Santa Catarina vai retirar obrigatoriedade do uso de máscaras

Por Assessoria - 11/03/2022

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (Republicanos), confirmou nesta quinta-feira (10) que editará um decreto para retirar a obrigatoriedade do uso de máscara no estado. A flexibilização fica autorizada a partir de sábado (12) e virá acompanhada apenas uma recomendação para o uso do equipamento. Um núcleo de estudos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) questionou a medida.

A edição extraordinária do “Diário Oficial do Estado” será publicada por volta das 8h da manhã deste sábado (12). A partir daí, ao invés de obrigar, o Estado irá recomendar o uso de máscara.

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Somente após o documento oficial ser publicado é que não haverá mais a exigência. Sábado marcará exatos dois anos que o mundo entrou em estado de pandemia pela Covid-19.

A medida terá efeito imediato e vale para ambientes internos. Desde novembro, a máscara já não era obrigatória em locais abertos, mas precisava ser usada em lugares fechados com aqueles ao ar livre em que não era possível o distanciamento social.

No sábado, Santa Catarina completa dois anos dos primeiros registros de casos de Covid-19.

“Está chegando o grande dia de nós transformarmos as normas e obrigações em recomendações, incluindo o uso de máscara que não será mais obrigatório”, disse Moisés.

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Em Santa Catarina, municípios como Balneário Camboriú, no Litoral Norte, Chapecó e Xaxim, no Oeste, e Brusque e Rio do Sul, no Vale do Itajaí, já haviam feito decretos que desobrigavam o uso da máscara, apesar de que, no estado, é proibido que as cidades tenham medidas menos restritivas do que as estaduais.

Núcleo da UFSC questiona medida

O Núcleo de Estudos de Economia Catarinense (Necat), da UFSC, produz boletins semanais sobre a situação da pandemia e questionou a decisão do governo. No texto, o professor Lauro Mattei citou que Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou a comprovação científica de uma nova variante que está circulando na Europa, a deltacron, uma recombinação nas variantes delta e ômicron do coronavírus.

Ele também falou sobre o aumento do número de casos no início deste ano, com “elevação expressiva do número de casos e de óbitos. Tais fatos indicam claramente que a pandemia ainda persiste, sendo necessário manter as principais medidas preventivas até que o percentual da população vacinada atinja um patamar capaz de frear a contínua propagação do novo coronavírus”.

Para o professor, a situação da vacinação é Santa Catarina é preocupante. “É alarmante o número de pessoas acima de 50 anos que deixaram de tomar a dose de reforço e, por outro, a vacinação das crianças continua num ritmo extremamente lento”, escreveu.

“Esse cenário recomenda cautela neste momento, deixando claro que ainda não é hora de relaxar com as medidas preventivas essenciais, especialmente a flexibilização do uso de máscaras em qualquer ambiente. Como dissemos ainda em novembro de 2021, o processo de controle da pandemia está sendo bastante penoso para todos, porém não se pode perder tudo o que foi conquistado até o momento pela simples pressa de se abandonar medidas preventivas comprovadamente eficazes”, concluiu.

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A professora e epidemiologista do departamento de Saúde Pública da UFSC Alexandra Boing também questionou a decisão do governo e falou sobre a situação da imunização. “Santa Catarina ainda tem percentual importante de pessoas que não completaram a vacinação. Grande contingente de perda de adultos e idosos que não retornaram à segunda dose, todos os menores de 4 anos ainda não estão vacinados e ainda estamos patinando na terceira dose e na vacinação de crianças de 5 a 11 anos”.

“Além disso, sabemos que existe alguma perda de proteção das vacinas ao longo dos meses. Nesse contexto, o que pode ocorrer ao abolir o uso de máscaras é o aumento de casos novos de infecção, o aumento de risco de casos graves e o aparecimento de uma nova variante”, afirmou.

“Não existe risco zero, por isso é importante utilizarmos várias camadas de proteção. A vacina é uma camada, o distanciamento físico, outra camada, a testagem ativa é outra camada e as máscaras são mais uma camada para diminuir o risco de infecção”, declarou a professora.

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