Uma cirurgia de menisco, um procedimento aparentemente simples, se tonou um transtorno para a agente de saúde de Itaiópolis, Andrelina Eva Franco dos Santos, 55 anos. A cirurgia realizada no último dia 13/08 no Hospital São Vicente de Paulo, que era para ter sido feita no joelho esquerdo segundo ela, não aconteceu e para espanto da agente comunitária e de sua família o joelho direito é que tinha sido operado.

Andrelina contou a nossa reportagem que realizou todos os exames para fazer a cirurgia de menisco do joelho esquerdo, inclusive consultou com o médico que a operou, mas ao acordar da anestesia constatou que havia lhe operado o joelho errado, “disse para o meu filho: suspeitei que o meu joelho que foi operado era o direito. E realmente operaram o direito, o joelho errado!”, apontou. Andrelina ficou apavorada chegando a passar mal, só ao pensar que teria que passar por tudo novamente para operar o outro joelho, “Queriam me levar de volta para sala de cirurgia, para operar o outro joelho na hora, mas não aceitei”, falou. Disse estar ainda muito assustada e traumatizada e por enquanto não quer mais operar o joelho novamente.

Segundo a paciente o médico que a operou não falou o que ele fez, apenas disse que era preciso operar o meu joelho direito, “mas como, ele não tinha exames”, questiona ela afirmando que nunca sentiu dores no joelho direito, que agora dói mais que o joelho que era para ter sido operado, “O médico se desculpou, se ofereceu a fazer uma nova cirurgia, mais não quero mais esse médico”, comentou.

Referente ao atendimento do Hospital São Vicente de Paulo, Andrelina disse que a direção falou que “alguém falhou” no atendimento e que o hospital irá reparar o dano, “Eles prometeram tudo lá na hora, me trocaram de quarto, me levaram para uma suíte, estava em um quartinho bem precário, me trataram melhor, mas somente depois que viram o erro”, disse a agente de saúde que já contratou um advogado para acompanhar o caso.

Dona Andrelina alega estar traumatizada e muito abalada com o ocorrido e que sua situação se agravou ainda mais, pois o joelho que estava bom agora está ruim

Andrelina se mostrou preocupada com a sua recuperação e por não ter operado o joelho correto, já que por ser agente comunitária ela precisa caminhar para realizar os serviços do seu trabalho, “Meu serviço é andar, preciso muito das minhas pernas”, destacou dizendo que ficará três meses encostada. A paciente também falou que não foi dada nenhuma justificativa do porquê operaram o joelho errado. “A única coisa foi que ele [médico] deixou escapar que as enfermeiras não marcaram a perna para ele operar”, contou explicando que realizou todos os exames, que fez uma ressonância magnética, consultou com o médico em Itaiópolis e levou o prontuário do ortopedista itaiopolense no dia da cirurgia, “O médico não perguntou qual joelho eu precisava operar (…), não vi o médico antes da cirurgia, porém quando estavam fazendo os preparativos para cirurgia senti que estavam mexendo no joelho errado, porém devido a anestesia adormeci e não consegui mais falar nada”, lamentou.

Vale lembrar que naquele dia houve cinco cirurgias, a de Andrelina foi realizada pelo SUS, sendo uma das justificativas dada pelo possível erro, onde devido a grande demanda do sistema único, pode ter ocorrido isto, alegou o médico a paciente após a cirurgia. Andrelina diz que isto não justifica o erro, pois ela é funcionária pública na área da saúde e não se pode culpar o SUS por este erro, mas sim o profissional envolvido.

AMBULATÓRIO

Entremos em contato com ambulatório do hospital onde nos informaram que ainda este ano Andrelina havia consultado com o mesmo médico que a operou, onde existe um prontuário que tudo isto está registrado.

CENTRO CIRÚRGICO

Tentamos ouvir duas enfermeiras do centro cirúrgico que não quiseram prestar informações a nossa reportagem, dizendo que deveríamos procurar a administração do hospital.

O QUE DIZ O MÉDICO

Nossa redação entrou em contato com o médico que realizou o procedimento cirúrgico na Andrelina. O médico curitibano Sharbo Martins Casagrande, informou que toda a sua defesa está no prontuário, afirmando que não há mais a declarar do que já escreveu no prontuário, “Não teve cirurgia de joelho errado, não houve erro médico, foi uma opção de operar o outro joelho, operei o joelho que achei que estava pior no momento. Está no prontuário tudo isso”, pontuou.

Sharbo disse ainda que a decisão de operar o joelho direito foi baseada em exame físico, clinico e de uma artroscopia diagnóstica, feita na hora da cirurgia. Segundo o médico a artroscopia diagnóstica é um exame que coloca um vídeo dentro do joelho, “ele é muito mais válido que uma ressonância, foi uma opção em fazer o melhor para ela”, comentou. Falou ainda que a Adrelina tem dor na perna esquerda porque ela tem um outro problema de coluna que faz doer mais a outra perna, “Ela preferia que operasse o outro joelho mais expliquei para ela que a dor da coluna que corre para perna continuaria. O joelho pior no momento avaliado por mim era o direito”, apontou. Perguntado se houve outro prontuário, afirmou que não existe outro, “mas sim apenas um prontuário, não tem como modifica-lo” – afirmou. O médico também confirmou que está afastado do hospital por enquanto, devido ao transtorno que isto causou. A paciente rebate, dizendo que ele não tinha exames para atestar que o seu joelho direito precisaria ser operado, mas sim o esquerdo que foi examinado e o qual apresentava problema, “meu joelho direito nunca doeu, nunca senti nada nele” – contesta indignada a paciente Andrelina.

HSVP

Em contanto com a direção do Hospital São Vicente de Paulo nossa equipe de redação foi informada que foi dada toda a assistência à família da Andrelina Eva e que o Hospital está apurando o caso, escutando todos os envolvidos e que até o final do mês deve ser emitido o resultado do que realmente aconteceu na cirurgia da paciente e também o que pode ser melhorado quanto a estes procedimentos.