Experiente produtor de peras, ameixa e pêssegos, João Brongiel utiliza o conhecimento sensorial para novos experimentos em enxertos de Pinheiro Araucária. A experiência é inédita

Apontada como o maior produtor de peras do Brasil, o município de Itaiópolis traz um espetáculo impar e com duração de poucos dias. É a florada da pêra, que iniciou no último dia 25 de agosto e vai até outubro.

A Gazeta de Itaiópolis visitou a Pereira de João Bongiel, na localidade de São Pedro.

O Distrito rural está localizado há 16 quilômetros do centro de Itaiópolis, no Planalto Norte Catarinense.

O monocromatismo no pomar impressiona os olhos humanos. Um verdadeiro tapete branco suspenso se forma ao longo das leiras das Pereiras. Um fenômeno da natureza indescritível, que é apreciado por muitas pessoas. O piricultor João Brongiel, aos 77 anos, formado pela escola da vida, explica os pontos de maior importância da florada.

De acordo com o fruticultor, a primeira flor das plantas não é muito boa e não é bela. “A geada fora de época atrapalhou um pouco”, disse.

O último ciclo da florada que é bom e gera excelentes frutos. Quando o assunto é florada, além da beleza, vem o doce néctar das flores, que é apreciado por abelhas. Esse assunto preocupa Brongiel. De acordo com o piricultor, os enxames de abelha que freqüentavam o pomar e conseqüentemente polinizavam as flores foi decaindo gradativamente e boa parte das abelhas sumiu.

João conta que possui 13 caixas, mas as abelhas estão desaparecendo e, com isso, a polinização fica prejudicada.

Como alternativa, o experiente fruticultor adquiriu 10 colméias de abelha do tipo Mandaçaia, da região do Paraná, ao preço de R$ 200,00 a Colméia. No entanto, as colméias Mandaçaia são relativamente pequenas em número de população comparado as abelhas comuns da região de Itaiópolis.

Segundo Brongiel, se tratando de florada e pólen, as do mês de setembro são as mais belas e as que rendem os melhores frutos. As flores do mês de outubro estão fora do padrão, diz o fruticultor. Brongiel produz as variedades de peras Yale, Kaiki (proveniente da região da Patagônia no Sul da Argentina), que é uma fruta saborosa, mas a casca é escura e a produção é tardia.

O fruticultor produz também as variedades Abacaxi e a Manteiguinha, esta última registrando queda na procura nos grandes mercados consumidores. No entanto, o espetáculo da florada dura apenas duas semanas e se houver incidência de chuva as flores caem, dando lugar para o verde das folhas.

Segundo Brongiel, a florada da ameixa foi fraca e a produção para esta safra em Itaiópolis deve ser baixa. “Já o pêssego deve produzir bem”, acredita João.

O fruticultor tem 2,5 mil plantas de pêra na florada.

Cada planta da variedade Abacaxi produz 150 quilogramas. A variedade mais procurada pelos mercados consumidores é a Japonesa (escura). Cada planta depois de formada resiste por mais de 20 anos.

As árvores levam em média cinco anos para começarem a produzir. Por outro lado, tudo o que é bonito e saboroso tem seu preço. Brongiel explica que para dar manutenção ao pomar, para poder colher bons frutos são necessários pelo menos R$ 200 mil.

O fruticultor já espalhou no pomar 400 sacas de adubo e 60 toneladas de gesso. Isso significa que o agricultor usou cerca de 4 quilos de adubo por planta e ainda vai precisar colocar mais 4 quilos por pé de pêra para estimular a produção desejada. O piricultor consome cerca de R$ 11 mil em óleo diesel por ano. Isso sem contar nas despesas com a mão de obra, especialmente no período da colheita.

A colheita da pêra no pomar de Brongiel inicia no próximo dia 10 de janeiro. João Brongiel iniciou na atividade do cultivo de pêra na cidade de Araucária, estado do Paraná, em 1960.

Em 1987 iniciou a plantação na localidade de São Pedro, Itaiópolis. Brongiel, em Itaiópolis, enfrentou sérios problemas no pomar com a broca do tronco. Para combater a praga utilizou inseticida Actara.

No que diz respeito à sucessão familiar, para futuramente tocar a produção de peras em São Pedro, João aos 77 anos confessa que sua família não demonstra interesse pela atividade. “Cada um já tem sua profissão e seu próprio negócio. Se eu fechar os olhos isso aqui vai virar um taperão”, desabafa o experiente agricultor de cabelos brancos.

A outra novidade desenvolvida por Brongiel são experiências com enxertos de pinheiro araucária. “Ainda não deu muito certo, pois não consegui identificar o qual é macho e o qual é fêmea. Mas vou tentando até acertar”, disse Brongiel, o agrônomo sensorial.