A História de Mafra: Revolução Federalista – Última parte: “A Guerra Continua”

Por Fábio Reimão de Mello - 22/11/2012

Após o recuo do Exército para a Lapa, em 24 de novembro de 1893 as tropas Federalistas, comandadas por Antônio Carlos da Silva Piragibe e José Serafim de Castilhos (Juca Tigre), entraram em uma Riomafra desprotegida, abandonada e amedrontada, com uma população entregue à sorte nas mãos dos revolucionários gaúchos.

Piragibe e Juca Tigre, ao contrário do que se esperava (a perseguição à força Pica-Pau em seu recuo), optaram por não buscar o combate imediato e sim preparar-se para a batalha que haveriam de travar mais tarde: Transpuseram o rio e acamparam no Campo do Gado, reconstruíram a balsa sobre o rio Negro, saquearam armazéns, roubaram gado e, além de nomear novo Prefeito e Vereadores, passaram a recrutar “voluntários” para formação do chamado “Batalhão Patriótico”, entregue ao comando do Coronel riomafrense Felício de Sá Ribas.

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Depois de descansar da desgastante viagem iniciada no Rio Grande do Sul e abastecer-se dos gêneros que necessitavam para a continuação de sua marcha, os Maragatos rumaram em direção à Lapa nos primeiros dias de dezembro daquele ano, para ali participarem do épico cerco às forças legais, ocupando posteriormente Curitiba e avançando progressivamente, até que o desgaste natural do conflito e as tropas federais do Presidente Floriano Peixoto os obrigassem a retroceder.

Foi em seu recuo que as tropas federalistas voltaram à Riomafra, onde, enquanto os soldados gaúchos, sob as ordens do general Aparício Saraiva, apoderavam-se de gado e carroças para o transporte dos canhões e seguiam para o Rio Grande do Sul, os voluntários de nossa cidade voltavam à rotina de suas vidas.

A fuga federalista do território paranaense, que sugeria que Riomafra veria-se livre dos tumultos causados pela revolução, não se confirmou, a vinda de uma Companhia de soldados paulistas que reempossou o prefeito Joaquim Sabóia, guardou a cidade até a chegada e instalação do 14º Batalhão de Infantaria. A revolução não havia terminado, apenas mudava de fase.

Essa unidade militar passou a controlar todos os caminhos que levavam para fora da Vila e desenvolveu, através de denúncias e investigações, uma operação de caçada a líderes, aliados e simpatizantes locais da causa federalista, o que resultou na execução de muitos riomafrenses, que haviam aderido ou auxiliado de alguma forma os revolucionários durante a ocupação da cidade.

O processo de execução, em geral, tinha início com a captura do prisioneiro, que após ser conduzido à pé até a estrada da rabeca, sob intensos maus tratos, era obrigado a cavar sua própria cova e fuzilado na seqüência. Exceção à regra, grande ênfase foi dada em relação no procedimento utilizado com o Comandante do Batalhão Patriótico Federalista, o Coronel Felício de Sá Ribas que, como costume da utilização das punições aos líderes servirem como exemplo a outros, a fim de suscitar respeito por meio da intimidação, revestiu-se de publicidade, pois sua prisão foi anunciada à população pelo badalar dos sinos da igreja e a execução foi precedida de um violento espancamento público, que lhe ocasionou, dentre outros ferimentos, a fratura de ambos os braços.

Foi somente no final de 1894, quando o 14º Batalhão de Infantaria deixou a cidade que, após cerca de um ano sob o contexto da guerra civil, Riomafra pôde finalmente voltar à normalidade de seu dia-a-dia, a partir daí nossos antepassados puderam considerar a revolução terminada.

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