Itaiópolis é uma cidade privilegiada pela cultura dos seus imigrantes na maioria poloneses e ucraínos que trouxeram consigo fortes conceitos religiosos e pelas belezas naturais, além do turismo religioso. O município completa 97 anos de emancipação política e administrativa na próxima quarta-feira, 28 de outubro. O município faz divisa geográfica com José Boiteux, Mafra, Papanduva, Santa Terezinha e Victor Meirelles. Atualmente o município está entre os grandes produtores de fumo e leite do Planalto Norte. O município faz parte da rota de Turismo Religiosos de Santa Catarina que contempla suas belas e tradicionais igrejas. Itaiópolis continua tradicional, porém moderna na medida em que a cidade vai crescendo. Hoje o cenário é diferente: mais edificações e o asfalto que avança por uma cidade tipicamente rural, traçada pelo progresso.

Eventos Culturais

Dentro da Programação de aniversário de emancipação político- administrativa de Itaiópolis, aconteceu nesta semana 21, no Núcleo Histórico de Alto Paraguaçu a Noite do Patrimônio Cultural.

As ações do dia iniciaram às 15 horas, no Salão Hugo Dylla em Alto Paraguaçu, com a entrega dos projetos de restauro, objetos do convênio Nº 752411/2010 celebrado entre o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) e a Prefeitura Municipal de Itaiópolis. Os projetos concluídos foram entregues aos seus respectivos proprietários. O convênio contemplou 05 projetos de restauração de Moinhos artesanais localizados em diferentes localidades do município, Moinho Werka de Serzedelo, Moinho Kollross do Alto Paraguaçu, Moinho Buba de Poço Claro, Moinho Landowski de Palmital, Moinho Buba do Distrito, 03 projetos de restauração de Casas de Madeira, Açougue Narloch, Casa Slonina e Escola Moeminha. Projeto de Requalificação Urbana do Alto Paraguaçu, Projeto de Restauração do Casarão Andrzejewski, Projeto de Restauração do Salão Hugo Dylla em Alto Paraguaçu. O Projeto de Sinalização Turística, o Projeto de Plano Viário e o Museológico dos Moinhos já haviam sido finalizados e entregues à prefeitura municipal no ano 2012. Liliane Janine Nizola, Superintendente do IPHAN/SC com a equipe técnica e Prefeito Municipal José Heraldo Schritke fizeram entrega dos projetos. Segundo Rafael Budnik, a partir deste momento a prefeitura trabalhará para a captação de recursos nas instâncias federais e estaduais para a execução dos projetos mencionados,  sendo que o projeto de Sinalização Turística Urbana e Rural já foram inscritos em editais do governo estadual, aguardando a análise dos mesmos.

Às 18 horas, na Casa Polaski,  aconteceu o lançamento do livro “Receitas com Tatarca”- organizado pela EPAGRI. A tatarca conhecida como trigo sarraceno ou trigo mourisco é uma planta rústica de grão triangular utilizado na receita de pratos típicos de origem ucraniana como o tradicional Haluske. O trabalho da  Epagri além do incentivo ao cultivo do grão, está presente na elaboração da embalagem  e incentivo a comercialização.

Em seguida o lançamento do livro “O Patrimônio Cultural da imigração em Santa Catarina” escrito pelo arquiteto Dalmo Vieira Filho e publicado pelo IPHAN. A publicação é uma síntese do Dossiê de Tombamento apresentado ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural em 2007 e que resultou na proteção federal de mais de 60 bens culturais – pequenas propriedades rurais, casas, ranchos de madeira, escolas, salões de baile, igrejas, paisagens urbanas e rurais, que constituem importante retrato da herança cultural produzida a partir da chegada dos imigrantes alemães, italianos, poloneses e ucranianos a Santa Catarina.

Às 19 horas ocorreu a pré-estreia do Grupo de Teatro Górale da Associação Cultural Polonesa de Itaiópolis coordenado pela professora Ângela Bauer Vecchiatti da UnC Universidade do Contestado campus Mafra com a peça “Wespomnienia z polski” (Lembranças da Polônia).

Estiveram presentes além da comunidade, autoridades locais e regionais. A Universidade do Contestado que apoiou através do Setor de Extensão a oficina para a formação de teatro do Grupo Gorále, e da peça Lembranças da Polônia realizou deixou registrado na comunidade de Alto Paraguaçu a importância que o trabalho de extensão e cultura pode significar quando efetivamente aplicado.

