Nessa última segunda feira a cidade de Mafra amanheceu de luto, faleceu aos 59 anos de idade o tão querido por todos padre Aldo Seidel, um homem que ao longo de sua vida sempre se mostrou comprometido em buscar os verdadeiros caminhos da fé, que procurava aliviar os corações aflitos, sossegar os que estavam com espírito conflitante, levar acalento aos que sofrem e aumentar a chama do espírito de Deus no coração de todos.

Padre Aldo nasceu na localidade do campo São Lourenço, no dia 06 de maio no ano de 1954. Filho de Engelberto Seidel e Ludovica Hable Seidel cresceu em meio à roça, sempre trabalhou para ajudar a família. Capinou e lavrou muito a terra, colheu milho, abóbora em terrenos difíceis e perigosos, auxiliando sempre seu pai e irmãos, colaborando com o sustento da família.

Aos sete anos iniciou seus estudos nas Escolas Reunidas São Lourenço, sua primeira professora foi dona Ignez Grein Pettres. Sua iniciação catequética aconteceu na Capela de São Lourenço e seu catequista foi o professor João Felipe Vila Lobos, mais conhecido como seu Janguinho.

Um belo dia, enquanto estava na Capela de São Lourenço esperando por seu pai, o padre Humberto Cinca com um gesto carinhoso lhe ofereceu um chocolate, Aldo ainda menino, guiado pelo gesto do padre que “adoçou a sua alma”, naquele momento decidiu seguir a vocação sacerdotal.

Aos 13 anos, o menino Aldo ingressa no seminário de Araucária junto com seu primo e amigo Francisco Hable. Foi uma viagem difícil até o seminário, chovia muito, o trem sacolejava todo, e o barulho era ensurdecedor, mais os meninos conseguiram superar todas as dificuldades e enfim chegaram ao seminário, ali iniciaram suas preparações para o sacerdócio.

Aldo deixava seus irmãos e pais com muita saudade, sua mãe Ludovica era quem sentia mais saudades do filho, sem saber ler nem escrever Dona Ludovica queria muito enviar uma carta para seu filho, para realizar esse desejo, se matriculou na primeira classe do Mobral com objetivo de escrever ao filho o testemunho da saudades, o amor e das orações que dedicava a ele. Seu objetivo foi alcançado com êxito, a tão desejada carta foi escrita a seu próprio punho. Aldo recebe então a primeira carta escrita por sua querida mãe, imagine a alegria, após tanta espera tantas saudades, as palavras de sua mãe acariciavam seu coração e sua alma cheio de saudade e amor filial.

Os anos passavam, as alegrias somavam e as saudades eram diminuídas, mas em 1974 Dona Ludovica veio a falecer aos 45 anos, Aldo cuidou dela no hospital e estava presente na hora de sua despedida, o filho entregava a Deus a mãe que tanto amava, em sua vida abre-se um profundo vazio e a saudade voltava em seu coração, mas aos poucos com a ajuda de amigos a dor da ausência acomodou-se e a vida prosseguia.

No ano de 1977, aos 23 anos de idade, Aldo ordenava-se diácono seguindo o exemplo de São Lourenço, etapa primordial na vida de um sacerdote. No dia 10 de Dezembro de 1978, na matriz São José de Mafra, Aldo é ordenado sacerdote, sendo padre da congregação vicentina, abraçava então, em definitivo a missão de evangelizar, confiar em Deus e na força da santíssima trindade que o guiará nos caminhos da fé.

Sua primeira missa em São Lourenço foi celebrada no dia 17 de dezembro de 1978, este dia foi coroado com muitas graças, mas cheio de provação. Faltou luz na comunidade e a missa foi celebrada com a força da voz de cada participante, porém o mais difícil ainda estava por vir, morrem neste dia dois de seus companheiros mais queridos de trabalho vocacional, os padres Francisco Belinoski e Vicente Estigar, em um acidente quando se dirigiam para celebrar a primeira missa do padre Albino, colega de turma do padre Aldo.

Em 1979 o padre Aldo inicia seu trabalho no grupo missionário dos padres vicentinos que possuía o lema: “Jesus Cristo ontem hoje e sempre”. Durante quatro anos percorreu 35 paróquias diferentes, entre as quais destacamos: Auto Paraguaçu, Itaiópolis, Campo do Tenente, Lapa e Mandirituba, não as mais importantes, porque para ele, todos tem o mesmo valor e ocupam espaço em seu coração repleto de fé.

No ano de 1983 o padre Aldo viajou para a Venezuela onde desenvolveu seu trabalho por 3 anos. Em 1986 , o padre volta para o Brasil e foi assumir a paróquia de Santo Antonio em Imbituva. Neste mesmo ano recebe o convite do superior geral da congregação para trabalhar de interprete na assembleia geral em Roma e é recebido pelo papa nesta ocasião.

Foto: Divulgação

Voltando de Roma foi a Republica Dominicana como interprete e participante na assembléia das voluntarias “dama da caridade”.

Em 1994 o padre Aldo assumiu a paróquia nossa senhora dos remédios, em Araucária, Paraná, foi recebido como uma mãe recebe a um filho, deram-lhe guarida e proteção, lançando votos de confiança e dando-lhes todo amor e carinho que se oferece a um morador ilustre. Araucaria é uma cidade hospitaleira, pois todo aquele que passa leva um pouco do seu calor e deixa um rastro de saudades, e aquele que a escolhe como morada, pode sempre contar com sua generosidade. Este povo é muito querido e para o padre Aldo é o calor que acalenta seus sonhos e seu espírito evangelizador. Levar a palavra de Deus ao povo Araucariano é como cântico que suaviza a alma e incendeia os corações.

O acidente

Um dia sem menos esperar, um acidente de carro tira do nosso convívio o tão amado padre Aldo, o padre voltava de uma confraternização em família, perdeu o controle do seu veiculo e acabou colidindo com uma arvore. Quando soube da noticia a população de Mafra declarou luto, as quintas-feiras na cidade não serão mais as mesmas, as tão populares novenas do padre Aldo vão fazer muita falta Esperando que Deus tenha recebido o nosso querido padre Aldo de braços abertos, pois nós sabemos que sua vida foi de extrema dedicação à fé e a bondade. Sentiremos saudades padre.

Grande foi a movimentação de fiéis durante a tarde de segunda-feira na Matriz São José, durante a Missa de Corpo Presente e despedida do pároco.