Eles moram há 10 anos no local, numa pequena casa de madeira, que não tem forro e nenhum tipo de conforto.

Já imaginou você chegar à casa ao final de um dia de trabalho intenso e não ter um banheiro para tomar banho? Ou, no meio de uma noite de chuva, precisar fazer as necessidades fisiológicas e não ter uma privada? Essa realidade sórdida e que parece ser apenas uma ‘estória’ é a vida real de Antônia Santana, de 65 anos.

A velha mora na “Cohabinha”, do bairro Bom Jesus, em companhia do filho Narciso Lopes, de 38 anos. Eles moram há 10 anos no local, numa pequena casa de madeira, que não tem forro e nenhum tipo de conforto. Para construir o casebre, segundo Narciso, o telhado e as madeiras foram doações e ele apenas pagou a mão-de-obra de um carpinteiro.

A família vive em condições subumanas. Dona Antonia, mesmo aos 65 anos, ainda não conquistou o beneficiou da aposentadoria. A casinha não tem luz e água, apenas um fogãozinho a lenha, que exala uma fumaça de arder os olhos.  Ao chegar à casa a situação impressiona. Uma grande quantidade de lixo está depositada. Os cômodos do interior do casebre servem como depósito de roupa usada e outras bugigangas.

Entretanto, essa condição de vida adotada, ou imposta à família, está preocupando moradores do entorno da casa. Segundo a moradora Rosane Aparecida Velter de Quadros, de 41 anos, o problema é a proliferação de ratos devido ao acumulo de lixo na casa de Antonia.

Rosane mora há 11 anos na Rua Ule Weigle, na Cohabinha, e coincidentemente bem próximo a casa de Antonia. Ela trabalha a dois anos na pastoral da criança e teme os resultados negativos que podem vir à tona em decorrência do aumento da população de ratazanas. “Se alguma criança contrair leptospirose, quem vai ser responsabilizado?” disse Rosane.

Com receio que o descaso de Antonia pela própria casa traga conseqüências imensuráveis como, uma epidemia de leptospirose, Rosane recorreu a Vigilância Sanitária, a Secretaria de Ação Social, ao Conselho Tutelar e a Defesa Civil do município, para serem tomadas as providências necessárias.

Segundo a moradora Rosane, os órgãos do governo visitaram a casa de Antonia e ficaram impressionados com a quantidade de lixo e o matagal. Com medo do ataque de ratos, Rosane espalhou por toda a casa, inclusive pela sala e na cozinha, em pontos estratégicos veneno para matar rato.

“Sábado passado matei um rato dentro da minha lavanderia”, disse. A moradora registrou o tamanho do roedor com uma foto no celular. Durante o dia não há problema, mas a noite, segundo Rosane, os ratos invadem a casa e andam pelo forro fazendo barulho e devorando o que encontram. Segundo a moradora, a Prefeitura se comprometeu em fazer uma operação conjunto de limpeza e organização na casa de Antonia.

A “Gazeta de Itaiópolis” procurou o secretário municipal de Desenvolvimento Social e Habitação Julmar Zerger, que disse que tem conhecimento da situação e que acordaram junto a Defesa Civil, Conselho Tutelar e Vigilância Sanitária uma operação conjunta na casa de Antônia Santana. A intenção é colocar um grupo de homens da secretaria de obras para a limpeza do entulho e do matagal, na área externa da casa, para evitar a proliferação de ratos. A secretaria de Ação Social vai intensificar o trabalho de orientação, para que a moradora organize o interior da casa, descartando o que não vai ser utilizado. Por outro lado, segundo informações de Rosane Aparecida Velter de Quadros, até o inicio da tarde de ontem a Prefeitura não tinha comparecido no local para fazer a limpeza.