Que frio! Quando a paisagem se veste de branco em Riomafra

Por F√°bio Reim√£o de Mello - 25/07/2013

Que riomafrense nunca reclamou da falta de sol naquelas longas semanas nubladas, onde o inc√īmodo tom de cinza provoca um verdadeiro sentimento de saudades do azul do c√©u? Quem aqui, n√£o se cansou daquelas chuvas que ‚Äún√£o d√£o tr√©guas‚ÄĚ e se prolongam por dias, ou mesmo nunca reclamou das baixas temperaturas de nossos dias de inverno?

Legais para alguns, desgastantes e at√© ‚Äúdepressivas‚ÄĚ para outros, mas desconfort√°veis a todos (pelo menos em algum momento), essas situa√ß√Ķes s√£o extremamente comuns √† vida dos habitantes de Rio Negro e Mafra, pois fazem parte das caracter√≠sticas geogr√°ficas/clim√°ticas desta √°rea.

E mesmo sendo de conhecimento amplo, nem por isso a paisagem nublada, a chuva e o frio deixam de ser tema de rodas de conversa e alvo de constantes reclama√ß√Ķes. Algo bem vis√≠vel atualmente, pois at√© ontem, por dias, n√£o t√≠nhamos conseguido ver um s√≥ raio de sol, n√£o parava de chover e o frio era intenso (e ainda √©).

Frio que √© de certa forma, tradicional em Riomafra e que proporciona paisagens bel√≠ssimas ao vestir nosso ch√£o, casas, gramados e √°rvores de branco. Beleza que √© ao mesmo tempo desconfort√°vel seja em casa, na escola, no trabalho ou nas ruas da cidade, no ardor do rosto e das m√£os desprotegidas, na dor de articula√ß√Ķes (principalmente os joelhos) e na sensa√ß√£o de p√©s gelados. Mas, se isso √© ruim, imagine qual era a sensa√ß√£o dos tropeiros que viajavam sob o gelado ar de nosso inverno no lombo de cavalos, tomando chuva e dormindo em barracas.

Dessa forma at√© seria poss√≠vel dizer que assim como o frio √© comum a esta regi√£o, ele tamb√©m fez parte da vida das pessoas, que no s√©culo 19, participaram da forma√ß√£o da nossa popula√ß√£o. Enquanto tropeiros enfrentavam nossas geadas, nossos av√≥s que imigraram da √Āustria, Alemanha, Ucr√Ęnia ou Pol√īnia, enfrentavam temperaturas bem menos confort√°veis que aquelas dos dias de geada, pois o inverno europeu √© mais, muito mais, rigoroso que o do Paran√° ou Santa Catarina. Assim, por exemplo, um colono Bucovino enfrentava temperaturas abaixo de -20¬įC, isso nos idos de 1870, com recursos bem menos avan√ßados para combater o frio daqueles que dispomos hoje. L√° n√£o somente o frio, mas as nevascas alteravam por completo a rotina das pessoas durante o inverno, restringindo em muito suas atividades.

Mas mesmo sendo Riomafra uma terra de geadas, onde a ocorr√™ncia de neve √© pouco favorecida, a √ļltima vez que nossos imigrantes viram flocos de gelo cair do c√©u n√£o foi em sua terra natal, mas aqui mesmo. Como exemplo, ainda no s√©culo 19, Riomafra viu neve em 04 de agosto de 1881 e, em 19 de junho de 1892, quando, como para matar as saudades da Europa, o fen√īmeno durou o dia inteiro.

E se meio as diversas informa√ß√Ķes que prev√™ a ocorr√™ncia de geadas brancas e geadas pretas, quem acreditava que neve era coisa de outros tempos surpreendeu-se com o espet√°culo que testemunhamos nesta ter√ßa-feira, algo realmente lindo, encantador e dolorido, √© claro.

Ent√£o vemos que o frio √© t√£o comum a esta terra quanto √†s pessoas que nela viveram e vivem nos dias de hoje e, que com certeza, reclama√ß√Ķes n√£o interferem em nada em sua ocorr√™ncia, mas que sem d√ļvida n√£o s√£o elas restritas aos nossos dias, pode ter certeza que por mais beleza que o frio confere a nossa paisagem, nossos av√≥s tamb√©m reclamavam toda a vez que ele se mostrava um desconforto ou entrave a suas atividades.

- Publicidade -
COMPARTILHE

PUBLIQUE UM COMENT√ĀRIO

Por favor, digite o seu coment√°rio.
Por favor, informe o seu nome.