Doação de seis lotes desagradou moradores que estão há dois anos no cadastro de moradias e acabaram sendo prejudicados. Prefeitura disse que construção de 16 casas deve ser feita pela COHAB, mas não tem previsão.

Terreno onde serão construÃdas as moradias
O que era motivo de reuniões e poderia ser inclusive um pivô para um discurso eleitoral acabou ficando apenas no papel. Em 2011, o assunto moradia popular ganhou a mÃdia e motivou dezenas de pessoas, que sonham em ter uma casa própria pagando preço popular.
A Prefeitura de Itaiópolis promoveu durante o ano pelo menos três reuniões em locais estratégicos e distintos da zona urbana. No entanto, o trabalho não avançou e o sonho das pessoas se tornou amarga decepção. O Conselho de Habitação do MunicÃpio não foi mais convocado para “pensar†possÃveis caminhos para angariar recursos para projetos de casas populares e a conta do Fundo de Habitação não tem força, sequer, para comprar um imóvel ou construir uma casa.
Mas, o que entristece as pessoas interessados nas moradias é a disparidade de direitos. A Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação de Itaiópolis abriu lista de interessados nos projetos de moradias, mas a iniciativa apenas se resumiu ao papel. Em 2011, o Conselho de Habitação manifestou interesse na aquisição de um imóvel, com capacidade para edificação de cerca de 40 casas populares. A área está localizada as margens do Conjunto Habitacional Lucena e já dispõe de rede de energia elétrica.
Esse imóvel deveria ser adquirido pela Prefeitura, através de captação de recursos junto a entidades financeiras como, por exemplo, a Caixa Econômica, para a construção de moradias, que beneficiariam inúmeras pessoas. O terreno permanece ocioso, e o matagal toma conta da área. Mas, segundo moradores, uma casa já foi construÃda no local. Para os moradores isso é ilegal, pois entendem que houve invasão de propriedade particular e alguns, sentem-se no direito de fazer o mesmo.
Segundo Tereza Martins, de 46 anos, deixou o nome na lista de espera há dois anos para um projeto de moradia popular no imóvel no bairro Lucena (próximo a COHAB), mas até hoje nada de efetivo aconteceu. Tereza foi nomeada para compor a comissão de moradores do bairro Lucena, interessados nas moradias. Pelo menos 14 pessoas têm interesse em adquirir a casa própria, no bairro, disse a mulher.

Tereza Martins mora de favor com uma filha nessa casa.
A última reunião no bairro Lucena com os moradores aconteceu meados de 2011. “Até na Prefeitura foi feito reunião para tratar das casas†disse Tereza. A moradora trabalha como diarista. Tereza reclama da casa que já está sendo construÃda no imóvel, considerando como invasão. “Uma mulher já comprou até madeira e ela vai invadir e construir a casa dela lá também. As pessoas falam que se a Prefeitura não tomar uma providencia nos próximos dias vão invadir todo o terrenoâ€, comentou.
Tereza mora atualmente de favor com uma filha no bairro Nova BrasÃlia. Ela tem quatro filhos e sete netos. A casa modesta com três peças e um banheiro abriga três famÃlias. “A Prefeitura já esteve aqui e sabe da nossa situação. Espero que as casas saiam, pois nós precisamosâ€, explicou Tereza.
Apesar da necessidade, dona Tereza disse que não vai invadir e vai esperar autorização da Prefeitura para construir, ou ser contemplada com um projeto de financiamento, para ter a sua própria casa. Quanto às demais pessoas, a moradora acredita que devem invadir o imóvel nos próximos dias.
Dona Tereza sobrevive com um salário mÃnimo por mês. “Não quero uma casa de graça. Dou meu jeito para pagar uma prestação da casa, mas preciso ser beneficiada por um projeto popularâ€, argumentou à moradora.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Social e Habitação, Julmar Zerger, o terreno da COHAB Lucena não foi invadido, assim como algumas pessoas estão dizendo. Conforme o secretário, a área comporta 40 lotes. Deste total, seis foram doados pela Prefeitura a famÃlias carentes, mediante estudo e acompanhamento socioeconômico ao longo de um ano. “Tudo o que foi feito foi deliberado pelo Conselho de Habitaçãoâ€, disse o secretário.
Três casas populares, de 42 metros, já estão sendo construÃdas. Para uma, os materiais foram comprados pela Prefeitura com dinheiro do Fundo de Habitação. As demais estão sendo custeadas pelos próprios beneficiados. Julmar Zerger disse que as famÃlias não podem invadir o imóvel. “Estamos trabalhando na captação de financiamento, junto a COHAB, para trazer um projeto coletivo de moradias, onde os beneficiários pagaram uma pequena mensalidade e terão casa própriaâ€, explicou o secretário.
De acordo com o secretário, 16 novas casas serão construÃdas pela COHAB no imóvel, mas as obras não têm previsão de inicio. Julmar disse ainda que de 25 pessoas que estavam no cadastro das moradias, apenas 16 tiveram ficha pré-aprovada, pois comprovaram a renda e estavam com a documentação em dia.
