Casos de dengue continuam crescendo mesmo no inverno

Apesar das temperaturas mais amenas e tempo seco, o número de mortes no Brasil dobrou

Por Assessoria - 30/07/2019

Com a chegada do inverno é esperado que os casos de dengue diminuam, em decorrência das temperaturas mais amenas e do tempo seco. No entanto, neste ano, os casos de dengue continuam apresentando números crescentes, mesmo durante a estação mais fria do ano.

Segundo o Ministério da Saúde, entre dezembro de 2018 e junho de 2019 foram registrados 1.234.527 de casos prováveis de dengue, ainda não confirmados em laboratório. O número é sete vezes maior do que o apresentado no mesmo período do ano passado, que foi de 180 mil.

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“Muitos não conhecem todas as ferramentas que o laboratório disponibiliza para auxiliá-los na confirmação do diagnóstico”, afirma Celso Granato, médico patologista clínico e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial.

Segundo o especialista, outro fato preocupante é que a dengue pode ser facilmente confundida com outras duas doenças que têm protocolos de tratamento diferentes: a zika e a Chikungunya. “Dessa forma, o papel dos profissionais do laboratório passa a ser fundamental para suportar as decisões do médico em relação ao cuidado do paciente”, afirma.

A orientação básica para os profissionais dos laboratórios é de procurar o vírus na primeira semana. A partir da segunda semana, buscar a resposta contra o vírus (anticorpo), considerando a possibilidade de reações cruzadas, já que Dengue e Zika são causadas por vírus semelhantes. “Corre-se o risco de fazer um teste (Elisa) para um e não fazer para o outro, o que pode resultar em uma conclusão errada”, explica.

A dengue é considerada a mais grave no quesito mortalidade, tendo matado 366 pessoas até o dia 10 de junho deste ano, segundo Ministério da Saúde. O número já é mais que o dobro do que o registrado no ano passado.

Mitos e verdades

As grávidas precisam ficar atentas com relação à Zika, pois é a única que pode resultar em má formação para o bebê, alerta o patologista clínico. Fora do contexto da gravidez, a Zika já não é tão preocupante.

No caso da Chikungunya, de 30% a 50% dos infectados têm chances de desenvolver uma artrite crônica, o que pode dificultar a mobilidade da pessoa por até dois anos.

Houve muito alarde sobre a relação entre a microcefalia e o Zika vírus, no entanto, essa relação não é direta. A microcefalia também pode ser causada por fatores genéticos, má formação do sistema nervoso central, diminuição do oxigênio para o cérebro fetal, desnutrição grave na gestação, entre outras causas.

“Uma gestante que contrai o vírus da Zika pode dar à luz a um bebê saudável. E mesmo a criança que nasceu contaminada pelo vírus, não necessariamente vai desenvolver a microcefalia”, explica Granato, lembrando que a chance gira em torno de 10% nesses casos em que a gestante é portadora do vírus. “As mães que tiveram Zika devem continuar acompanhando seus filhos com o pediatra depois do nascimento até a idade escolar, pelo menos. Isso permite identificar pequenas alterações que podem surgir mais tardiamente nesses casos e que podem ser combatidas com medicação ou outros procedimentos”, completa.

Outro mito que gera confusão é pensar que o Chikungunya também pode ter reação cruzada com Dengue e Zika. “Isso não é verdade. A três doenças são transmitidas pela picada do mosquito, mas o Chikungunya é ‘primo’ da Rubéola”, ressalta o médico patologista clínico.

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