Agricultora trabalha ao lado do marido nas lavouras de abóbora

Fazendo parte dos pratos mais sofisticados como, por exemplo, o “camarão na moranga” e também dos mais populares como o “quibebe”, a abóbora é um ingrediente especial, que congrega a culinária brasileira. Pouco valorizada, a cultura foi ficando de lado, pois o preço pago ao produtor mal e mal dá para pagar o custo de produção.

O velho ditado de que abóbora nasce em qualquer lugar e não precisa de muitos cuidados, não passa de um ditado, dizem alguns produtores.

A Gazeta de Itaiópolis, aproveitando o período de colheita das lavouras está trazendo, no final de semana, algumas reportagens que tratam do que é produzido no campo, no município. O objetivo é valorizar a diversidade e a riqueza gerada pela agricultura, e também ouvir o agricultor.

Na última semana, a Gazeta de Itaiópolis visitou a lavoura de abóbora “cabotiá”, de Silvio Drozdeck, na localidade de Contagem Worell. Segundo a agricultora Rosane Radeck Drozdeck, 37 anos, a safra de 2012 tem se revelado rentável, comparado aos últimos cinco anos, onde o preço do quilo da abóbora girava em torno de R$ 0,35.

A família plantou área de 70 hectares (70 campos de futebol) de abóbora, sendo 50 ha da variedade “cabotiá” e 20 ha da variedade abóbora de pescoço. As lavouras estão espalhadas nas comunidades de São João, São Pedro e Contagem Worell.

Silvio Drozdeck cultiva abóbora há 9 anos e disse que o custo de produção, em média, é de R$ 2 mil por hectare. “Para produzir abóbora tem de ser terra boa e a adubação precisa ser correta”, falou Rosane.

A agricultora comentou que para melhorar os resultados, para a safra 2012 foi feita a polinização artificial em pelo menos 15 hectares de lavoura. Naturalmente, que faz o trabalho de polinizar as plantas de abóboras são abelhas e mamangavas.

A expectativa de colheita da família Drozdeck é de 10 a 15 toneladas por hectare. O ciclo produtivo da abóbora, desde o plantio da semente até a colheita leva 90 dias. Toda a produção da família está sendo comercializada a R$ 0,65 por quilograma líquido. O principal mercado absorvedor é o estado de São Paulo. A produção é levada por um caminhão do próprio Silvio e depositada no CEAGESP (SP).

A produção está uniforme e cada abóbora atinge em média 2,5 quilos. Nas lavouras da família Drozdeck não houve disparidade nas abóboras. “Três abóboras que colhemos guardei lá em casa, para recordação. O peso e o formato são perfeitos”, disse a agricultora Rosane.

A família está otimista com a produção e espera que o mercado mantenha o preço. Na safra de 2011 a produção foi comercializada a R$ 0,45 bruto. Rosane falou que também plantaram um pouco de abóbora, a título de experiência, da variedade Paulistinha, que é uma abóbora menor e listada.

Todas as fases do cultivo demandam de trabalho braçal humano, o que encarece a produção. As lavouras são plantadas a mão, com máquinas de plantar milho e feijão modelo “pica-pau”. “Aprendemos as técnicas de plantio com o passar dos anos”, disse Rosane.

Vários agricultores de Itaiópolis já plantaram abóbora, mas por razões particulares abandonaram a cultura. Um dos fatores é a instabilidade nos preços praticados pelo mercado. Esse nicho agrícola de cultivar abóbora para comércio foi trazido por famílias gaúchas, que se enraizaram em Itaiópolis.

Pelo menos 95% da produção são transportadas com caminhão da família. Silvio Drozdeck, agricultor de 40 anos de idade, já fez 25 viagens para São Paulo.

“O preço do quilo da abóbora oscila muito no mercado, diferente do fumo que tem preço estabilizado”, acredita Rosane.

O maior perigo, segundo a família, é vender a produção para atravessadores – picaretas -, pois muitas vezes levam o produto e não pagam, ou, simplesmente, emitem cheques sem fundo.

“Já plantamos beterraba, cenoura e repolho, mas são culturas que não trouxeram retorno financeiro”, concluiu Rosane.