História

Itaiópolis é o quinto em maior município do estado em extensão territorial, com mais de 1.295 quilômetros quadrados dos 293 municípios que compõem o estado catarinense. A origem do nome “Itaiópolis” pode ser explicada como sendo um hibridismo tupi-grego, no qual a última parte (polis) significa “cidade” e (Itaió) se compõe de “i” água, rio e “Taió”, que procede de “Ita”, pedra, e “ho” aumentativo

Acredita-se que história de Itaiópolis se inicia sobre antiga rota de tropeiros que faziam a ligação comercial entre o sudeste e o sul do Brasil em lombo de mulas, e tem sua origem em conjunto com a fundação da cidade paranaense de Rio Negro.

Os primeiros habitantes do município foram às famílias de João Reichardt, José Wiergenawski e João Becker que chegaram ao município por volta de 1889. Posteriormente, chegava à localidade de Rio Negro/PR, cinco mil imigrantes poloneses, por conta e proteção do Governo Federal, permanecendo durante alguns meses, recebendo auxílio e alimentos, transportando-se depois, rumo ao local onde se localiza a sede municipal do Município. Em 1890 fundaram, com mais três famílias do lugar, a Colônia Federal Lucena.

Por volta de 1903, o povoado já era elevado à categoria de distrito do município, em decorrência da vinda de outras correntes imigratórias, tais como alemães, rutenos e também poloneses. Foi criada a Paróquia de Santo Estanislau, em Paraguaçu em 1901 e o Distrito em 1903, na época ainda fazendo parte do Município de Rio Negro, com a municipalização em 18 de março de 1909, ficando a sede na Colônia Lucena, sendo instalado em 1° de julho de 1909.

A 1ª Câmara Municipal foi constituída por Henrique Köenig, José Wiergenovski, João Reichardt, Mathias Pieczarka, Leonardo Becker, José Pscheidt e Estanislau Procopiak.

Em 7 de setembro de 1917, Santa Catarina entrava na posse efetiva das terras que lhe couberam e o território do município extinto ficou fazendo parte da cidade catarinense de Mafra, criado à época. Ainda em 1917, pela lei n° 3, de dois de outubro, era criado outra vez o distrito de Itaiópolis, cuja instalação ocorreu em novembro do mesmo ano.

Um ano depois, Itaiópolis conquistou definitivamente sua emancipação, o município foi novamente criado, pela lei estadual n° 1120, de 28 de outubro de 1918 e instalado a 1° de janeiro do ano seguinte. Em 1 de janeiro de 1919, houve a reinstalação do município, que havia sido recriado em 1918 (Lei 1.220).

O 1° prefeito de Itaiópolis foi Estanislau Procopiak -1909/1912. O atual prefeito José Heraldo Schritke é o 36º prefeito eleito desde a constituição do município em 1918. Em 27 de novembro de 1953, houve a criação da paróquia de Nossa Senhora Imaculada da Medalha Milagrosa, por desmembramento da Paróquia de Santo Estanislau, no Alto Paraguaçú, que já existia desde 1901.

Vários distritos foram compondo o município, tais como Iracema, Moema, Iraputã, Itaió e, em 1982, foi criado o distrito de Santa Terezinha, que em 1991 foi desmembrado definitivamente de Itaiópolis, elevando-se à categoria de município.

Prefeitos que já governaram o município

José Eraldo Shritke é o 37º prefeito eleito desde a constituição do município em 1918

