Sabe o que significa 70 anos de casamento? São “nada mais nada menos” do que 840 meses ou, se preferir, 25.550 dias de convivência mútua e estável no seio de um lar
Qual é a explicação da ciência para uma pessoa viver mais de nove décadas, e ainda estar lúcida e disposta num mundo tenso, com poluição do ar e dos rios tão irradiada? Mas, a grande novidade é um casal atingir 70 anos de matrimônio, ou se preferir de união conjugal. Isso é verdade e o casal vive em Itaiópolis.
A residência está localizada numa ruela, que faz a ligação da Avenida Nereu Ramos com a Rua Paulo Klodzinski. A estradinha até então se chamava Rua da Pedreira. O nome foi conferido à via por dar acesso a uma jazida de cascalho, localizada próximo ao atual bairro Vila José Dresseno. Mas isso faz parte do passado. Hoje a Rua se chama “Das Flores”, e comporta algumas residências, dentre elas, a de Frederico Bauer e Auristela Catarina Bonelli Bauer.
Auristela, 91 anos, e Frederico, 92 anos, festejaram, como diz o chavão popular, “Bodas de Vinho”. A festa aconteceu no último dia 06 de dezembro, no salão da igreja Luterana de Itaiópolis. O evento foi uma homenagem dos sete filhos do casal, dentre eles, cinco homens e duas mulheres. Além dos filhos, o aniversário de setenta anos de matrimônio foi lembrado pelo poder Legislativo, que apresentou moção de aplausos ao casal.
Auristela e Frederico se casaram em José Boiteux, na igreja São Sebastião, aos 21 anos de idade. Para saber um pouco mais sobre a vida do casal de anciãos a Gazeta de Itaiópolis os entrevistou, na última semana. Fomos bem recebidos na casa, que apresenta detalhes de uma mobília rústica.
Seu Frederico estava lendo jornais. Dona Auristela prontamente se sentou a mesa, para dar atenção às perguntas que fizemos em vários sentidos. A mulher conta que faz as tarefas domésticas por conta própria, mas durante o dia conta com ajuda de empregada. Seu maior prazer é trabalhar cultivando uma horta nos fundos da casa, que por sinal é bem grande. Seu Frederico, aos 92 anos, tem um pouco de dificuldade de locomoção, necessitando de auxilio de uma bengala. No entanto, consegue ir ao banco e ao barbeiro a pé.
Natural de Itajaí, no litoral, Auristela conta que quando jovem viveu por muito tempo com os avôs. Disse que na sua vida fez de tudo um pouco e morou, inclusive, em Blumenau. De origem Italiana, a anciã está lúcida e comunicativa, além de trabalhar com afinco nas atividades da horta doméstica.
Frederico Bauer nasceu no Distrito de Moema e tem descendência alemã. Ao lembrar-se do tempo de infância, o ancião recorda que não perdia um dia de aula, mesmo quando o tempo estava chuvoso. Quando rapaz exerceu ofício de caixa de loja, lavrador e durante 18 anos atuou como vendedor. Frederico ainda lembra quando conheceu a esposa, no município de Ibirama.
Frederico também foi um homem público. Por alguns anos foi administrador do Hospital Santo Antônio, que funcionava próximo a Prefeitura. Mas, os lapsos da memória já enfraquecida o impedem de contar mais detalhes desta função importante que desempenhou.
O ancião também trabalhou junto a Secretaria de Obras do município, coordenado equipes de trabalho. Por muitas vezes arregaçou as mangas e ajudou no encascalhamento de estradas e também na abertura de bueiros. Em conversa na mesa da casa, o casal recorda os velhos tempos, quando ainda o município de Santa Terezinha fazia parte da geografia política de Itaiópolis. Os velhos lembram as viagens no lombo de cavalos, pelos interiores de Itaiópolis, até o município de Ibirama.
Perguntei ao casal se tem medo da morte. Dona Auristela disse que já está cansada da vida dura que levou e pede a Deus que reconheça e destine um lugar no céu. “Quero viver enquanto Deus me der vida”, disse seu Frederico. O casal mora no Centro de Itaiópolis há 20 anos.
Dona Auristela mostra com orgulho retratos de família, especialmente de seus pais de origem européia, oriundos da França e Itália. Já seu Frederico é um leitor assíduo. Ler livros, revistas e jornais são um passa-tempo, servindo como um hobby para ocupar a mente.
Auristela ainda lembra o trabalho duro na erva-mate, uma das atividades que exerceu. Frederico conta que da área total de terras do seu pai, foi ele que adquiriu pelo menos 50% do total, com muito trabalho e esforço. Frederico tinha mais 12 irmãos. O ancião disse, que em toda a sua vida, somente uma vez apanhou na escola. O motivo foi uma brincadeira que fez na “lousa” de um colega de classe.
Auristela mostra com orgulho e aponta com o dedo cada planta de sua imensa horta. “Esses dias o Frederico foi capinar, mas só cortou algumas das minhas plantas”, confessou ela frente ao sorriso do velho Frederico, que se apoiava na bengala.

As pessoas que convivem por longos anos de vida conjugal tem o habito de consertar e não descartar.
Parabéns ao lindo casal!