História da tradicional celebração em Louvor ao Senhor Bom Jesus da Coluna em Rio Negro

Por Gazeta de Riomafra - 06/08/2020

A celebração em Louvor ao Senhor Bom Jesus da Coluna é a mais tradicional da cidade de Rio Negro e reúne sempre um bom público, mas por causa da pandemia do Covid-19 será mais limitada neste ano de 2020, seguindo todos os protocolos de segurança, mas sem perder a importância que tem para a cidade e os devotos. Para a 128ª edição da celebração, novenas e eventos gastronômicos estão sendo realizados durante o mês.

Registro da tradicional Festa na Igreja Bom Jesus da Coluna feito na década de 30

A devoção ao Senhor Bom Jesus da Coluna do Rio Negro teve início juntamente com os primeiros povoadores que aqui se fixaram.

A construção da Estrada da Mata do Sertão (atual BR 116), ligando o sul do país com as províncias de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, tinha por objetivo abrir um caminho para a passagem das tropas, que transportavam pessoas, víveres e gêneros de primeira necessidade, para abastecer a corte imperial de animais de corte e tração, abundantes no Rio Grande do Sul, bem como facilitar o comércio nesta região.

Para essa construção, foi encarregado o sargento-mor João da Silva Machado – Barão de Antonina, dando origem à povoação que se estabeleceu inicialmente à margem esquerda do Rio Negro. As primeiras construções eram de palha, e destinavam-se aos trabalhadores da nova estrada e passou a denominar-se Vila da Mata. Tornou-se um ponto de pouso das tropas que passavam de São Paulo para o sul e vice-versa. Para defender os trabalhadores da Estrada da Mata, do ataque de índios e animais ferozes, foi designada uma coluna militar composta de um cabo e oito soldados, que lhes servia de escolta.

O governo mandou construir em 1827 uma Capela de madeira, a fim de proporcionar aos novos moradores conforto espiritual. Foi designado como vigário o padre Marcelino José dos Santos. No ano seguinte, foi demarcada a jurisdição eclesiástica e territorial, com a denominação de Nova Capela Curada da Estrada da Mata do Sertão, com a invocação do Senhor Bom Jesus da Coluna do Rio Negro.

Acredita-se que o termo coluna não se refere à coluna a qual Jesus foi amarrado quando açoitado e coroado, mas sim à Coluna do Rio Negro, o destacamento militar citado anteriormente.

A vinda da imagem do Senhor Bom Jesus para a velha capela provisória, ainda à margem esquerda do rio Negro, é registrada por volta de 1846. Mais tarde demolida e transportada para a margem direita do rio, a Capela passou por demolições, construção e reformas, até o Santuário do Senhor Bom Jesus da Coluna, como vemos nos dias de hoje.

A Capela Provisória, também chamada Capela da Mata, foi logo elevada a Capela Curada, isto em 26 de julho de 1828.

Em fevereiro de 1829, chegam a Rio Negro, os primeiros imigrantes alemães. Todos os imigrantes aqui chegados eram declarados católicos e muito se alegraram por encontrarem uma capela.

A capela provisória mandada construir por João da Silva Machado, onde os moradores se reuniam para orações, era pobre desprovida de imagem. Conta-se que um dos imigrantes trouxe em sua bagagem, para sua proteção e de sua família, uma pequena imagem do Senhor Bom Jesus, adquirida na França, pouco antes de imigrar e ele levava para a Capela a sua Imagem do Senhor Bom Jesus, que passou a ser a devoção de todos.

Conta-se ainda que o uso de “Senhor” que antecede “Bom Jesus” tornou-se costume devido assim os imigrantes o invocarem “Senhor Bom Jesus”. Confiava plenamente na proteção do Senhor Bom Jesus.

Com um ofício de João da Silva Machado que acompanhou um abaixo assinado de 108 moradores aqui residentes, solicitando a criação da Freguesia, D. Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade, baixou em 09 de setembro de 1828, o…

…”Termo de Divisão da Paróquia desta Vila Nova do Príncipe de Santo Antônio da Lapa com a Capela Curada do Senhor Bom Jesus da Coluna do Rio Negro, erigida na Mata do Sertão, em virtude da Provisão de 26 de julho e 09 de setembro deste corrente ano de 1828”. (primeiro documento que nomeia nosso Padroeiro).