1° Estanislau Procopiak -1909/1912

2° Paulo Klodzinski -1912/1916

3° Nicolau Ruthes Sobrinho- 1916/1922

4° Ricardo Köning -1923/1925

5° Antônio Weiss -1925/1927

6° Nicolau Ruthes Sobrinho -1927/1930

7° Pedro Veiga Sobrinho -1930/1931

8° Germano Wünsche -1931/1936

9° Pedro Veiga Sobrinho -1936/1940

10° Guilherme Lang -1940/1940

11° Olivério José de Carvalho Costa -1940/1942

12° João Francisco de Assis -1942/1945

13° José Luciano Nunes -1945/1946

14° João Francisco de Assis -1946/1947

15° Alexandre Ricardo Worell -1947/1948

16° Paulo Eurico Wielewski -19481951

17° Alexandre Ricardo Worell -1951/1956

18° João Silveira Primo -1956/1958

19° Alois Tyska -1959/1959

20° Augusto Wendt -1959/1959

21° Francisco Stoltz -1959/1959

22° Zízimo Moreira -1959/1961

23° Alfonso Klemke 1961/1966

24° Alexandre Ricardo Worell -1966/1970

25° Teófilo Tavares -1970/1973

26° Eduardo Kazmierczak -1973/1977

27° Francisco Linzmeyer -1977/1979

28° Damião Panchiniak -1979/1982

29° Alceu Gaio -1982/1988

30° Reginaldo José Fernandes Luiz -1989/1992

31° Alceu Gaio -1993/1996

32° Reginaldo José Fernandes Luiz -1997/2000

33° Alceu Gaio -2001/2004

34° Ivo Gelbke -2005/2008

35° Hélio Wendt-2009/2012

36° Gervásio Uhlmann-2013/2016

37º José Eraldo Shritke – 2014/2016

Economia

Desde a chegada dos pioneiros, o município tinha tradicionalmente como base a extração, o beneficiamento e o comércio de madeira e erva-mate, pois a região conta com florestas nativas, compostas por espécies como a araucária, a imbuia, o cedro e a canela. Devido ao esgotamento destes recursos naturais o ciclo econômico desta atividade, que foi altamente predatória, se encerrou.

Para fornecer matéria prima para as indústrias instaladas em outros municípios, há uma área reflorestada municipal de mais de 20 mil hectares de reflorestamento com pinus e eucaliptos, quase tudo plantado ilegalmente, resultando em uma das maiores devastações da mata atlântica já vista no país nos últimos anos. Nem as matas ciliares que protegiam as nascentes e os rios foram respeitadas. E isto não trouxe desenvolvimento para Itaiópolis, provocando uma grande degradação ambiental e mais desemprego na área rural, conforme mostra os estudos do prof. dr. Carlos Young do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) intitulado “Desmatamento e o mito da geração do emprego rural”.

Agricultura e pecuária

Em Itaiópolis os principais cultivos são o tabaco, a soja, o feijão e a erva-mate. Pelas condições climáticas, dedica-se também ao cultivo de frutas diversificadas como laranja, tangerina, uva, pêra, pêssego, ameixa e caqui. O município é hoje considerado o maior produtor de pêras do estado de Santa Catarina.

Itaiópolis destaca-se também na pecuária através da produção de leite, com 1.200.000 litros de leite ao ano, assim como na produção do mel, com cerca de 50 toneladas ao ano. Já na indústria, destaca-se a produção de cerâmica (tijolos) e alimentos. O setor terciário itaiopolense é formado por cerca de 571 empresas, sendo 290 do sub-setor comércio e 281 do sub-setor de prestação de serviços.

Rede viária

As principais rodovias que servem Itaiópolis são a Br 116, SC 419, SC 477. A rede viária interna é de 2050 km. O município é cortado pela linha férrea, hoje sobre responsabilidade da América Latina Logística (ALL), e conta com uma estação ferroviária no bairro Lucena.

Turismo rural e religioso são atrativos da cidade

Mais da metade da população vive na zona rural. Itaiópolis conta com uma grande diversidade de recursos naturais que podem se constituir em atrativos turísticos. Seus campos de araucárias e paisagens rurais, não raras vezes envoltos em neblina durante a manhã, são um belo espetáculo. No âmbito rural, destaca-se a florada e a colheita da pêra, em São Pedro. Itaiópolis conta com diversas cascatas, grutas, a maioria às margens do Rio Itajaí. As principais são a Caverna em Itaió IIIª Secção (mina de Sal), Caverna de Costa Carvalho e gigantescas grutas na localidade Vontroba, nas taipas do rio do Couro, cujas rochas liberam sais e ainda a Gruta Emídia na localidade de Rio Vermelho.

É hoje uma opção para os apreciadores de trekking e bóia-cross.

Com um rico mosaico de etnias, descendentes de poloneses, ucranianos, alemães, italianos, caboclos e indígenas conservam suas tradições e um estilo de vida tranquilo.

O turismo itaiopolense se dirige ao aspecto religioso. As igrejas de Santo Estanislau, no Alto Paraguaçu, a Paróquia da Sagrada Família e o Morro do Calvário, com sua festa típica, a Festa da Romaria ao Monte do Calvário, em Iraputã, são alguns atrativos da cidade. Desta forma, Itaiópolis tem apostado na sua vocação para o turismo religioso, histórico-cultural. Itaiópolis é conhecida como a “Pequena Varsóvia”.

