O fatídico dia 29 de abril, última quarta-feira, quando servidores públicos do estado do Paraná, na sua maioria professores, foram massacrados pela Polícia Militar em Curitiba, não sairá da memória dos professores a da população em geral tão cedo.

Na manhã de ontem professores mafrenses que lecionam da rede pública estadual e que estão em greve há 42 dias, realizaram um ato pela manutenção de seus direitos, contra a descompactação da tabela salarial que aumenta as letras – tempo para promoção – fazendo com que as professoras tenham que trabalhar 30 anos em vez de 25 como é hoje para chegar ao nível máximo da categoria, pelo reajuste de 13,1% do salário, mesmo reajuste aplicado no piso nacional da categoria e em apoio a classe do magistério paranaense que sofreu com a violência quando lutavam também pela manutenção de direitos adquiridos.

Os professores se concentraram na praça Tancredo Neves – Praça do Correio – em Mafra da onde saíram em passeata em direção a ponte Dr. Dinis Assis Henning – ponte metálica – com faixas, cartazes, carregando um caixão, vestidos de preto em luto pela educação. Ao atravessarem para o outro lado da ponte se encontraram com os colegas paranaenses para seguirem a caminhada em conjunto pelas ruas centrais de Rio Negro.  Durante a caminhada foram aplaudidos pela população quando gritavam Fora Beto Richa!

As duas classes do magistério juntas voltaram para Mafra pela Ponte Rodrigo Ajace, passaram pela rua Felipe Schmidt onde retornaram para praça do Correios onde terminaram o ato com palavras de repúdio ao que aconteceu no dia 29. “Infelizmente o dia 29 de abril ficará marcado, será mais um dia para nós [professores] protestarmos em frente ao Palácio do Governo do Paraná, assim como do dia 30 de abril”, falou o professor Marcos Reway comparando o dia 29 de abril com o dia 30 de agosto de 1988 quando a cavalaria da PM do Paraná entrou em confronto com os professores da rede estadual de ensino durante o governo Álvaro Dias.

GREVE NO PR

Milhares de professores de rede pública estadual reunidos em assembleia na tarde de ontem, no Estádio da Vila Capanema, em Curitiba, decidiram pela continuidade da greve.

A decisão foi após o protesto da categoria contra o confronto entre os trabalhadores e a Polícia Militar (PM) que terminou com mais de 200 feridos na quarta-feira (29). Os professores saíram da Praça 19 de Dezembro – Praça do Casal Nú – e seguiram até o Centro Cívico, onde deixaram flores em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), segundo a Guarda Municipal 25 mil pessoas participaram da ato a PM estimou 10 mil manifestantes. Os professores de Rio Negro participaram da manifestação e da assembleia, um ônibus saiu na manhã de ontem retornando a noite.

Esta é a segunda greve da classe do magistério paranaense, a primeira paralisação da classe foi em fevereiro, quando o ano letivo começou com um mês de atraso. Nesta segunda paralisação que entra hoje no seu décimo segundo dia, foi motivada pelo projeto do governo estadual que muda a forma de custear a ParanaPrevidência, o regime da Previdência Social dos servidores do estado. Projeto este que teve sua redação final aprovada pelos deputados estaduais no dia 29 de abril, data do confronto entre a PM e os professores, e sancionado no dia seguinte pelo governador Beto Richa (PSDB).

GREVE EM SC

A greve em Santa Catarina continua, a assembleia que estava marcada para hoje, foi transformada em manifestação pelo Sinte. A decisão aconteceu após o comando de greve avaliar o documento encaminhado pelo governo. A deliberação pela manifestação foi decidida quando foi conhecido o teor do oficio do Governo, que mantém a posição de exigir o fim da greve para a abertura de negociação, posição que os professores não aceitam.

No lugar da assembleia, os professores realizarão um ato na praça Tancredo Neves em frente a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) com a presença dos profissionais da educação de todas as regiões do estado com o objetivo de buscar a negociação. Segundo o coordenador regional do Sinte em Mafra, Sidney Miranda, cerca de 50 professores da região estarão presentes na manifestação em Florianópolis.

O Sinte afirma que enquanto a categoria não tiver alguma garantia de atendimento mínimo das reivindicações dos trabalhadores a greve se mantém firme. Na avaliação do sindicato o índice se mantém de 25 a 30%, um movimento que não voltará para sala de aula sem alguma garantia, pelo menos dos itens 2, 3 e 4 do ofício enviado pelo SINTE que é: Anistia das faltas de 2012 a 2015, revogação do decreto das progressões, que seja efeituado o reajuste de 13,01% na carreira retroativo a janeiro, deixando claro que não aceitarão a retirada de direitos já adquiridos. A ocupação da Alesc também está mantida por tempo indeterminado, e outras ações e manifestações serão organizadas pela categoria.

Fotos: Jeana Andréa Coutinho/Gazeta de Riomafra/Divulgação