho: Obra do artista alem√£o Meinrad Horn, o maior pres√©pio em palha de milho do mundo, conta com aproximadamente 1.700 personagens, fora as pe√ßas que comp√Ķem o cen√°rio criado com palha de milho, isopor, madeira e tecido. A obra objetiva transportar os visitantes para a cidade de Bel√©m dos tempos do nascimento de Jesus. Aberto ao p√ļblico desde novembro de 2000 √© uma verdadeira obra prima pela riqueza de detalhes.

Loja de Artesanato: Pertencente a ASSOART: Comercializa artesanato além de produtos locais. Procedimentos para visitação.

Ponte Met√°lica ‚ÄúDr. Diniz Assis Henning‚ÄĚ: As duas margens do rio, que ap√≥s a quest√£o do Contestado, passaram a pertencer √† margem direita ao Paran√° e a margem esquerda a Santa Catarina, formando assim os munic√≠pios: Rio Negro (PR) e Mafra (SC).

Igreja Matriz Senhor Bom Jesus da Coluna: √Č um dos templos cat√≥licos mais belos do Paran√°. Constru√≠da e inaugurada em 1916 pelo padre Jos√© Ernser. A Pra√ßa da Igreja foi feita por ocasi√£o do Centen√°rio da Coloniza√ß√£o Alem√£ (1929) e os tr√™s sinos de a√ßo da torre foram adquiridos na Alemanha em 1930.

Igreja Nossa Senhora Aparecida: Inaugurada em 12 de junho de 1979, o projeto leva o nome do arquiteto Rubens Meister, de linhas arrojadas, representa uma c√°psula de foguete espacial. Localiza-se no Bairro Bom Jesus.

O caminho até a emancipação

Uma obra p√ļblica revindicada a longa data, essencial √† impuls√£o do com√©rcio e desenvolvimento de toda uma regi√£o, cujo construtor foi indicado politicamente e, que devido a quest√Ķes pol√≠ticas levou seis anos desde a emiss√£o da ordem de constru√ß√£o at√© ser realmente iniciada, a descri√ß√£o, que a princ√≠pio parece tratar-se de algo bem atual no Brasil, na realidade marca o princ√≠pio da hist√≥ria rionegrense, que pode ser contada desde a constru√ß√£o da Estrada da Mata.

Para entender o caminho que o município de Rio Negro percorreu até sua emancipação em 1870, se faz necessário lançar olhares para um período um pouco mais distante no tempo, época na qual a necessidade de abertura de uma estrada rasgando o desabitado sertão do sul, levou à fundação daquele povoado às margens do rio Negro.

A precariedade de antigos caminhos tra√ßados em regi√Ķes desabitadas, ligando o Rio Grande √† S√£o Paulo, assim como ocasionar demora √† viagem, oferecia grandes riscos, como a falta de assist√™ncia e inclusive o ataque de √≠ndios. Isso fez com que propriet√°rios das tropas de gado e muares, conduzidas de Viam√£o at√© as feiras de Sorocaba para serem comercializadas, fizessem da constru√ß√£o de uma estrada ligando as duas prov√≠ncias, uma revindica√ß√£o de longa data junto √†s autoridades pol√≠ticas.

Ap√≥s algum tempo, o pedido mereceu a aten√ß√£o do rei de Portugal, Dom Jo√£o VI, que residente no Brasil desde 1808, ordenou ao Governador de S√£o Paulo, em 1820, a constru√ß√£o do chamado Caminho da Mata do Campo do Tenente (Lapa) √† Campo Alto (Lages), sendo por este, indicado o nome de Jo√£o da Silva Machado (futuro Bar√£o de Antonina) como respons√°vel para a concretiza√ß√£o tal tarefa. Um obra que al√©m da abertura da estrada em meio √† mata, exigiria a constru√ß√£o de pontes e pontilh√Ķes sobre os mais de 120 cursos d‚Äô√†gua existentes no caminho e a necessidade de prote√ß√£o aos trabalhadores, uma vez que, segundo palavras da √©poca, a zona estava ‚Äúinfestada de gentios‚ÄĚ (√≠ndios).

