Por Cesar Moreira Paes
Professor E Biólogo – Universidade do Contestado – UnC
A rodovia Régis Bittencourt (BR-116), é a principal rodovia brasileira, sendo também a maior rodovia totalmente pavimentada do paÃs. Foi construÃda entre as décadas de 1940 e 1950. É uma rodovia longitudinal que tem inÃcio na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará e término na cidade de Jaguarão, no estado do Rio Grande do Sul. Apesar de ser uma rodovia antiga, quase toda ela ainda é de pista simples.
Desde 2008, a Autopista Planalto Sul é a responsável pelos 412 quilômetros da rodovia federal BR-116, que liga os municÃpios de Curitiba (PR) à Capão Alto (SC). Todo esse trajeto corta os municÃpios de Fazenda Rio Grande, Mandirituba, Quitandinha, Campo do Tenente e Rio Negro, no estado do Paraná, Mafra, Itaiópolis, Papanduva, Monte Castelo, Santa CecÃlia, Ponte Alta do Norte, São Cristóvão do Sul, Ponte Alta, Correia Pinto, Lages e Capão Alto, no estado de Santa Catarina.
Essa rodovia está inserida no bioma da Mata Atlântica que ocorre nos planaltos da região sul do Brasil, principalmente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A vegetação do entono é formado por floresta Ombrófila Mista, também conhecida como Floresta das Araucárias, é um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com indivÃduos endêmicos e ameaçados de extinção como a Suçuarana (Puma concolor), Jaguatirica (Leopardus pardalis), Bugio (Alouatta guariba), Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) e o Papagaio-do-peito-roxo (Amazona vinacea).
Os atropelamentos de animais silvestres nas rodovias federais tem causado vários prejuizos para a fauna brasileira, tais como: óbitos, mutilações e a diminuição nos seus estoques reprodutivos. Estes fatores podem alterar a dinâmica das populações, promover a extinção de algumas espécies e proporcionar o desequilibro nos ecossistemas regionais.
Preocupados em preservar os animais silvestres na rodovia BR-116, a concessionária Autopista Planalto Sul firmou convêncio com a Universidade do Contestado (UnC), sediada no municÃpio de Mafra/SC, para elaboração e execução do Programa de Ecologia de Estradas, que tem como objetivo realizar o Monitoramento dos Atropelamentos de Fauna Silvestre em todo o trecho administrado pela concessionária.
Nesse programa são desenvolvidas ações para identificar os quilômetros com maior frequência dos atropelamentos. Para o registro do atropelamento de fauna silvestre a Autopista e a UnC disponibilizam viaturas e equipes compostas por inspetores de tráfego, biólogos e acadêmicos do curso de Ciências Biológicas que circularam diariamente pela rodovia. As equipes são orientadas a observar animais atropelados e quando avistados, realizar o registro dos dados do evento: nome popular do animal, Km da ocorrência, data, horário, coordenadas geográficas, condições climáticas e registro fotográfico. Com estes dados é possivel propor a implantação de placas educativas, redutores de velocidade, cercas campestres, passagens de fauna aérea ou subterrânea nos quilômetros onde estiverem ocorrendo aumento dos atropelamentos.
Uma das ações mais importantes desenvolvidas na rodovia é o resgate de animais silvestres atropelados, que ficaram vivos e machucados. Nesta situação são desencadeados alguns procedimentos emergenciais que buscam atender os animais acidentados no menor tempo possÃvel. Desta forma estão envolvidos no resgate funcionários da Autopista e de órgãos ambientais do Estado do Paraná ou Santa Catarina que providenciam o registro das ocorrências e o encaminhamento dos animais até o Hospital Veterinário da UnC, que possui um estrutura avançada para realização de cirurgias, raio-X, tratamento e recuperação dos animais acidentados. Uma equipe formada por médicos veterinários qualificados recebe as vÃtimas e realiza os procedimentos necessários para o pronto atendimento dos pacientes recebidos. Desde o inÃcio dos resgates já foram atendidos 18 indivÃduos, sendo recuperados 8 animais, destacando o sucesso na recuperação de uma Jaguatirica e de um Bugio, animais considerados ameaçados de extinção.
Outra atividade desenvolvida no programa é a correta destinação das carcaças dos espécimes atropelados encontrados na rodovia BR-116, para estudos cientÃficos e recursos didático-pedagógicos. Neste trabalho os inspetores de tráfego da concessionária realizam a coleta das carcaças dos animais silvestres que estiverem em boas condições e guardam em freezes instalados em pontos estratégicos da rodovia. O material fica preservado por congelamento e são removidos uma vez por semana para a UnC, onde as carcaças passam por uma triagem e são taxidermizadas (ou seja empalhadas) para construção de uma coleção cientÃfica. A coleção cientÃfica de animais taxidermizados é uma fonte riquÃssima a ser utilizada para pesquisa e no ensino das disciplinas de Zoologia, Ecologia, Anatomia Comparada dos Vertebrados e Educação Ambiental do Curso de graduação de Ciências Biológicas da UnC.
Com a intenção de buscar ajuda para o monitoramento de fauna na comunidade local, foi criado um projeto que teve como objetivo realizar mostras cientÃficas itinerantes com animais silvestres taxidermizados para trabalhar de forma prática e interdisciplinar a educação ambiental nas Escolas dos estados do Paraná e Santa Catarina. As atividades do projeto foram iniciaram-se em julho de 2011 e terminaram em julho de 2012, percorrendo 16 municÃpios que margeiam a rodovia BR-116 e contemplando 10.596 alunos. As atividades de educação ambiental realizadas nessas escolas criaram uma oportunidade para se mostrar a riqueza da fauna regional onde foi possÃvel ver 22 animais silvestres, incluindo alguns ameaçados de extinção como a Jaguatirica. Também foram distribuÃdos folders à s comunidades escolares com informações sobre como ajudar no monitoramento de fauna para se tentar evitar o atropelamento de animais na rodovia.

Fotos: UnC/Divulgação
