Cerca de 20 educadores, entre diretores, pedagogos e professores de Quitandinha, estavam em Curitiba durante o confronto com a Polícia Militar na quarta-feira, dia 29 de abril. Nesta ocasião, milhares de educadores de todo o Estado também estavam no local, onde manifestavam contra a aprovação do Paraná Previdência. No confronto, 213 pessoas ficaram feridas em mais de duas horas de conflito, com uso de bombas e tiros de balas de borracha por parte da Tropa de Choque da Polícia Militar.
Entre os manifestantes de Quitandinha estava o diretor do Colégio Estadual Eleutério Fernandes de Andrade, Edinei Mlenek. Apesar de não ter marcas de agressões físicas, segundo ele, o que fica é a indignação, a dor e a desmoralização dos educadores no Estado do Paraná.
“Nos sentimos humilhados. O mundo inteiro viu as agressões. Não tínhamos reação. Estávamos de mãos limpas, dando a cara para bater em prol de nossas conquistas históricas”, disse o diretor, afirmando ainda que o cenário era de guerra. “Parecia cena de guerra. Achava que isso acontecia só em filme. Você ver um amigo profissional seu de mãos limpas sendo agredido e muito triste. É aterrorizante”, completou.
De acordo com Mlenek, muitas conquistas foram obtidas desde a paralisação da primeira greve. Porém, a votação da previdência fez com que a classe retomasse a paralisação. “Tínhamos um acordo com o governador de que ele não iria mexer na ParanaPrevidência. Ele nos garantiu o compromisso de que iria buscar os recursos de outras formas, mas isso não aconteceu”, explicou.
A aprovação do projeto pelos deputados também foi questionada pelo diretor. “Os deputados que foram a favor do projeto são contra nós, os alunos, os pais e a educação. Eles estão enganando o povo e estamos muito tristes com isso”, revelou Mlenek.
Segundo ele, a greve continua até, pelo menos, terça-feira (12). “Estamos sendo solidários. Caminhamos junto com a APP. Só vamos encerrar a greve junto com a direção estadual. Até a realização da próxima assembleia permanecemos em greve”, afirmou o diretor da instituição de ensino que conta com aproximadamente 900 estudantes.
Aproximadamente um milhão de alunos do Paraná ficarão sem aulas até a próxima terça (12), quando a greve entrará no seu 18º dia.
ENTENDA O CASO
Entre as propostas do governo do estado que são contrárias dos educadores estava a aprovação do Paraná Previdência, que agora aprovado permitirá ao governador Beto Richa utilizar a “poupança” previdenciária de R$ 8 bilhões para pagar aposentadorias sem precisar usar recursos do tesouro. Com isso, o governo deixa de pagar sozinho essas aposentadorias e divide a conta com os próprios servidores.
Entre outras medidas impopulares do governador Beto Richa estão a aprovação da taxação de 11% para os aposentados e pensionistas do estado que recebem acima do teto do INSS, hoje fixado em R$ 4.390,24, como também o aumento de 12% para 18% ou 25% a alíquota do ICMS sobre até 95 mil itens de consumo popular; em 40% a alíquota do IPVA e o parcelamento em apenas três vezes; e em um ponto porcentual a do ICMS do álcool e da gasolina, como também o empréstimo de US$ 300 milhões (R$ 770 milhões) com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre outras.



Fotos: Divulgação
