Aconteceu na manhã da última sexta-feira (10) a tão esperada entrevista coletiva do prefeito Wellington Bielecki (PSD), eleito chefe do executivo em eleição indireta, aonde apenas os vereadores tiveram direito de escolha. O vice-prefeito Vicente Saliba (PDT) esteve presente apoiando o prefeito diante dos jornalistas.

Wellington iniciou a entrevista explicando que iria falar sobre a crise e falta de dinheiro e que não tocaria mais neste assunto durante o seu mandato e que deixaria a população ciente da situação da Prefeitura. “Não vamos ficar nos lamentando mas, nesse primeiro momento vamos colocar a população a par da situação”, comentou.

De início Bielecki apontou o valor real das dívidas do município que é de cerca pouco mais de R$ 20 milhões. A dívida com os fornecedores, que já foram empenhadas – lançadas – é de R$ 5,2 milhões. Já a dívida a longo prazo, onde se inclui as pendencias com o IPMM, FGTS, INSS, Pasep, Cohab é de R$ 15,1 milhões.

Informou que a dívida com o IPMM é um dos motivos que leva o município a não possuir a Certidão Negativa de Débitos (CND). Que agora com a autorização da Câmara de Vereadores para parcelar a dívida com o Instituto de Previdência do Município e após a anuência do Ministério da Previdência poderá ser obtido a Certidão de Regularidade Previdenciária (CRP), umas das certidões necessárias para obtenção da CND. A Câmara votou em regime de urgência na noite da última quinta-feira 09 em sessão extraordinária o novo re-paracelamento do IPMM

Destacou ainda que a Prefeitura de Mafra não prestou as contas bimestrais obrigatórias deste ano ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), o que também impede a obtenção da CND.

Ele falou da sua meta primeira de regularizar as questões relacionadas às Certidões Negativas de Débitos que estão “emperrando toda e qualquer medida de busca de recursos federais e estaduais. Precisamos fazer com que as empresas interessadas em se instalar em Mafra efetivamente venham para o município, gerando emprego e renda, mas todas as intenções esbarram nas CND’s”, declarou.

Referente possibilidade do município ter que devolver ao governo do estado a verba de cerca de R$ 2 milhões oriunda do Fundo de Apoio aos Município (FUNDAM), por falta de prestação de contas, Wellington afirmou que irá usar todo os seu contatos e influência na capital para que Mafra não precise ter que devolver este dinheiro. “Vou trabalhar, conversar com todos que conheço para não precisar devolver esse dinheiro, o que seria um caos para Mafra”, falou.

O novo prefeito comunicou que emitiu um decreto emergencial para a contenção de gastos e que solicitou ao TCE, que seja realizado uma tomada de contas especial e uma auditoria nas contas do município. As contas da Prefeitura ficarão congeladas, sendo pago apenas o que for considerado de emergência.

Confirmou que realmente encontrou o caixa da Prefeitura com apenas R$ 0,63 centavos e que nos quase trinta dias que o vereador Abel Bicheski – Bello (PR), gastou R$ 320 mil em pedras, mas não pago ficando a conta para a sua gestão. Apontou ainda que neste ano de 2015 já foram gastos e pagos cerca de R$ 600 mil em pedras.

Mostrando que estava falando sério quanto a contenção de gastos divulgou que exonerou todos os cargos comissionados – cerca de 85 -, e anunciou que ninguém irá ser contratado. Com as demissões o novo chefe do executivo espera economizar R$ 240 mil por mês.

Explicou que não terá nenhum secretário de ofício e que serão nomeados diretores com função de secretários. “O salário de diretor é muito menor que o de secretário”, justificou. Segundo o prefeito pessedista apenas as Secretarias de Administração, Finanças, Saúde, Educação e Obras, Desenvolvimento e Agricultura terão responsáveis diretos, as demais ficarão sob responsabilidade do gabinete – prefeito e vice-prefeito. Na procuradoria foi nomeado um novo titular.

Responde pela Administração, Rodney Medeiros – Rudy (PTB), na Educação a responsável será a funcionária de carreira, Estela Maris Bergamini, na Saúde ficou a enfermeira Jaqueline Previatti Veiga que ocupou o cargo na gestão do ex-prefeito Roberto Agenor Scholze (PT). Para comandar a pasta de Obras, Desenvolvimento Urbano e Agricultura, foi escolhido o funcionário público Jonas Heide. A Secretaria de Finanças serão os contadores e a tesoureira que comandarão e o advogado Geison Kivtschal será o procurador do município.

Master

Como noticiado no jornal Gazeta de Riomafra, o prefeito Wellington Bielecki confirmou que realmente não foi pago a indenização de desapropriação para a família dona do terreno escolhido pelo Frigorífico Master se instalar. Confidenciou ainda que no primeiro dia como novo prefeito ao chegar na Prefeitura “nem pode comemorar”, pois a família dona do terreno estava no prédio para cobrar a entrada do que havia sido acordado.

Segundo Wellington o valor da indenização para a compra do terreno é de cerca de R$ 3 milhões e mais de R$ 500 mil já deviam ter sido pagos como entrada e que o restante seria dividido em 10 vezes. Weelington conta com o repasse da Câmara para poder honrar a primeira parcela, ou através de uma linha de crédito, visto que cogitou precisar usar o repasse da Câmara para completar a folha de pagamento.

Destacou a importância da instalação da Master no município e disse que esteve em Videira – cidade sede da empresa – na última quinta-feira (9), onde conversou com os diretores do frigorífico para tranquiliza-los quanto a aquisição do terreno. Informou que serão gerados 800 empregos diretos na primeira fase da produção e 1600 empregos diretos na segunda fase e que o investimento é muito importante para Mafra.

Falou que o apoio da Câmara de Vereadores será fundamental neste momento, pois devido aos repasses feitos para a Casa de Leis, os vereadores poderão estar realizando a devolução deste valor ao executivo que poderá solucionar o problema.

Apesar de todos os problemas encontrados, Wellington Bielecki disse estar muito feliz por ocupar o cargo. Agradeceu ao apoio da população numa demonstração de confiança e disse estar muito esperançoso de que as coisas irão melhorar. Em poucas palavras resumiu o que a população poderá esperar de sua administração: “Prudência, compromisso e respeito com o dinheiro público”. Pediu à população compreensão neste momento de ajustes.