Professores da rede municipal de Itaiópolis aderem paralisação e reivindicam plano de carreira

Publicado por Gazeta de Itaiópolis - 01/05/2011 - 23h18

Professores do município de Itaiópolis recebem, em média, R$ 6,50 à hora-aula. Redução do tempo de aula de 45 para 30 minutos e encurtamento de cada turno em 1h 30, fazem parte das estratégias do Sinte e da CNTE para forçar o governo a implementar o piso nacional. Prefeitura alega falta de dinheiro nos cofres para atender as exigências da categoria. Os professores alegam que a Secretaria da Educação está beneficiando com gratificações apenas uma pequena parcela de profissionais, deixando de lado o restante da categoria. No município, pelo menos 90% dos professores estão aderindo a paralisação e seguindo o calendário do Sinte e da CNTE.

Professores de escolas da rede municipal e estadual de ensino de Itaiópolis aderiram ao calendário nacional e estadual de protestos para que o governo implemente o piso nacional salarial para a categoria. Os primeiros reflexos já foram sentidos. Redução do tempo de cada aula de 45 para 30 minutos e encurtamento de cada turno em 1h 30 minutos. As escolas Bom Jesus, da rede municipal e Virgilio Várzea, da estadual, comunicaram previamente pais sobre a paralisação da última quinta-feira, 28 de abril.

Com essas primeiras ações, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação e o Sindicato dos Trabalhadores na Educação pretendem forçar o governo a cumprir os dispositivos da Lei 11.738. Caso o ente federativo, estadual ou municipal não se manifestar para atender a reivindicação da categoria, haverá novas paralisações parciais nos próximos dias 9 e 10 de maio, com aulas de apenas 30 minutos. Nesses dois dias a categoria estará discutindo o Plano Nacional da Educação e a implementação do piso nacional.

Já no dia 11 de maio, será o ultimato para que o governo apresente proposta a contento da classe. Se a proposta não for apresentada ou mesmo não agradar os professores, existe possibilidade de greve geral. No dia 28, no período da manhã, pelo menos 23 professores das escolas municipais Bom Jesus e Renascer já enxugaram o tempo em sala de aula em pelo menos 15 minutos, para somar força com a classe estadual e nacional. Uma das principais reclamações dos professores são os valores salariais recebidos, que ficam muito abaixo das demais profissões. Essa discrepância de salário está fazendo com que a classe se una e brigue por melhores vencimentos.

Conforme a vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Itaiópolis Márcia Virmonde, que também é professora, as negociações em nível de município estão sendo intentadas desde 2010, mas a Prefeitura alega falta de dinheiro nos cofres para atender as exigências da categoria. Ainda, de acordo com a sindicalista, há descumprimento no plano de carreira municipal da educação. Os professores alegam que a Secretaria da Educação está beneficiando com gratificações apenas uma pequena parcela de profissionais, deixando de lado o restante da categoria. No município, pelo menos 90% dos professores estão aderindo a paralisação e seguindo o calendário do Sinte e da CNTE.

Conforme Márcia Virmonde, a Secretaria de Educação do Município apresentou o premio de assiduidade, assim como aplicado no estado, para ser estendido ao município. Abonos salariais também estão sendo discutidos pela Secretaria da Educação, mas os professores reivindicam salários e acreditam que essas benesses são transitórias. Em nota, a scretária de Educação reconhece que é preciso valorizar os professores e que está trabalhando na reelaboração do plano de carreira da Educação. A CNTE luta para que o MEC pague o valor real do piso salarial para a categoria que é de R$ 1.570,00. Em Itaiópolis, o professor com faculdade – habilitado – recebe R$ 1.340,00.

Paralisação em Itaiópolis já tem data marcada

No município, a parada do dia 11 de maio será em frente ao prédio da Prefeitura. Os professores pretendem produzir faixas e a eleição de uma comissão de professores para representar toda a categoria nas negociações. Outra questão que intriga os professores é os valores percebidos pelo magistério (professores com o ensino médio). Hoje o magistério recebe no município R$ 1.170,00. Já um professor habilitado, com licenciatura plena e com pós-graduação recebe R$ 1.340,00. A diferença salarial do magistério para os profissionais habilitados é de 88%. Os professores esperam que o governo reveja esse déficit salarial e ao menos parcele a defasagem. A Escola Estadual Virgílio Várzea e a São João Batista, do Paraguaçu, também aderiram à paralisação.

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a constitucionalidade da Lei do piso nacional para professores da rede pública, no dia 06 de abril e determinou que ele devesse ser considerado como vencimento inicial. A legislação sancionada em 2008, foi ainda naquele ano contestada pelos governadores de Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e do Ceará. O valor atualizado que deve ser pago pelos estados e municípios aos docentes em 2011 é de R$ 1.187,14. Em Santa Catarina, o salário base da classe estadual é de R$ 609,00. Os professores exigem que o valor para carga horária de 40 horas seja de R$ 1.587,87, de acordo com a CNTE.

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6 comentários publicados
  1. lu

    Ser professor e ensinar é o que mais amo, é gratificante; ainda mais quando os nossos alunos têm um bom aproveitamento. Ser professor é contribuir para o futuro de muitos. O professor consciente da sua importância para o mundo trabalha feliz, e procura dar tudo de si em prol do futuro dos seus alunos. O professor deve ser bem remunerado, para ter mais tempo de planejar suas aulas, e encontrar soluções para diminuir às dificuldades de aprendizado dos seus alunos. Professor valorizado é professor feliz e estando feliz ganha ânimo para estudar e crescer intelectualmente e como profissional.
    O professor ama o trabalho pelo qual fez opção e quer ser respeitado pelos órgãos institucionais como profissionais. Pois, como diria Orígenes Lessa, todos nós precisamos ter “O Feijão e o Sonho” em nossas vidas!
    Vamos lá professores !!! A união é que faz a força!!!

  2. Rita

    O mais lamentável nisso tudo, são professores que tem medo de dar a cara e aderir ao movimento.Medo de que? Se quisermos salários dignos de nossa profissão, então a hora é agora. Temos que ir a luta .Afinal..médico, engenheiro, prefeitos, governadores, todos para chegar onde estão, necessariamente passaram pela mão do professor.
    Então professores!!!! quanto mais pessoas no movimento, maiores as chances de fecharem acordo a nosso favor.
    A nossa reinvidicação é justa e necessária.

  3. kamilla Seidel

    Ser professor no Brasil é quase passar fome e morrer sem ter seu valor reconhecido! Sou a fovar da reinvidicação! Greve também!

  4. LUIZ

    Também sou a favor desta paralização, temos que unir, assim teremos força!

  5. Ricardo

    “A diferença salarial do magistério para os profissionais habilitados é de 88%”. Este valor está correto? A diferença não seria de 14,5% entre o magistério e os profissionais habilitados?

  6. Bruno dos Santos Silva

    A reinvidicação é valida! Os professores são mal remunerados e o governo não ta tomando atitudes dignas para sanar a questão salarial. Sou a favor de greve, manifestações de rua e afins…

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