Igreja Senhor Bom Jesus da Coluna do Rio Negro completa 100 anos

A igreja matriz, construída a esforços do padre José Ernser, teve a sua benção com toda a solenidade no dia 08 de setembro de 1916, isto é, 13 anos após o projeto de sua construção. Na próxima quinta-feira 08, completará 100 anos. A primeira igreja matriz de alvenaria foi construída à margem direita do rio Negro, em 1885. Por ser pequena e sem arte foi demolida em 1916, após a construção do novo templo, situado na atual Praça Coronel Buarque, em torno da qual cresce a cidade.

Por Gazeta de Riomafra - 06/09/2016
Foto: Miguel Luiz
Foto: Miguel Luiz

A devoção ao Senhor Bom Jesus da Coluna do Rio Negro teve início juntamente com os primeiros povoadores que aqui se fixaram.

A construção da Estrada da Mata do Sertão (atual BR116), ligando o sul do país com as províncias de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, tinha por objetivo abrir um caminho para a passagem das tropas, que transportavam pessoas, víveres e gêneros de primeira necessidade, para abastecer a corte imperial de animais de corte e tração, abundantes no Rio Grande do Sul, bem como facilitar o comércio nesta região.

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Para essa constru√ß√£o, foi encarregado o sargento-mor Jo√£o da Silva Machado ‚Äď Bar√£o de Antonina, dando origem √† povoa√ß√£o que se estabeleceu inicialmente √† margem esquerda do Rio Negro. As primeiras constru√ß√Ķes eram de palha, e destinavam-se aos trabalhadores da nova estrada e passou a denominar-se Vila da Mata. Tornou-se um ponto de pouso das tropas que passavam de S√£o Paulo para o sul e vice-versa. Para defender os trabalhadores da Estrada da Mata, do ataque de √≠ndios e animais ferozes, foi designada uma coluna militar composta de um cabo e oito soldados, que lhes servia de escolta.

O governo mandou construir em 1827 uma Capela de madeira, a fim de proporcionar aos novos moradores conforto espiritual. Foi designado como vigário o padre Marcelino José dos Santos. No ano seguinte, foi demarcada a jurisdição eclesiástica e territorial, com a denominação de Nova Capela Curada da Estrada da Mata do Sertão, com a invocação do Senhor Bom Jesus da Coluna do Rio Negro.

Acredita-se que o termo coluna não se refere à coluna a qual Jesus foi amarrado quando açoitado e coroado, mas sim à Coluna do Rio Negro, o destacamento militar citado anteriormente.

A vinda da imagem do Senhor Bom Jesus para a velha capela provis√≥ria, ainda √† margem esquerda do rio Negro, √© registrada por volta de 1846. Mais tarde demolida e transportada para a margem direita do rio, a Capela passou por demoli√ß√Ķes, constru√ß√£o e reformas, at√© o Santu√°rio do Senhor Bom Jesus da Coluna, como vemos nos dias de hoje.

A Capela Provisória, também chamada Capela da Mata, foi logo elevada a Capela Curada, isto em 26 de julho de 1828.

Em fevereiro de 1829, chegam a Rio Negro, os primeiros imigrantes alemães. Todos os imigrantes aqui chegados eram declarados católicos e muito se alegraram por encontrarem uma capela.

A capela provis√≥ria mandada construir por Jo√£o da Silva Machado, onde os moradores se reuniam para ora√ß√Ķes, era pobre desprovida de imagem. Conta-se que um dos imigrantes trouxe em sua bagagem, para sua prote√ß√£o e de sua fam√≠lia, uma pequena imagem do Senhor Bom Jesus, adquirida na Fran√ßa, pouco antes de imigrar e ele levava para a Capela a sua Imagem do Senhor Bom Jesus, que passou a ser a devo√ß√£o de todos.

Conta-se ainda que o uso de ‚ÄúSenhor‚ÄĚ que antecede ‚ÄúBom Jesus‚ÄĚ tornou-se costume devido assim os imigrantes o invocarem ‚ÄúSenhor Bom Jesus‚ÄĚ. Confiava plenamente na prote√ß√£o do Senhor Bom Jesus.

Com um of√≠cio de Jo√£o da Silva Machado que acompanhou um abaixo assinado de 108 moradores aqui residentes, solicitando a cria√ß√£o da Freguesia, D. Manoel Joaquim Gon√ßalves de Andrade, baixou em 09 de setembro de 1828, o…

…‚ÄĚTermo de Divis√£o da Par√≥quia desta Vila Nova do Pr√≠ncipe de Santo Ant√īnio da Lapa com a Capela Curada do Senhor Bom Jesus da Coluna do Rio Negro, erigida na Mata do Sert√£o, em virtude da Provis√£o de 26 de julho e 09 de setembro deste corrente ano de 1828‚ÄĚ. (primeiro documento que nomeia nosso Padroeiro).

Em 1846, adquirida na França, registra-se a vinda da Imagem do Senhor Bom Jesus, juntamente com a pequena Imagem de Nossa Senhora da Conceição, para a velha Capela Provisória, construída em madeira situada na margem esquerda do rio Negro.

