Daniel está há mais de um ano aguardando a autorização de um exame para poder fazer a cirurgia de “divertículo vesical”, que lhe obriga a carregar uma incômoda bolsa coletora de urina

Na tarde desta segunda-feira (9), o agricultor mafrense, morador da localidade do General Brito, Paulo Danielski, esteve em nossa redação para desabafar e fazer uma denúncia quanto ao descaso e a demora para marcar exames e cirurgias na Secretaria Municipal de Saúde de Mafra, conhecida popularmente por SUS.

Segundo Paulo, em novembro de 2013 ele passou mal, e procurou um médico particular, pois não havia conseguido atendimento pelo SUS, sendo diagnosticado como divertículo vesical – dilatações anormais da uretra – onde o único tratamento é cirúrgico. Não tendo condições para pagar a cirurgia, procurou encaminhamento para o SUS, demorando cerca de dois meses para ser atendido, quando o médico da Secretaria da Saúde solicitou alguns exames, os quais até hoje não foram marcados. “Passou pelas mãos de umas dez atendentes e nenhuma sabe, só me enrolam”, falou o agricultor que teve que pagar por dois exames, que custaram R$ 200,00 cada.

No final do ano passado a Secretaria de Saúde encaminhou o agricultor para realizar uma consulta com um médico em Florianópolis, que constatou novamente a doença e solicitou novo exame, uma Urodinâmica. “Fui até Florianópolis, porém o médico não pode fazer a cirurgia sem esse exame”, disse Danielski, que esteve outra vez em Florianópolis agora no início do mês para uma nova consulta com o mesmo médico que disse não poder fazer o procedimento cirúrgico sem o exame. “Novamente perdi a vigem, tempo e dinheiro”, desabafou dizendo que falou para o médico que não fez o exame porque o SUS não liberou. “O SUS só promete, não fazem nada, só enganam, dizem para deixar os papéis do médico que quando der certo [marcar o exame] eles telefonam”, comentou.

Perguntado qual a explicação dada pela Secretaria da Saúde quanto à demora na liberação do exame o agricultor respondeu que a explicação dada pelo SUS é que não chegou a vez dele, que está na fila de espera, e que tem mais pessoas na sua frente. “Eles dizem que não chegou a minha vez, para esperar em casa, que a hora que der certo eles telefonam.”, falou o agricultor que vem usando uma bolsa coletora de urina desde janeiro de 2014, o que causa certo constrangimento e muito desconforto a ele. “Antes de colocar essa bolsa me prendia a urina e até o intestino”, disse.

O agricultor já procurou um advogado, para solicitar judicialmente a liberação do exame que deve acontecer dentro de um prazo de 30 dias. “Com o exame ele [médico] marca a cirurgia na hora”, disse Paulo com esperança de realizar seu procedimento cirúrgico em breve. Paulo também não compreende o porque da Secretaria de Saúde não autorizar o exame que pode ser feito aqui mesmo na cidade e só depende dele para realizar a operação.

Nossa redação, na manhã da terça-feira (10), tentou entrar em contato com a secretária Municipal de Saúde, para esclarecer o caso, mas não obteve êxito e retorno até o fechamento desta edição.