Devotos prestigiam festa de “São Sebastião†em Poço Claro

Publicado por Gazeta de Itaiópolis - 21/01/2012 - 08h56

Mais de 700 pessoas das cidades de Curitiba, Mafra, Canoinhas, São Bento do Sul, Rio Negrinho, Rio Negro (PR), Joinville e também de Itaiópolis prestigiaram a festa de São Sebastião, na localidade de Poço Claro, interior do município. O evento acontece durante o dia inteiro e sempre é realizado no dia 20 de janeiro, impreterivelmente, pois é nesse dia que se comemora o dia de São Sebastião.

O pátio da capela e o interior do pequeno santuário ficaram completamente lotados, com a presença de centenas de devotos. Veículos ocuparam boa parte do pátio para estacionamento. A comunidade, onde acontece à festa da fé fica a cerca de cinco quilômetros do centro de Itaiópolis. A tradição de louvar São Sebastião existe há 116 anos. Segundo a história tradicional, guardada com muito amor pela família “Correa de Siqueiraâ€, quando ocuparam as terras inóspitas da comunidade de Poço Claro existiam povos silvícolas no local conhecidos como “bugresâ€. Com o povoamento da família e o cultivo da terra e também com a proliferação dos animais, os “bugres†atacavam os rebanhos.

Além desses ataques a região era detentora de animais peçonhentos como, por exemplo, as cobras que também picavam os animais causando a morte e prejuízos à família “Correa de Siqueiraâ€. A família, em meio ao nada, viu no santo, São Sebastião, a proteção para os animais e uma saída para os incidentes daquela época. Segundo Vildegar Correia de Siqueira, que é um dos devotos e organizadores da festa de São Sebastião, a família Correa fez uma promessa que enquanto existir sangue de Correa, ou seja, enquanto existir a família Correa de Siqueira vai ser realizado a festa de São Sebastião, todos os anos sempre no dia 20 de janeiro. Na comunidade foi construída uma capela, especialmente a São Sebastião. Várias pessoas vieram de outras cidades com ônibus fretados, para confirmar a fé no santo protetor dos animais. Durante toda a quinta-feira, no interior da capela foi queimado maços de velas e os devotos amarraram fitas coloridas aos pés e nos braços de São Sebastião.

O ritual, particular de cada um invoca principalmente proteção e também é feito em agradecimento a graças alcançadas através do santo. Segundo Maria Roseli Cidral da Costa, o incentivo veio da mãe, já falecida, que era fiel devota de São Sebastião. “Se tínhamos alguma moléstia no corpo, por exemplo, dor de cabeça e de estomago, nós fazia a circunferência com fita e entregávamos aos pés do Santo, para a providência. Alcançamos várias graçasâ€, disse a mulher. A família de Rosa Fernandes Max, já falecida, participou da festa em homenagem a mãe, que era devota. Os filhos contaram que a mãe faleceu a dois anos, no dia 19 de janeiro e foi sepultada dia 20. Foi um momento de muita emoção. Dona Rosa faleceu aos 68 anos e a família promete seguir os ensinamentos da mãe. A filha Maria Roseli disse que viajou mais de 100 quilômetros, para manter a tradição. Ela mora no interior do município de Rio Negrinho. Já o advogado Ricardo Alexandre da Silva, natural de São Paulo, disse que é a primeira vez que participa da festa. Ele explicou que também veio em homenagem a sogra-avó, já falecida, que era devota de São Sebastião. “Encontrei aqui pessoas humildes, de bom coração e ambiente agradável. Compartilhamos durante o dia amizade e até alimentosâ€, disse o advogado.

Durante todo o dia foi servido o tradicional café aos devotos acompanhado de “cucaâ€. O lanche é gratuito e é preparado com trabalho voluntário e doações da própria comunidade. Segundo Vildegar, para a festa de 2012 os organizadores ganharam mais donativos comparados à festa do ano passado, sem contar nas dezenas de animais que foram doados para serem vendidos no leilão. Segundo Vildegar Correia de Siqueira, que ajuda a organizar o evento há 19 anos consecutivos a festa de 2012 foi maior que a do ano passado.

Conforme Vildegar, o que mudou ao longo dos anos foi à forma de servir e de acomodar os devotos. Em anos passados o tradicional café era preparado em latas de querosene e servido na peneira, onde as pessoas se alimentavam em pé. Hoje há mais conforto, pois foi construído um galpão de madeira para abrigar os devotos de São Sebastião. Foram confeitas 230 cucas e distribuídos mais de 2 mil pães. A festa é simples e humilde. As pessoas ganham força em gestos de fé.

A equipe de organização formada por oito homens e quinze mulheres é acolhedora. Quem vai à festa de São Sebastião no dia 20 de janeiro em Poço Claro sempre volta.

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