Parceria entre CEJA e CRAS proporciona autonomia para famílias a partir da alfabetização

“Como professora, acredito que através da educação conseguimos formar cidadãos de bem, de caráter e nada pode impedi-los”. Andréa Kuchler Gonçalves de Lima, professora do CEJA.

Por Gazeta de Riomafra - 19/08/2019

O curso que teve início em 29 de julho de 2019 partiu da iniciativa do Grupo de Mulheres do Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, com o objetivo voltar à sala de aula e concluir os estudos. A turma conta com 18 alunos, entre homens e mulheres de 16 a 83 anos, e possui a grade completa com todas as disciplinas vigentes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental.

A partir da dificuldade de acesso à unidade do Centro de Educação de Jovens e Adultos, que fica localizado na área central e disponibiliza aulas somente em contra-turno, a Assistente Social do CRAS, Maria Terezinha Sokacheski, iniciou o projeto educacional que visa contemplar a comunidade do Bairro Vila Ivete, território abrangente do CRAS, e, em contato com a diretora do CEJA, Josane Fernandes Dias Oldoni, realizaram uma parceria, para que as aulas fossem ministradas na unidade do CRAS, cinco dias por semana, das 13h20 às 16h45 com duração de um ano e meio para que se faça valer a certificação do MEC.

Segundo a assistente social, “as mulheres aclamaram pela falta de escolaridade, e esta parceria contribuiu pela facilidade de acesso e o vínculo que estas famílias possuem com o CRAS. Entendemos que este é o caminho para a emancipação, o empoderamento, maiores oportunidade de inclusão no mercado de trabalho e maior autonomia, principalmente às mulheres, que são a maioria no grupo. O que nos surpreendeu, foi a crescente procura pela inclusão no curso, e a posterior assiduidade às aulas”. Maria Terezinha ainda complementa, “é gratificante constatar a empolgação do grupo, que vem se fortalecendo dia a dia, sendo este um plano piloto que esperamos que para o próximo ano novos grupos sejam formados”.

De acordo com a Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004), são considerados serviços de proteção básica de assistência social aqueles que potencializam a família como unidade de referência, fortalecendo seus vínculos através do protagonismo de seus membros e da oferta de possibilidades de convívio e educação, sendo assim, o CRAS possui papel fundamental no processo de emancipação destas famílias. Para a secretária municipal de assistência social, Kátia Borges Saliba “a iniciativa merece ser reconhecida, pois também trata-se da promoção da garantia do direito à educação para estas famílias”.

A FELICIDADE NOS OLHOS DE QUEM APRENDE

Para Luiza Alberta de Almeida, de 53 anos, que nunca teve a oportunidade de estudar, “é maravilhoso e cada dia eu aprendo mais!”, declarou. Sua colega de turma, Ana Pinto da Silva, de 42 anos diz que também está muito feliz por poder voltar a estudar “eu parei na 3ª série e está sendo muito bom. To tão feliz de aprender a fazer contas, pois ainda não sei nem contar dinheiro”.

A senhora Marli do Carmo Ribeiro, 51 anos, dona de casa, diz que a sua maior dificuldade é para conseguir emprego, “estudei só até a 4ª série, e este curso está sendo maravilhoso, a professora e os colegas são muito queridos e estamos aprendendo o som das palavras e as letras”.

FAMÍLIA QUE ESTUDA UNIDA

Apesar do pouco estudo, todas as famílias afirmaram que os filhos vão para a escola e que as incentivam muito a continuar no curso. Com o objetivo comum de aprender sempre mais, a família de Itelvina Bauer, 83 anos, mãe de Antonio José Bauer, 59, e sogra de Izete Aparecida Pereira Colaço, 53 anos, voltou a estudar. Eles contam que aproveitaram a oportunidade oferecida pelo CRAS, além da proximidade de suas casas. Izete disse que pretende terminar o ensino fundamental. “Sei ler e escrever, mas preciso aprender a fazer contas”. Já Antonio explicou que as empresas exigem escolaridade, então, voltou a estudar. E Itelvina tem muita vontade de aprender. “Vou à igreja e quero ler a bíblia”. Seja qual for o motivo, os alunos demonstraram determinação para mais esta empreitada.

PRESENTE PARA A PROFESSORA

Andréa Kuchler Gonçalves de Lima, professora do CEJA, contou que este é o primeiro ano que trabalha com educação de jovens e adultos. “Foi um grande presente. É uma realização e me sinto útil. Cada aluno vem com uma história e todas acabam se encontrando. Vi que muitos perdem oportunidade pela falta de estudo, e agora a intenção é que progridam na vida”, pontuou a professora.

PARCERIA DE SUCESSO

Como a procura pela continuação aos estudos foi muito grande, na próxima semana, inicia-se uma turma para graduação do 6º ao 9º ano e segundo a equipe, a expectativa é grande. Quem tiver interesse em participar, deve procurar a unidade do CRAS, localizado na Rua Capitão João Bley, nº 734 – Bairro Vila Ivete, ou ligar no telefone (47) 3645-1914.

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