Porém, a colocação do intuito em prática teve que aguardar mais algum tempo, pois grandes mudanças na política nacional marcariam o período: Dom João retornou à Portugal em 1821, para manter a coroa lusitana, Dom Pedro, seu filho, permaneceu como Príncipe Regente e proclamou a independência brasileira no ano seguinte (tornando-se imperador), o que resultou em mudanças administrativas e políticas no país agora independente.

Em 1825, o Presidente da Prov√≠ncia de S√£o Paulo (vale esclarecer que o territ√≥rio paulista fazia fronteira com o Rio Grande do Sul) emitiu ordem para a cria√ß√£o para a cria√ß√£o de uma povoa√ß√£o no sert√£o e, somente no ano seguinte, com aprova√ß√£o do projeto de constru√ß√£o, nome√ß√£o do Bar√£o de Antonina como administrador e, a constru√ß√£o do Abarracamento do ‚ÄúS√£o Louren√ßo‚ÄĚ (na atual localidade mafrense de mesmo nome),¬† √© que finalmente a Estrada da Mata passa efetivamente a ser constru√≠da.

Com a transferência da sede dos trabalhos para as proximidades do rio Negro, ergueu-se  em 1828,  na margem esquerda, nas proximidades do local onde atualmente acha-se a praça Hercílio Luz, a capela Curada, reforçando o povoamento local, que contava naquele momento com mais de 160 residências. Em 1829, juntaram-se àquela povoação em formação, centenas de imigrantes alemães vindos da cidade de Trier, assim como o Registro (fiscalização) das tropas foi transferido de Curitiba para Rio Negro.

O crescimento da popula√ß√£o fez com que em 1838, Rio Negro passasse da condi√ß√£o de Capela √† Frequesia (Par√≥quia), com a cria√ß√£o, por decreto, da Freguesia do Senhor Bom Jesus do Rio Negro no munic√≠pio de Vila do Pr√≠ncipe (uma vez que seu territ√≥rio pertencia √† Lapa), demonstrando bem o alinhamento da estrutura civil √† estrutura religiosa cat√≥lica existente durante o per√≠odo imperial ‚Äď √† √©poca as prov√≠ncias (estados) eram divididas em Vilas (munic√≠pios), que por sua vez eram divididas em Freguesias (Par√≥quias.)

Mas foi em 1870 que Rio Negro obteve sua autonomia. Em 02 de abril a Assembl√©ia Provincial do Paran√° decretou a cria√ß√£o do munic√≠pio, elevando a at√© ent√£o Freguesia √† categoria de Vila, procedendo-se ent√£o (15 de setembro) a elei√ß√£o dos membros da primeira C√Ęmara Municipal, presidida pelo Comendador Jo√£o de Oliveira Franco.

A 15 de novembro de 1870, com a realiza√ß√£o da solenidade de posse dos camaristas (vereadores) eleitos, na C√Ęmara da Vila do Pr√≠ncipe, que a emancipa√ß√£o pol√≠tica oficializou-se, assim, agora como Vila, a antiga Freguesia adquiria a sua autonomia pol√≠tico-administrativa, passando a constituir a C√Ęmara de Vereadores, √≥rg√£o que indicava a exist√™ncia da c√©lula pol√≠tico-administrativa, com direito de cobrar impostos, editar leis, constituir comarca e possuir delegacia.

Texto por F√°bio Reim√£o de Mello (Professor e Historiador)

A Rio Negro do século XIX

Compor em nossa mente um cen√°rio que retrate Rio Negro na √©poca de sua emancipa√ß√£o (1870) √© com certeza um desafio, n√£o somente pelos dados hist√≥ricos que um texto com tal objetivo deve conter, como tamb√©m por outros fatores, como a clareza, a simplicidade e mesmo a credibilidade de quem relata aquele momento, o que ainda pode ser somado ao fato de ter sido escrito na √©poca em quest√£o, por pessoas que viveram aquele momento hist√≥rico, o relat√≥rio enviado em 1887 pela C√Ęmara de Rio Negro, ent√£o presidida por Jo√£o Vieira Ribas, ao Presidente da Prov√≠ncia do Paran√° (Governador do Estado), Joaquim d‚ÄôAlmeida Faria Sobrinho, constitui-se em relato que permite a visualiza√ß√£o do contexto rionegrense no final do s√©culo 19.

