Durante os meses de julho e agosto de 2011, os apicultores do Planalto Norte observaram mais de 80 % de perdas de colméias em seus apiários. Gregório Lozovei apicultor há mais de 20 anos morador da comunidade de Costa Carvalho (Itaiópolis) disse que nunca viu nada igual, pois de suas 60 colméias restaram apenas cinco. O presidente da Associação de Apicultores de Itaiópolis comenta que se nada for feito os apicultores terão que desistir da atividade e terão que começar do zero, ele informa que das mais de 600 colméias que possuía há dois anos hoje tem menos de 100. Nelso Stopa apicultor de Residência Fuck (Monte Castelo) que com 1600 colméias produziu 42.000 Kg de mel hoje está apenas com pouco mais de 400 colméias.

O quadro se repete nos municípios de Mafra, Rio Negrinho, Papanduva e Santa Terezinha.  O presidente da FAASC Nésio Fernandes de Medeiros tem buscado junto ao Secretário de Estado da Agricultura, o apoio técnico para a identificação das causas. Ele propôs medidas através da pesquisa e Extensão rural e da defesa sanitária animal; fazer os encaminhamentos necessários para a solução do problema antes que seja tarde e não se tenha mais abelhas.  Convém dizer que as abelhas são importantes, não só na produção de mel, mas principalmente na polinização de frutíferas e lavouras em geral. E sem abelhas haverá grandes prejuízos com a redução da quantidade produzida e da qualidade das frutas.

Assim por determinação do secretário de estado e da agricultura nesta semana nos dias 5 e 6 de setembro técnicos da Epagri, da Cidasc e Ministério da agricultura realizaram um esforço conjunto no Planalto Norte Catarinense com o objetivo de coletar amostras de abelhas na região para o envio a laboratórios para a identificação das causas da mortalidade  ou sumiço das abelhas. Participaram desse trabalho a médica veterinária da Cidasc Ana Maria de Andrade Mitidiero, responsável pelo programa estadual de sanidade Apícola, acompanhada pelo veterinário da Cidasc José Rui Almeida Leite Filho, responsável pelo programa a nível regional e também o médico veterinário Marcio Pinto Ferreira, responsável pelo PNSAp do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Enio Frederico Cesconeto, técnico da Epagri. Segundo os especialistas o problema é grave e merece toda a atenção das instituições governamentais para a busca de respostas a ameaça.

Suspeita-se que o que vem causando a mortalidade seja uma doença chamada Nosemosem, porém,  não há sinais clássicos da doença, e, portanto, freqüentemente não é detectada.  Abelhas altamente infectadas vivem apenas metade do tempo que as não infectadas.   A Nosema está presente provavelmente em todas as colônias o tempo todo, e só é susceptível de causar perdas de abelhas quando as condições climáticas favorecem a disseminação do microrganismo.

Nosema apis, que causa a doença nosema, é encontrado em todo o mundo.  Nosema ceranae, um parasita semelhante, foi encontrado em abelhas asiáticas (Apis cerana) em 1996.  Em 2005, foi encontrado em Apis mellifera, em Taiwan, e uma vez que na Europa, América do Norte e Austrália.

O organismo nosema pertence a um grupo exclusivo de formadoras de esporos organismos conhecido como Microspora, muitos dos quais são parasitas de insetos.  Nosema apis é a causa mais comum de infecção de abelhas adultas, e é amplamente considerada como sendo (em termos econômicos) a doença mais grave de abelhas na Austrália.  Nosema ceranae e Nosema apis têm ciclos de vida semelhantes.
Abelhas adultas ingerem os esporos da nosema via água ou alimentos contaminados, por troca de alimentos com outras abelhas ou em suas funções de limpeza.  Os esporos germinam, em seguida, nas células epiteliais do intestino médio.  Aqui eles se multiplicam, produzindo mais esporos até o ponto em que os números são tão grandes que estouram as células epiteliais e são excretados nas fezes.  Abelhas operárias, rainhas e os zangões são todos suscetíveis à infecção por esporos, que podem permanecer viáveis por períodos consideráveis de tempo em partes de colméia.  A diferença visual entre Nosema apis e Nosema ceranea é apenas ligeira.   Somente  Testes de DNA podem diferenciar as duas espécies.

Efeitos da Nosema Apis na colônia

Abelhas mais velhas (Campeiras) morrem rapidamente quando expostas a altas taxas de infecção – a expectativa de vida dos indivíduos pode ser reduzida em mais da metade.

Abelhas jovens assumem as tarefas das campeiras em uma tentativa de manter a ingestão de néctar e pólen.

Com poucas abelhas na colmeia e com a dificuldade em manter a temperatura do ninho as crias morrem e as abelhas morrem ou abandonam as colméias.

Nosema ceranae pode matar as abelhas em oito dias, o que é mais rápido que as abelhas expostas a Nosema apis; despovoamento gradual, mais mortes outono / inverno  ou baixa produção de mel podem ocorrer. Em análises feitas em outras regiões de Santa Catarina constatou-se a presença de nosema ceranae, acaro Varroa destructor e pelo menos três tipos de vírus e suspeita-se que a mortandade acontece com maior intensidade quando os fatores aparecem associados.

Foram feitas visitas a apiários nos municípios de rio Negrinho, Mafra e Itaiopolis e as amostras encaminhadas para laboratórios em São Paulo. Segundo informações, no próximo dia 12 de setembro, um grupo de técnicos da Epagri envolvidos na questão da apicultura vai estar reunido com o secretário da Agricultura e Pesca do Estado. De Itaiópolis vai participar Enio Cesconeto, da Epagri. O objetivo do encontro é encontrar soluções aos problemas relativos à mortandade das abelhas no Estado.