A partir de 2023 houve no Brasil um aumento significativo na detecção de casos de Oropouche. Desde então o Ministério da Saúde e as regionais de saúde dos estados realizam pesquisas sobre o vetor principal.
A doença é causada pelo vírus chamado Orthobunyavirus oropoucheense, transmitido principalmente pela picada do inseto Culicoides paraensis, popularmente conhecido como Maruim ou Mosquito-pólvora.
Nesta semana uma equipe de entomologia altamente capacitada, composta por biólogos, veterinários e técnicos vinculados ao Ministério da Saúde e Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (SESA), está visitando o município de Rio Negro para a realização de pesquisas de monitoramento na fauna local. Eles estão sendo acompanhados por membros da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde.
OBJETIVO
O objetivo é detectar se há em Rio Negro a presença do vetor da Oropouche. É a primeira vez que há no município uma pesquisa com esta finalidade. Caso haja, com os resultados será possível identificar quais espécies existem neste e em outros municípios da região.
Os estudos feitos pela vigilância entomológica são importantes para a obtenção de mais conhecimento sobre o perfil e comportamento do vetor, ciclos de transmissão silvestre e urbano e sobre a própria Oropouche, que é uma doença relativamente nova. Por isso, além de Rio Negro, outros municípios da região estão sendo monitorados para identificar se há a presença do vetor e se há possibilidade de surgir casos da doença.
A visita iniciou nesta terça-feira e encerrará na próxima sexta-feira. Entre os locais visitados pela equipe está o Parque Ecoturístico Municipal São Luís de Tolosa. No local foram instaladas armadilhas em alguns pontos. Nas margens do rio Negro, por exemplo, também serão instaladas armadilhas.
ARMADILHAS
A armadilha utilizada é do tipo CDC, que possui uma fonte de luz incandescente como estímulo visual para atrair os insetos. Nela os insetos são puxados para dentro de um reservatório acoplado. O método utilizado possibilita uma amostragem consistente e adequada para os estudos de vigilância entomológica, já que os espécimes capturados mantêm a integridade necessária para identificação taxonômica. Armadilhas de aspiração também são utilizadas.

ANÁLISES
Além de preventiva, a ação da vigilância entomológica é estratégica, por isso as armadilhas são instaladas e retiradas em horários e locais específicos.
Após a coleta são realizadas as análises preliminares no próprio município. Depois da seleção dos insetos que possuem relevância técnica, a análise epidemiológica é feita na Universidade Federal do Paraná por especialistas na área.
De acordo com a SESA, a febre Oropouche é comum em áreas rurais ou de mata, mas também tem sido relacionada a plantações de bananeiras, onde geralmente são encontrados os criadouros maiores dos vetores. A presença da equipe de pesquisa em Rio Negro visa também visitar no município as áreas que possuem esse tipo de plantio, pois é onde costuma existir a presença do inseto Maruim.
CASOS CONFIRMADOS
Na região sul a Oropouche não é uma doença comum, mas preocupa as autoridades de saúde devido aos aumentos dos casos confirmados recentemente. Por isso é realizada a vigilância de monitoramento preventiva.
Em Rio Negro e municípios vizinhos não há casos de Oropouche, mas em todo o Paraná já foram contabilizados diversos casos, alguns deles em Adrianópolis, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a SESA, todos os casos registrados na cidade eram autóctones, o que significa que os infectados contraíram a doença no próprio município.
Em Santa Catarina também já houve casos confirmados, por isso a realização de pesquisas em Rio Negro é importante, pois o município está localizado na divisa dos estados. Em todo o Brasil foram quase 12 mil casos registrados em 2025, com cinco óbitos confirmados.
PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS
Os profissionais responsáveis pelas pesquisas em Rio Negro são integrantes do Núcleo de Vigilância Entomológica – Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores (DVDTV) da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná. Eles são membros dos seguintes núcleos e regionais:
2ª Regional de Saúde de Curitiba
Núcleo Londrina – 17ª Regional de Saúde
Núcleo Jacarezinho – 19ª Regional de Saúde

FEBRE OROPOUCHE
Após picar uma pessoa ou animal infectado, o vetor da Oropouche pode transmitir o vírus a outras pessoas. Os sintomas da febre Oropouche são semelhantes aos de outras arboviroses, como Dengue e Chikungunya.
Atualmente não há tratamento específico nem vacina para a febre Oropouche. O cuidado é sintomático, com repouso e acompanhamento médico. A prevenção continua sendo a principal forma de proteção. Entre as recomendações estão a limpeza regular de quintais e terrenos que acumulem folhas, cascas de frutas ou outros materiais orgânicos, a fim de evitar a proliferação dos vetores. Além disso, é importante utilizar telas de malha fina em portas e janelas, impedindo a entrada de mosquitos e prevenindo também outras arboviroses.
Para mais informações sobre a doença acesse: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/o/oropouche
