O Expedicionário: a intensa participação de um pracinha na 2ª Guerra Mundial

Por Fábio Reimão de Mello - 24/01/2013

A participação em um conflito armado é, sem dúvida, uma experiência marcante na vida das pessoas que são levadas a experimentar tal situação, não que isso possa ser visto como algo desejado ou positivo, pois as marcas físicas e psicológicas que se levam das guerras são, em sua maioria, profundas, permanentes e traumáticas. Frutos de um contexto que foge ao que o ser humano está normalmente habituado, como o contato constante e direto com pressões psicológicas, a fome, o frio, o sono, a dor, a morte, as cenas de destruição, o contato com a população civil, que despertam uma gama imensa de sentimentos, que vão das saudades, à compaixão, ao ódio, ao medo, à coragem.

Situações que sabe-se, não são iguais a todos os soldados envolvidos na guerra, uma vez que o aparato militar não se restringe exclusivamente ao combate, mas sim se estende a toda uma estrutura,  tão importante quanto a luta e que visa dar sustentação à ela. Assim em um raciocínio rápido, poderíamos dizer que um soldado em combate, está sujeito a situações que diferem daquelas experimentadas pelos integrantes de órgãos de apoio, existentes na retaguarda da tropa combatente e, pela natureza de seu trabalho, o seu contexto tende a ser muito mais duro, ou seja, é na frente de batalha que vive-se a guerra em seu estado mais brutal.

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Berço de nomes conhecidos da Força expedicionária Brasileira – FEB, que lutou na Itália durante a 2ª Guerra Mundial, como o Sargento Max Wolff Filho e o Tenente Ary Rauen, diversos foram os pracinhas nascidos ou radicados em Riomafra que participaram do maior conflito da história (só rionegrenses foram cerca de 40), desempenhando da mesma forma, papéis igualmente diversos entre si. Dentre eles, a passagem de Jovino Ribeiro pela FEB destaca-se pela intensidade e importância histórica dos fatos no quais esteve envolvido.

No início de 1942, a fim de simplesmente cumprir o serviço militar, incorporou como soldado no 13º Batalhão de Caçadores em Joinville-SC, e lá viu, em agosto do mesmo ano, o Brasil declarar Guerra ao Eixo (Alemanha, Itália e Japão), passando assim, a ver-se envolvido na mobilização nacional para montagem e envio de uma força militar para a Europa: Exames de saúde, treinamentos e deslocamentos até as unidades militares que comporiam a Força Expedicionária Brasileira tornaram-se constantes.

Assim passou a integrar o 11° Regimento de Infantaria (11º RI), de São João Del Rei – MG, por coincidência, mesma unidade de Max Wolff e Ary Rauen, oficial do qual, por um curto período, chegou a estar subordinado. Foi no 11º RI, que tornou-se membro da Companhia de Petrechos Pesados do 1º Batalhão, responsável pelo apoio ao avanço da infantaria por meio do emprego de morteiros.

A primeira visão do solo italiano (então ocupado por tropas nazistas), foi uma prévia do que aguardava todo o 2º escalão da FEB, embarcado em setembro de 1944: O cenário da cidade de Nápoles em ruínas, arrasada por bombardeios e um mar repleto de embarcações afundadas. De Nápoles, os brasilerios forma levados às proximidades da área em conflito por meio de barcaças LCI (Landing Craft Infantary), pequenas e ágeis embarcações, com capacidade para até 200 pessoas, que haviam sido usadas pouco tempo antes na invasão aliada à Normandia.

Uma vez em solo italiano, após um curto período de adaptação, teve seu batismo de fogo logo nas batalhas pela tomada do Monte castelo (maior conquista da FEB), vivenciando os ataques, revezes, os rigores do inverno e do relevo montanhoso daquela região da Itália, durante os grandes combates que culminaram na conquista de Monte Castelo, Catelnuovo e Montese, dos quais saiu ileso. Mas, a sorte que o acompanhou até então, mudaria na passagem pela localidade de Yola, quando tal fato pode ser considerado, de acordo com o ponto de vista, negativo ou mesmo positivo.

Era 15h quando a tropa em que Jovino se encontrava em Yola, foi alvo de violento ataque alemão, que obrigou os brasileiros a um rápido recuo até posição onde pudessem se proteger. Nesse movimento em busca de abrigo, Jovino carregava o tubo do morteiro sobre o ombro e, segundo palavras do mesmo, sentiu naquele momento, somente alguns socos pelo corpo, inclusive uma forte pancada no tubo do morteiro.

Somente quando abrigou-se na base de um barranco, que pode verificar o que havia ocorrido: Tinha recebido tiros na coxa, na barriga e na mão direita, aquela que segurava o tubo, o projétil havia atingido e ricocheteado no tubo, que por acaso protegeu a cabeça, mas ocasionou a perfuração da lateral da mão e saída da bala entre os dedos anelar e médio.

Ferido, porém vivo graças ao tubo do morteiro, Jovino foi encaminhado ao hospital de Florença, onde pouco tempo depois recebeu a notícia do fim da guerra e constatou que perdera o movimento de dois dedos da mão ferida.

agraciado na década de 1950 com a Medalha Sangue do Brasil, por ter sido ferido em combate e, dono de uma história impressionante dentro da última guerra travada pelo Brasil, Jovino Ribeiro fixou residência em Mafra, aqui permanecendo até o findar de sua vida.

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