Armas na cintura e multa para quem n√£o quer tomar vacina

Um olhar bem humorado sobre fatos curiosos do nosso passado

Por F√°bio Reim√£o de Mello - 24/04/2013

Armas na cintura e multa para quem n√£o quer tomar vacinaOlhar fatos do passado, principalmente quando esse passado j√° √© distante e ter a real compreens√£o do que eles representaram naquela ocasi√£o, exige um exerc√≠cio de an√°lise que nos permita interpret√°-los conforme o contexto da √©poca, ou seja, de acordo com a mentalidade, as leis, os costumes e situa√ß√Ķes espec√≠ficas nas quais os fatos estiveram inseridos, como per√≠odos de crise pol√≠tica, de sa√ļde ou seguran√ßa. Se por acaso essa an√°lise n√£o for bem feita, o olhar sobre o passado ocorrer√° em uma vis√£o limitada e distorcida daquela realidade.

Mas, como tudo merece um pouco de gra√ßa, √†s vezes tamb√©m √© interessante conhecer hist√≥ria sob um enfoque n√£o t√£o rigoroso, n√£o t√£o ligado √†s imposi√ß√Ķes cient√≠ficas, de forma a olhar algumas regras ou acontecimentos do passado e nos deixar surpreender com tamanha a diferen√ßa da nossa realidade atual. Afinal, bom humor tamb√©m pode nos ajudar a conhecer um pouco da Riomafra do princ√≠pio do s√©culo passado.

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Se em pleno século 21, com a mídia constantemente noticiando casos de mortes causadas pela gripe A H1N1 no Brasil, em tempos de campanha nacional de vacinação contra a gripe, ainda tem muita gente que tem medo de vacina porque acha que ela faz mal, deixando por isso de buscar a imunização.

Assim, se hoje muitas vezes atingir a meta de vacinação ainda é difícil, imagine isso a quase 100 anos, vacina devia causar pesadelos a muita gente. O jeito era tentar fazer com que o medo da agulha fosse superado pelo medo de prejuízos ao bolso, por isso era multado pela prefeitura aqueles que não se apresentassem no local, dia e hora marcados para vacinação.

Controle e restri√ß√£o ao com√©rcio de armas de fogo, estatuto do desarmamento, registro e porte de arma parecem ser coisas bem atuais, mas a proibi√ß√£o do uso de armas j√° existia desde a d√©cada de 1910, por√©m regulada por um par√Ęmetro um tanto estranho, que permitia o uso de armas √†quelas pessoas que possu√≠ssem algum ‚Äúinimigo rancoroso‚ÄĚ e de conhecida m√° √≠ndole. Se considerarmos que todo inimigo, por ser inimigo j√° √© rancoroso, que amizade ou inimizade n√£o costa de crach√° ou documento e, que toda cidade possui cidad√£os de conhecida m√° √≠ndole, √© f√°cil crer que essa proibi√ß√£o n√£o devia inibir muito a circula√ß√£o de pessoas armadas por nossas ruas.

Ali√°s, mesmo se m√©dicos n√£o tivessem inimigos rancorosos de m√° √≠ndole, eles podiam portar armas durante o atendimento de seus pacientes, pois o uso de armas por esses profissionais de sa√ļde era permitido a partir das 21h, enquanto estivessem no desempenho de suas fun√ß√Ķes.

E se falando em m√©dicos, eles com certeza n√£o deviam desfrutar de muita admira√ß√£o por parte do zelador do cemit√©rio de Mafra, pois esse funcion√°rio do munic√≠pio n√£o tinha sal√°rio mensal fixo, sendo remunerado como por ‚Äúprodu√ß√£o‚ÄĚ, ou seja, recebia uma m√≠sera quantia por cada cova aberta e utilizada para sepultamento. Assim, para seu sustento, al√©m de ter que torcer contra o sucesso dos m√©dicos, o servidor ainda tinha concorr√™ncia, pois o cemit√©rio de Rio Negro, mais antigo e tradicional, era mais atrativo e recebia a maioria dos sepultamentos de Riomafra. Nessa situa√ß√£o, o zelador n√£o teve muita op√ß√£o e pediu exonera√ß√£o.

N√£o √© de hoje que plantar eucalipto √© uma alternativa de renda no meio rural, j√° nos primeiros anos do s√©culo passado, o reflorestamento com esse tipo de √°rvore j√° rendia dinheiro, principalmente se esse eucalipto fosse plantado nos chamados terrenos √ļmidos (banhados), pois tal pr√°tica rendia uma gratifica√ß√£o por parte da C√Ęmara Municipal, pago por cada alqueire ocupado pelas √°rvores. Gratifica√ß√£o que tamb√©m fazia jus aqueles que ‚Äútransformassem campos de vassouras em campos de cultivo de alfafa‚ÄĚ, o que demonstra que a id√©ia de preserva√ß√£o ambiental mudou muito desde ent√£o.

À área urbana também era dedicada atenção, buscando torná-la organizada, segura e confortável a seus moradores, assim, carroceiros que faziam serviço de transporte de pessoas, além de serem impedidos de andarem mal vestidos, tinham o dever de comunicar à polícia a existência de pessoas suspeitas pela cidade, em cujas ruas era proibido correr a cavalo, num belo exemplo de vedação ao excesso de velocidade e em que mendigar sem autorização era ilegal.

Assim vemos que tamb√©m √© poss√≠vel brincar com a hist√≥ria de vez em quando, pois quebra a monotonia e n√£o perde sua validade, uma vez que os fatos do passado s√£o reais e as compara√ß√Ķes com o presente s√£o pertinentes, cabendo somente a an√°lise de contexto, pois por mais estranhas ou curiosas que essas regras possam parecer, elas eram adequadas e importantes em seu tempo, fazendo parte da realidade que um dia Riomafra viveu.

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