Em 1859 esta Capela foi transladada para a margem direita do rio Negro e erigida no local, hoje esquina da Travessa Bom Jesus com Rua Dr. Vicente Machado, na atual Praça da Matriz.

A primeira capelinha estava situada à margem esquerda do Rio Negro quando esta cidade e Mafra formavam uma só comunidade.

A primeira igreja matriz de alvenaria foi construída à margem direita do rio Negro, em 1885. Por ser pequena e sem arte foi demolida em 1916, após a construção do novo templo, situado na atual Praça Coronel Buarque, em torno da qual cresce a cidade.

No ano de 1903 cogitava-se da constru√ß√£o de uma nova Matriz, em substitui√ß√£o a esta √ļltima, havendo para esse fim uma comiss√£o, que a 05 de outubro desse ano requereu e obteve gratuitamente da C√Ęmara Municipal todo o per√≠metro do largo, mesmo local das duas matrizes anteriores.

A igreja matriz, construída a esforços do padre José Ernser, teve a sua benção com toda a solenidade no dia 08 de setembro de 1916, isto é, 13 anos após o projeto de sua construção.

O Padre José Ernser foi Vigário da paróquia do Senhor Bom Jesus da Coluna do Rio Negro de 1903 a 23 de dezembro de 1935, data de seu falecimento.

A atual constru√ß√£o mede 40 metros de comprimento por 18 de largura e foi constru√≠da em estilo romano, simples e belo. Projetada para duas torres, at√© 1960 possu√≠a somente uma conclu√≠da, medindo 38 metros de altura. Frei Eraldo Michalim (1956 ‚Äď 1964) concluiu as duas torres laterais de igual altura e estilo, bem como reformou todo o templo, colocando magn√≠ficos vitrais, altar-mor de m√°rmore, novo forro de Eucatex e ilumina√ß√£o adequada.

Em 1960 houve uma reforma do interior da igreja, principalmente na √°rea onde se encontra o altar.

A festa Tradicional do Senhor Bom Jesus

Festa na Igreja Bom Jesus da Coluna na década de 30
Festa na Igreja Bom Jesus da Coluna na década de 30

As recorda√ß√Ķes das festas do Senhor Bom Jesus da Coluna pelo sr. Francisco Seidl, remontam a sua inf√Ęncia ou seja o in√≠cio dos anos 60.

E conta que arrecadavam-se prendas, geralmente no interior do município, onde estavam as capelas. As prendas eram animais e produtos da lavoura.

As estradas eram quase intransitáveis naquela época.

Frequentemente algum dos sacerdotes franciscanos como Frei Eraldo, Frei Silvio ou Frei Clementino iam pessoalmente pedir prendas para a festa. O pai do sr. Francisco Seidl os acompanhavam. Iam de jipe ou com um Ford 29, conhecido apenas como fubica do frei Eraldo.

Mais de uma vez o pai do sr. Francisco ouviu crian√ßas entrarem correndo em casa, ao avistarem a fubica e gritarem: ‚ÄúM√£e, tem dois padres a√≠‚ÄĚ.

Os fieis do interior eram especialmente generosos, engordando um porquinho e tratando alguns franguinhos de modo especial, quase como se fossem objetos sagrados, pois era para a festa do Senhor Bom Jesus.

A festa era precedida pela novena. Nesses dias precedentes as barraquinhas já estavam montadas e serviam-se quentão todas as noites. Bebida ótima para aqueles dias frios do inverno rio-negrense.

A festa come√ßava com alvorada festiva, missa solene, animada com a Banda de M√ļsica Padre Jos√© Maur√≠cio. Havia um servi√ßo de alto falante, atrav√©s do qual se tocavam m√ļsicas, em geral dedicada por algu√©m a outrem. Havia pouqu√≠ssimos discos. Assim, as m√ļsicas se repetiam com bastante frequ√™ncia.

Na festa havia barraquinhas de divers√£o e de comidas. Entre as divers√Ķes havia o avi√£ozinho, tiro ao alvo, bingo, etc.

Comidas típicas como aluske não faltavam. Abria-se uma vala no chão e ali eram assados os churrascos, que se comia com pão e maionese. Como acontece a Tradicional festa do Bom Jesus nos dias de hoje.

E assim os anos foram passando, neste dia 08 de Setembro de 2016 que completamos o centenário da construção da Igreja, temos a frente de nossa paróquia o padre Marcos Kastel, que reformou e pintou o salão e a casa paroquial, pintura interna e externa da Igreja e a cada dia novos planos e projetos vem sendo executados, para melhor acolher os muitos paroquianos de Riomafra que frequentam esta bela Igreja.

Deixamos nosso reconhecimento , agradecimento a todos os padres e Freis, que deixaram suas marcas registradas e o trabalho de amor e dedicação a esta Igreja do Senhor Bom Jesus da Coluna, e cada qual com seu jeito de ser e seu carisma muito fizeram por esta paróquia.

‚ÄúO tempo presente e o tempo passado, talvez estejam ambos, presentes no tempo futuro. E o tempo futuro contido no tempo passado‚ÄĚ.

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