Com essa finalidade, o texto, com as adapta√ß√Ķes necess√°rias √† melhoria de sua compreens√£o, √© transcrito a seguir:

A popula√ß√£o desta Par√≥quia, que √© dividida em vinte e sete quarteir√Ķes, √© de cerca de 8.000 almas; a √°rea do terreno da Par√≥quia √© calculada em trezentas l√©guas quadradas (quase 7.000 km2). Existem al√©m da Vila, os povoados seguintes: Campo do Tenente, Len√ßol, Pi√™n. Al√©m destes povoados temos muitas outras reuni√Ķes de casas formando pequenos bairros por todo o Munic√≠pio.

Esta Vila est√° situada em ambas as margens do rio Negro, que d√° nome a esta Vila; faz-se o tr√Ęnsito de uma a outra margem em canoas e uma balsa, existe um passador pago, tudo sob custeio da Prov√≠ncia, √© sens√≠vel a falta de uma ponte sobre o rio.

Temos uma igreja na margem direita e embora seja pequena, é uma construção sólida e limpa, sendo o padroeiro dela o Senhor Bom Jesus da Coluna.

Esta Vila dista do munic√≠pio mais vizinho (cidade da Lapa) 44 quil√īmetros, percorre a zona entre ambos os munic√≠pios, uma estrada carro√ß√°vel, tendo sobre o rio denominado da ‚Äúv√°rzea‚ÄĚ, uma ponte importante (calcula-se em 500 metros de extens√£o) constru√≠da de madeira. Temos a estrada denominada ‚Äúda mata‚ÄĚ por onde transitam tropas de cargueiros e alguns milhares de animais cavalares e muares que vem do Sul e se dirigem √† Feira de Sorocaba, onde s√£o vendidos (na Prov√≠ncia de S√£o Paulo). Temos outra estrada que se dirige √† Col√īnia de S√£o Bento e Prov√≠ncia de Santa Catarina, onde h√° um grande tr√Ęnsito devido ao com√©rcio do mate.

Neste Munic√≠pio dedicam-se √† lavoura, plantam milho, feij√£o, centeio e fumo, tamb√©m criam animais vacuns, cavalares e muares. Em 1828 j√° existiam alguns moradores neste Munic√≠pio, todos brasileiros. Por Portaria do Bispo D. Manoel Joaquim Gon√ßalves de Andrade, a favor do Sargento-Mor Jo√£o da Silva Machado, mais tarde Bar√£o de Antonina, datada de 22 de junho de 1828, foi construida uma capela com a denomina√ß√£o de ‚ÄúCapela da Mata do Caminho do Sul‚ÄĚ, que foi em 1859 transferida para a margem direita, onde acha-se atualmente.

Em 1829, a 6 de fevereiro, chegaram a este ponto 12 famílias alemãs, todas naturais de Trier, num total de 60 pessoas, sendo 23 maiores e 37 menores. Em novembro do mesmo ano, chegaram mais 17 famílias, com setenta e nove pessoas, 39 maiores e quarenta menores, sendo portanto, 139 pessoas ao todo que foram aqui lançadas no meio das feras e sem recursos; entretanto trataram de ganhar a vida, indo alguns, na hoje cidade da Lapa, trabalhar como pedreiros vencendo a diária de 200 Réis! Depois de uma semana de serviço juntaram o salário de todos e compraram uma quarta de farinha e uma de feijão e veio um distribuir pelas famílias. Este quadro conquanto triste e pareça pintado com cores negras, todavia é a expressão da verdade e funda-se em dados históricos.

Foi elevado este Munic√≠pio √† Freguesia pela lei de S√£o Paulo n¬į 17 de 28 de fevereiro de 1838 e √† Vila pela lei provincial (do Paran√°) n¬į 219 de 02 de abril de 1870 e, instalada em 15 de novembro do mesmo ano.

S√£o estas as informa√ß√Ķes que a C√Ęmara pode ministrar a Va. Exa., se s√£o incompletas √© devido a defici√™ncia de dados hist√≥ricos. Deus guarde a V. Exa. Pa√ßo da C√Ęmara Municipal de Rio Negro, 03 de outubro de 1887.

Pesquisa por F√°bio Reim√£o de Mello (Professor e Historiador)

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