Quitandinha tem 1,3 aposentando para cada trabalhador, Campo do Tenente tem o menor índice da região 0,1

Das cidades da região pesquisadas pela nossa reportagem, Agudos do Sul foi o município com maior índice 0,8 aposentando por trabalhador formal, enquanto, Campo do Tenente foi o município com menor índice 0,1

Por Gazeta de Quitandinha e Campo do Tenente - 27/04/2019

Um levantamento feito pela Secretaria da Previdência e Relação Anual de Informações Sociais (Rais), aponta que um terço das cidades brasileiras tem mais aposentados do INSS que trabalhadores formais, ou seja, uma em cada três cidades brasileiras já tem mais aposentados do INSS que trabalhadores com carteira assinada, que contribuem para o Regime Geral da Previdência Social.

No fim de 2017, essa era a realidade de 1.874 cidades, 33% dos 5.570 municípios do país. Se também são consideradas cidades onde o número de aposentados é igual ao de ocupados no setor formal, esse percentual alcança 38%. Os dados foram extraídos de relatórios da Secretaria da Previdência e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Para especialistas, os números reforçam a necessidade da reforma da Previdência, que acaba com as aposentadorias precoces, deixando os trabalhadores mais tempo em atividade. São justamente as aposentadorias precoces que aprofundam o desequilíbrio entre o contingente de pessoas contribuindo para o sistema e o total de beneficiários.

A pesquisa indica que os jovens estão trocando as pequenas cidades pelos centros urbanos e que os aposentados estão fazendo o inverso, indo morar nas cidades menores. Um dos motivos da debandada dos jovens seria a falta de emprego formal e de oportunidades, já os mais velhos abandonam as grandes cidades em busca de qualidade de vida.

Analisando o levantamento podemos observar que a realidade é essa mesma quando comparamos grandes centros ou cidades com mais oportunidades de emprego com as cidades menores.

QUITANDINHA E CAMPO DO TENENTE E REGIÃO

Segundo o levantamento, o município de Quitandinha tem 1,3 aposentado para cada trabalhado formal. Já Campo do Tenente é o município da região que têm o menor índice de aposentado por trabalhador formal, apenas 01. Já os municípios vizinhos como Rio Negro tem 0,5 aposentado, Lapa 0,6; Piên 0,5; Agudos do Sul 0,8; Mandirituba 0,6; Fazenda Rio Grande 0,3; Araucária 0,2 e Curitiba 0,2.

BUSCA POR QUALIDADE DE VIDA

A alteração nas regras de aposentadoria deverá levar estas cidades a uma busca por alternativas de diversificação da economia. O fenômeno da dependência da renda de aposentados é mais forte no Nordeste, por fatores socioeconômicos, e no Sul, onde o envelhecimento da população é maior. Mas também afeta os dois estados mais ricos, São Paulo e Rio de Janeiro.

Iguape é uma das cidades brasileiras onde há mais aposentados que trabalhadores.

Em dois terços das cidades com mais aposentados a principal atividade econômica é a administração pública, segundo dados do IBGE. É o caso de Mendes, cidade de 18 mil habitantes do interior fluminense que fica a cem quilômetros da capital. É um dos nove municípios do Rio de Janeiro nos quais o número de aposentados supera o de trabalhadores com carteira. Em 2017, tinha 3,2 mil aposentados e 2,5 mil ocupados formais. Só a prefeitura emprega 1.495 pessoas. Os moradores dizem que, na cidade, só há emprego em outros dois lugares: no principal supermercado e numa gráfica.

SEM DINAMISMO ECONÔMICO

Para mudar esse quadro de baixo dinamismo econômico é preciso induzir políticas de desenvolvimento econômico nas cidades pequenas, diz Clemente Ganz Lúcio, sociólogo e diretor-técnico do Dieese.

— A estrutura econômica é desigual, com concentração de indústrias no Sul e Sudeste. Os municípios de aposentados dependem do emprego público. Alguns não têm sequer estrutura econômica para terem se emancipado. É preciso desenvolver a indústria e os serviços nessas cidades. Ou ficam dependentes da descoberta de uma mina de ouro, de um campo de petróleo.

Iguape é um dos 59 municípios de São Paulo que têm mais aposentados que ocupados

Para José Roberto Afonso, professor do IDP, a concentração de aposentados e a “fuga” de jovens precisa ser avaliada à luz das transformações no mercado de trabalho:

— Com o Trabalho 4.0, uma nova era em que nem sempre se trabalhará como empregado, teremos cada vez menos empregados contribuindo para Previdência Social.

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