Em 1846, adquirida na França, registra-se a vinda da Imagem do Senhor Bom Jesus, juntamente com a pequena Imagem de Nossa Senhora da Conceição, para a velha Capela Provisória, construída em madeira situada na margem esquerda do rio Negro.

Em 1859 esta Capela foi transladada para a margem direita do rio Negro e erigida no local, hoje esquina da Travessa Bom Jesus com Rua Dr. Vicente Machado, na atual Praça da Matriz.

A primeira capelinha estava situada à margem esquerda do Rio Negro quando esta cidade e Mafra formavam uma só comunidade.

A primeira igreja matriz de alvenaria foi construída à margem direita do rio Negro, em 1885. Por ser pequena e sem arte foi demolida em 1916, após a construção do novo templo, situado na atual Praça Coronel Buarque, em torno da qual cresce a cidade.

No ano de 1903 cogitava-se da construção de uma nova Matriz, em substituição a esta última, havendo para esse fim uma comissão, que a 05 de outubro desse ano requereu e obteve gratuitamente da Câmara Municipal todo o perímetro do largo, mesmo local das duas matrizes anteriores.

A igreja matriz, construída a esforços do padre José Ernser, teve a sua benção com toda a solenidade no dia 08 de setembro de 1916, isto é, 13 anos após o projeto de sua construção.

O Padre José Ernser foi Vigário da paróquia do Senhor Bom Jesus da Coluna do Rio Negro de 1903 a 23 de dezembro de 1935, data de seu falecimento.

A atual construção mede 40 metros de comprimento por 18 de largura e foi construída em estilo romano, simples e belo. Projetada para duas torres, até 1960 possuía somente uma concluída, medindo 38 metros de altura. Frei Eraldo Michalim (1956 – 1964) concluiu as duas torres laterais de igual altura e estilo, bem como reformou todo o templo, colocando magníficos vitrais, altar-mor de mármore, novo forro de Eucatex e iluminação adequada.

Em 1960 houve uma reforma do interior da igreja, principalmente na área onde se encontra o altar.

A festa Tradicional do Senhor Bom Jesus

As recordações das festas do Senhor Bom Jesus da Coluna pelo sr. Francisco Seidl, remontam a sua infância ou seja o início dos anos 60.

E conta que arrecadavam-se prendas, geralmente no interior do município, onde estavam as capelas. As prendas eram animais e produtos da lavoura.

As estradas eram quase intransitáveis naquela época.

Frequentemente algum dos sacerdotes franciscanos como Frei Eraldo, Frei Silvio ou Frei Clementino iam pessoalmente pedir prendas para a festa. O pai do sr. Francisco Seidl os acompanhavam. Iam de jipe ou com um Ford 29, conhecido apenas como fubica do frei Eraldo.

Mais de uma vez o pai do sr. Francisco ouviu crianças entrarem correndo em casa, ao avistarem a fubica e gritarem: “Mãe, tem dois padres aí”.

Os fieis do interior eram especialmente generosos, engordando um porquinho e tratando alguns franguinhos de modo especial, quase como se fossem objetos sagrados, pois era para a festa do Senhor Bom Jesus.

A festa era precedida pela novena. Nesses dias precedentes as barraquinhas já estavam montadas e serviam-se quentão todas as noites. Bebida ótima para aqueles dias frios do inverno rio-negrense.

A festa começava com alvorada festiva, missa solene, animada com a Banda de Música Padre José Maurício. Havia um serviço de alto falante, através do qual se tocavam músicas, em geral dedicada por alguém a outrem. Havia pouquíssimos discos. Assim, as músicas se repetiam com bastante frequência.

Na festa havia barraquinhas de diversão e de comidas. Entre as diversões havia o aviãozinho, tiro ao alvo, bingo, etc.

Comidas típicas como aluske não faltavam. Abria-se uma vala no chão e ali eram assados os churrascos, que se comia com pão e maionese. Como acontece a Tradicional festa do Bom Jesus nos dias de hoje.

“O tempo presente e o tempo passado, talvez estejam ambos, presentes no tempo futuro. E o tempo futuro contido no tempo passado”.

* Com informações do jornal Gazeta de Riomafra.

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