Corintiano de coração, nascido no município de Piên, estado do Paraná, aos 57 anos de idade, Ademil da Conceição exibe com orgulho sua coleção de mais de 4,5 mil chaveiros. As peças estão fixadas em chapas de isopor nas paredes de seu próprio bar, que está situado na Rua Padre José Kielczevski, no bairro Vila Nova. Pra quem não conhece Ademil, basta circular pelo bairro, ou pelo município e perguntar por “Pelé”. O apelido surgiu quando Ademil ingressou como funcionário na empresa Condor, na cidade de São Bento do Sul. “Pelé” prestou serviço militar na cidade de Curitiba no ano de 1969, juntamente com Silvio Dreveck.

O primeiro chaveiro e o gosto pela coleção iniciaram ainda no serviço militar, quando ganhou a primeira peça. Casado há 28 anos, “Pelé” atua como profissional liberal no município exercendo a função de pedreiro, taxista e dono de um bar. O apelido faz jus ao talento pelo futebol, quando ainda jovem.

Fumando um cigarro de palha, o proprietário da coleção demonstrou o cuidado que tem com as peças e o ciúme é evidente. Conta que já recebeu várias propostas para vender a coleção, mas recusou todas. Quando se desligou da empresa Condor em 1977, Pelé já tinha cerca de 50 peças, que exibia aos clientes na parede do seu próprio bar, no município de São Bento do Sul. No ano de 1981, mudou-se para Itaiópolis e abriu um bar. Sua coleção atingia a marca de 2,5 mil chaveiros. O dono da coleção conta que recebeu propostas de compra, por determinados modelos de chaveiros, onde o interessado ofertou R$ 15,00 por unidade.

“Pelé” já tem a coleção há 35 anos, mas a beleza das peças exige cuidados. “Uma vez por ano retiro todos os chaveiros das paredes e os lavo com água e sabão. Após secarem, aplico um produto anti-ferrugem”, explica. “Mas isso dá trabalho”, completa Pelé. O proprietário não tem interesse em vender a estimada coleção, e salientou que vai continuar adquirindo novos modelos, por tempo indeterminado. Ele recebe doações de chaveiros e algumas peças acaba comprando. “O que me motivou a iniciar a coleção foi o interesse e a atenção dos meus clientes pelos chaveiros. O meu desejo era fechar totalmente as quatro paredes do bar e já consegui realizar. Algumas pessoas que chegam aqui acabam doando como lembrança os seus próprios chaveiros, para fazerem parte da minha coleção”, comenta.

De tanto amor que tem pela coleção, Pelé diz que sabe quando um é furtado da parede. “Já me roubaram cerca de 100 chaveiros, ao longo desses anos”, disse. O chaveiro mais velho da coleção tem 40 anos, que é aquele que Pelé ganhou no exército. O outro, também com 40 anos, é da Móveis São Leopoldo, de São Bento do Sul. O chaveiro mais novo tem três anos na coleção e é da Lotérica São Bento. São dezenas de modelos, tamanhos, cores, formatos e designs. “Eu produzo artesanalmente alguns modelos de chaveiro. Basta eu pegar um objeto que pode virar chaveiro e já começo a confeccionar”, explica Pelé.

“Tenho chaveiros de quase todos os lugares do Brasil e até do exterior como, por exemplo, da Argentina, do Paraguai, do Uruguai e sete peças da Venezuela. Todos foram adquiridos pela amizade que mantenho com as pessoas”, afirma o proprietário. Segundo Mário Ballas, 25 anos, que é um dos clientes de Pelé, há dez anos quando chegou ao bar já ficou impressionado com a quantidade de chaveiros. Ademil da Conceição, o popular Pelé, mora no bairro Vila Nova há 22 anos. A coleção está à disposição para a visitação do público.