Toda campanha política minimamente planejada objetiva atingir o chamado “formador de opinião”. Considera-se oportuno incorporar ao grupo de apoiadores de qualquer candidatura a força de comunicação e o amplo leque de relacionamentos pessoais e profissionais que o tal “formador” parece deter, como um capital político pessoal, e cuja meta consiste em absorver seu prestígio e receber, de sua credibilidade, os votos que parecem estar agregados a estes.
O processo político brasileiro, no entanto, falha duas vezes quando o planejamento de campanhas eleitorais dedica-se a conquistar esse importante instrumento de conceituação e divulgação de campanhas políticas e seus candidatos. A primeira grande falha está na incapacidade prática dos partidos políticos em identificar essas lideranças – tradicionais ou potenciais. Não existem partidos políticos com vida, com inserção na sociedade, com canais abertos para a participação sincera dos diferentes segmentos da sociedade. Pessoas interessadas na militância partidária e na construção de carreiras políticas não encontram acesso fácil ao ingresso e à ascensão na hierarquia partidária. Os partidos são feudos, máquinas de uso de pessoas ou grupos. Verdadeiros “business” para a comercialização de legendas, tráfico de influência, canal para benefício próprio, comumente em todos os estados e municípios brasileiros.
Da mesma forma, os partidos políticos se escondem, são agremiações que se fecham como se seus dirigentes necessitassem do anonimato para a preservação de seu “status quo”. O pensamento político comum que reina impede ou refuta o ingresso de lideranças que possam gerar algum grau de risco desta hegemonia no “negócio da política”. A segunda grande falha está na interpretação sobre o “formador de opinião”, que se baseia no incorreto aproveitamento do conceito publicitário de formador de opinião. Na publicidade, o formador de opinião é definido como o indivíduo com poder de renda, de consumo e de instrução, requisitos que o colocam como alvo para as diferentes abordagens com o intuito de fazê-lo consumidor de toda sorte de produtos e serviços. Essa conceituação mercadológica foi erroneamente absorvida pela classe política – e nem poderia ser diferente, tendo em vista que o marketing político foi invadido por publicitários sedentos por contas milionárias – contas publicitárias e contas bancárias…
Formador de opinião, para o bom Marketing Político, não é aquele personagem com alto poder de consumo, mas aquele indivíduo com alto grau de percepção de sua realidade e alto grau de mobilização social – num clube, numa sala de aula, numa favela, num movimento social.
Veremos o quadro partidário e político brasileiro evoluir – também no sentido moral – quando os partidos forem verdadeiramente abertos e democráticos, quando o processo eleitoral receber a força do voluntariado e da sociedade civil e, é claro, quando os partidos políticos e seus candidatos tiverem a consciência de que os eleitores já não desejam pirotecnia política e publicitária – mas apenas campanhas eleitorais honestas, planejadas e afinadas com o pensamento do cidadão comum.
Semião Pereira
Semião Pereira é Relações Públicas, MBA em Marketing e especialista em Comunicação
