Na noite da última quinta-feira (20), acadêmicos da Universidade do Contestado (UnC), campus Mafra, realizaram assembléia no refeitório da faculdade para discutir os atuais problemas que os cursos tem enfrentado. Durante a reunião, vários alunos se manifestaram e questionaram a péssima estrutura que a UnC tem oferecido, como por exemplo, os livros para o curso de direito que não são comprados e a falta de um laboratório para  a faculdade de engenharia civil, também foi protestado sobre a ausência de professores, que vem acarretando em dispensa dos alunos da 10ª fase de direito durante as aulas.

Na assembléia os alunos decidiram por realizar uma manifestação na noite da sexta-feira (21) para pedir melhorias na faculdade e transparência da atual gestão. “Não só os direitos dos alunos serão cobrados, mas a melhoria no salário dos docentes também”, explica Ana Dutra, acadêmica de direito. Os estudantes também querem que o dinheiro das mensalidades seja investido no campus Mafra e não compartilhado com as outras sedes como tem sido feito atualmente, segundo os alunos. “A manifestação será realizada porque há muito tempo a UnC está sendo sucateada em seus recursos materiais e humanos”, enfatiza Gilvan Gruber, presidente do Centro de Diretório Acadêmico Aloísio Surgik (CADAS).

Segundo os alunos, foram cortados custos de gasolina, hospedagem e comida de professores que dão aula no campus e não moram em Mafra. Relatam também, que além da mensalidade, as palestras e outras atividades também têm que ser pagas. Da maneira que a universidade tem sido conduzida, os estudantes temem que ela seja fechada. “O diploma não vale nada se a faculdade fechar”, analisam os universitários.

Segundo eles, a reitora Solange Sprandel da Silva, não tem dado atenção necessária aos acadêmicos e não esclarece para onde está indo o dinheiro das mensalidades, muitos alunos sequem conhecem a atual reitora, que raramente é vista na universidade.

Reclamam que neste ano, um ofício foi elaborado pelo CADAS para que R$ 1,00 de cada mensalidade dos alunos de direito fosse revertido para que os integrantes do centro acadêmico pudessem realizar viagens acadêmicas e trazer palestras do curso para a universidade, porém a reitora não assinou o ofício, causando revolta nos estudantes. Segundo Gilvan a reitoria está ciente da manifestação, porém nenhuma mudança foi feita de imediato. “A mesma falácia de sempre, apenas promessas”, reclama.

Nossa reportagem tentou contando com a reitora Solange, para ouvi-la, porém não obtivemos retorno até o fechamento desta edição.

Manifestação reúne cerca de 500 alunos

Após as 19h de sexta-feira (21), o barulho de apitos começou a soar nos corredores da UnC. Cerca de 500 alunos com cartazes pedindo a redução do salário da reitora, salários melhores para os professores e transparência na gestão, alunos usando nariz de palhaço e principalmente fazendo barulho com apitos, deram voz e cores ao primeiro manifesto pedindo melhorias na universidade. A maioria dos alunos que fez parte do protesto são acadêmicos de direito, engenharia civil e enfermagem. Um dos manifestantes, aluno de engenharia civil, disse que a manifestação estava ocorrendo para que o mínimo de estrutura para o curso seja implantado, desde salas com data show a laboratórios. O curso de engenharia civil da UnC ainda não é reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).

Como a manifestação foi decidida “às pressas” na última quinta-feira (20), muitos alunos não sabiam do que se tratava e apenas observavam a movimentação nos corredores. Segundo informações, esta manifestação é apenas o começo, pois uma maior reunindo todos os estudantes da universidade será realizada em breve.

Nossa reportagem tentou contando com a reitora Solange, para ouvi-la, porém não obtivemos retorno até o fechamento desta edição. Nem a reitora e ninguém da direção do campus compareceram, ou se manifestou durante o ato.

Os acadêmicos dizem que as manifestações terão continuidade caso não forem atendidos seus pedidos, que para eles são justos e para o bem de toda a comunidade universitária.