A cirurgia na guerra contra a obesidade

Por GB Edições - 22/07/2015

A cirurgia na guerra contra a obesidade

Quando se fala em controle de peso, além de dietas e reeducação alimentar, muito citada também tem sido a cirurgia bariátrica.

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A cirurgia bariátrica, também conhecida como “cirurgia da obesidade”, “cirurgia metabólica” ou, mais popularmente, “redução de estômago”, reúne técnicas – com respaldo científico – destinadas ao tratamento da obesidade e das doenças causadas pelo excesso de gordura corporal ou agravadas por ele. A cirurgia é indicada para pacientes que apresentam Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40 ou entre 35 e 40 na presença de alguma doença associada. Além disso, o paciente deve ter tentado perder peso pelo tratamento clínico convencional por pelo menos dois anos, sem sucesso.

No Brasil, são aprovadas quatro modalidades diferentes de cirurgia bariátrica (além do balão intragástrico, que não é considerado cirúrgico): bypass gástrico, banda gástrica ajustável, as derivações bíleo-pancreáticas (duodenal switch e Scopinaro) e a gastrectomia vertical.

As técnicas cirúrgicas diferenciam-se pelo mecanismo de funcionamento. Existem três procedimentos básicos da cirurgia bariátrica: os restritivos (que diminuem a quantidade de alimento que o estômago é capaz de comportar), os disabsortivos (que reduzem a capacidade de absorção do intestino), e aqueles que têm pequeno grau de restrição e desvio curto do intestino geralmente sem má absorção de gorduras, chamadas de técnicas mistas. Todos podem ser feitos por videolaparoscopia, menos invasivo e mais confortável para o paciente.

Estudado desde a década de 60, o bypass gástrico é a técnica bariátrica mais praticada no Brasil, correspondendo a 75% das cirurgias realizadas. Nesse procedimento misto, é feito o grampeamento de parte do estômago, reduzindo o espaço para o alimento, e um desvio do intestino inicial, que promove o aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome.

Criada em 1984 e trazida ao Brasil em 1996, a banda gástrica ajustável representa 5% dos procedimentos realizados no País. Instala-se anel de silicone inflável ajustável ao redor do estômago, que aperta mais ou menos o órgão tornando possível controlar o esvaziamento do alimento. O anel é ligado a um botão que fica embaixo da pele e pode ser alcançado por uma agulha de injeção. Assim, é possível injetar água destilada para apertar mais o estômago ou esvaziá-lo para aliviar a restrição.

Na gastrectomia vertical, o estômago é transformado em um tubo, com capacidade de 80 a 100 ml. Essa intervenção provoca boa perda de peso, comparável à do bypass gástrico e maior que a proporcionada pela banda gástrica ajustável. Existe ainda alguma controvérsia se esse é um método tão eficaz quanto o bypass gástrico ou o duodenal switch em relação ao controle do diabetes.

As derivações bíleo-pancreáticas – duodenal switch e Scopinaro privilegiam a má absorção. O duodenal switch é a associação entre gastrectomia vertical e desvio intestinal, em que 85% do estômago são retirados, porém a anatomia básica do órgão e sua fisiologia de esvaziamento são mantidas. A técnica de Scopinaro tem como principio a gastrectomia (retirada de parte do estomago), associado a também grande desvio intestinal. Difere do duodenal switch por ser horizontal, sem a preservação da anatomia e mecanismos de controle do esvaziamento gástrico. Apesar de bons resultados em termos de perda de peso, as técnicas disabsortivas necessitam monitoramento nutricional intensivo, pois podem levar a longo prazo à desnutrição e suas consequências mais frequentemente que as outras técnicas.

Essas quatro técnicas constam no Consenso Brasileiro Multissocietário em Cirurgia da Obesidade, reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e recomendadas mundialmente. Os demais procedimentos e técnicas cirúrgicas para o controle da obesidade não relacionados no Consenso Bariátrico não apresentam indicação atual de utilização ou encontram-se em fase de estudos. Até o momento, não apresentam documentação científica consistente que permita sua realização fora de protocolos de pesquisa devidamente regulamentados pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP).

O paciente que tenha indicação para cirurgia bariátrica deve conversar com o médico que já o acompanha e, ao tomar a decisão, procurar um profissional habilitado e com experiência comprovada nessa área, evitando aqueles que pratiquem técnicas não aprovadas pelo CFM ou que prometam soluções milagrosas.

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