A Igreja de Santo Estanislau está localizada em uma vila com casas típicas polonesas, localizada no alto de uma montanha, onde se encontra o bairro denominado Alto Paraguaçu. Foi construída 1895, é a maior igreja na América Latina construída por imigrantes da Ucrânia e foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1998. Seu principal idealizador o padre João Kominek.

Nos dias se hoje ainda são rezadas missas na língua polonesa, como também várias apresentações como corais, sendo estas sempre de cunho religioso. Durante todo o ano a ingreja recebe a visita de turistas, inclusive no acesso a torre, principalmente quando acontece a grande festa de maio em honra a Santo Estanislau, que já recebeu na comemoração do Centenário da Paróquia, a visita de mais de dez mil pessoas, número igual ao dos fiéis participantes da procissão que se realiza todos os anos no segundo domingo da Quaresma.

Com o aumento de famílias ucranianas na região de Iracema, em 1907, a igreja da comunidade de Xavier da Silva tornou-se pequena e a Igreja Sagrada Família – Iracema e o Morro do Calvário foi inaugurada em 1909. Em 1955, um incêndio reduziu a igreja a cinzas. Após tres anos de esforço coletivo dos fiéis, a edificação ressurgiu em linhas arquitetônicas bizantinas, tal como era originalmente. Aos domingos, as missas são celebradas na língua ucraniana; aos sábados, em português.

A Romaria penitencial do rito católico – ucraniano realizada anualmente inicia com a benção da água na gruta em frente à paróquia Sagrada Família, após inicia-se a subida do morro, em procissão Via-Sacra, contemplando as estações que recapitulam o sofrimento de Jesus, até chegar ao topo do Calvário, onde foi crucificado. O momento é sublime, aonde os padres que conduzem a Via–Sagrada, utilizam a leitura bíblica associando ao contexto contemporâneo. A Via-Sacra encerra-se com a Santa Missa (em latim) no alto do morro.

A Igreja Matriz Santo Estanislau foi construída entre 1922 e 1925, a igreja é o maior templo católico edificado por imigrantes poloneses na América Latina e homenageia Santo Estanislau, um bispo mártir nascido na Polônia. Localizada no bairro de Alto Paraguaçu tem como atrativos são as pinturas parietais da crucificação de Cristo e as janelas com vitrais, sejam eles decorativos ou figurativos. Até hoje são rezadas missas na língua polonesa, como também apresentações de corais. Durante todo o ano recebe a visita de turistas, principalmente em maio, quando acontece a grande festa em honra a Santo Estanislau.

A igreja é baseada no estilo neogótico e suas entradas são feitas com grandes portas de madeira. A planta da construção foi realizada no formato de uma cruz: uma nave central entrecortada por duas capelas e a capela-mor. A torre principal da igreja tem cerca de 60 metros de altura e é onde ficam os relógios, os sinos e a águia branca. Os bancos, o púlpito, o coro e a escada em caracol que lhe dá acesso são de madeira maciça entalhada com motivos delicados. O altar e a pia batismal são revestidos de mármore.

Outro atrativo do turismo religioso de Itaiópolis também diz respeito à vestigios da imigração polonesa na região. As Capelinhas do Rosário, um conjunto de cerca de vinte pequenas capelas, erguidas numa área anexa a Paróquia Santo Estanislau, no bairro Paraguaçu, foi uma homenagem aos 25 anos de pontificado do Papa João Paulo II – de origem Polonesa. E por 2003 ser o ano do rosário.

A devoção de moradores descendetes de familias da Polônia pelo ex-papa foi tamanha que resultou na construção coletiva das capelas a partir de doações e da reunião em torno de uma causa. Localizadas num parque verde e calmo, em que se ouve, ao longe, o ronronar do vento e dos pássaros, as Capelinhas do Rosário formam uma espécie de “terço” em tamanho gigante, sendo organizada em forma semicircular. Elas foram idealizadas por Élcio e Hélio Nilsen e com mosaicos de Maria Inês Asinelli.

Cultura e pontos atrativos

Na sede do município pode-se apreciar construções de origem alemã e polonesa. Na localidade de Alto Paraguaçu, arquitetura polonesa, com destaque para a Igreja de Santo Estanislau. Em Serzefredo, casas polonesas e alemãs, com moinhos de roda d’água e marcenarias típicas. Em Iracema, construções ucranianas. Em Moema, alemãs.