O presente estudo reforça a importância de preservar a área e conservar as espécies que estão relacionadas e interligadas a este ecossistema.

O trabalho desenvolvido pela aluna Andressa Minikovski, do curso de Ciências Biológicas da UnC/Mafra, teve por objetivo identificar espécies de aves que utilizam a área denominada Zona de Preservação Ambiental e Lazer 1, situada no perímetro urbano da cidade de Mafra- SC. Entitulado: Levantamento das espécies de aves da área denominada zona de preservação ambiental e lazer 1(zpal1), situada no perímetro urbano de Mafra – SC, contou com a orientação do professor Luiz Carlos Weinschütz e co-orientação das biólogas Eliane Villa Lobos Strapasson e Josiane Sabóia Gruber.

Pesquisadora Andressa Minikovski

A pesquisadora se sentiu motivada em realizar este projeto, após assistir palestra com a bióloga Eliane Villa Lobos Strapasson, sobre a Importância da Preservação da Área, durante a semana do Biólogo, em setembro de 2009, na UnC/Mafra.

Foi realizado um trabalho de campo com observações no período de novembro de 2010 a novembro 2011, em que foram identificadas 109 espécies de aves distribuídas em 40 famílias, obtendo espécies migratórias, endêmicas, com registros raros para o estado de Santa Catarina e espécies exigentes para a qualidade ambiental como pica-paus, arapaçus e a tovaca-campainha. Também através do hábito alimentar das espécies foi possível analisar a biodiversidade que a área possui, pois foram encontradas aves onívoras, nectarívoras, frugívoras, piscívoras, insetívoras e carnívoras.

Metodologia utilizada

- Pesquisa Documental: A pesquisa documental foi realizada através da busca de documentos oficiais (Lei Orgânica Municipal), que regularizam a Zona de Preservação Ambiental e Lazer 1.

- Pesquisa de Campo: Para inventariar a composição da avifauna na Área de Preservação Ambiental, situada no perímetro urbano da cidade de Mafra, foi efetuada a pesquisa com verificação in loco, através de atividades de observação que foram realizadas no período de novembro de 2010 a novembro de 2011, na área de estudo, com observações no período da manhã, à tarde e algumas observações noturnas, para identificação de espécies de aves cujo possuem hábitos noturnos. Estas observações foram realizadas por caminhadas e para identificação e nomenclatura das espécies das aves foi utilizado Guia de Campo Avifauna Brasileira de Tomas Sgrist.

Foram utilizadas fichas de observação, binóculo (8×42), maquina fotográfica para registro de fotos e para a gravação da vocalização das aves para reconhecimento auditivo. Depois de gravadas foi feito o reconhecimento através do site www.wikiaves.com.br, notebook e caixinhas de som para realização de playblacks.

Resultados

Através deste levantamento de espécies de aves, e dos dados que foram obtidos é possível analisar que a maioria das espécies foram encontradas e observadas na estação da primavera num total de 66,9%, fato que provavelmente se deve por ser a época reprodutiva das aves e por estarem mais ativas neste período. Também outro fator importante se deve a presença de espécies migratórias como Myiodynastes maculates (bem-te-vi-rajado), Tyrannus melancholicus (suiriri), Tyrannus savanna (tesourinha), Pygochelidon cyanoleuca (andorinha-pequena-de-casa), Stelgidopteryx ruficollis (andorinha-serradora), Progne chalybea (andorinha-doméstica-grande), Chaetura meridionalis (andorinhão-do-temporal), Turdus amaurochalinus (sabiá-poca), Turdus subalaris (sabiá-ferreiro) e Elanoides forficatus (gavião-tesoura), (SIGRIST,2009). 31,1% das espécies foram observadas no verão, em relação ao inverno onde foram observadas 27,5%, é interessante que as aves observadas neste estação tem hábitos tipicos, tal como Pionus maximiliani (maitaca-verde), Ramphastos dicolorus (tucano-de-bico-verde). No outono 20,1% das espécies de espécies foram observadas.

Três espécies foram observadas durante as quatro estações, Dendrocolaptes platyrostris (arapaçu-grande), Basileuterus leucoblepharus (pula-pula-assobiador) e Aramides saracura (saracura-do-mato) significando que possuem o seu hábitat na área. Porém é importante relatar que as espécies que não foram observadas durante as quatro estações, exceto as migratórias, não significa que ocorrem somente em determinada estação, porque é difícil durante uma saída de campo conseguir observar todas as espécies.

Em relação a espécies endêmicas podemos relatar Leptasthenura striolata (grimpeirinho), ave fortemente associada ao pinheiro do paraná (ROSÁRIO,1996).

Quanto a espécies exóticas foi encontrado Estrilda astrild (bico-de-lacre), ave de bico avermelhado e parecendo ter o bico lacreado, que gosta de capins altos e alimenta-se de sementes, que possui distribuição pelos municípios porém é menos espontânea que o pardal devido possuir uma capacidade de vôo reduzida (SICK, 2001). Esta espécie é proveniente da África que foi introduzido no Brasil no século XX (SIGRIST,2009). Outra espécie é Passer domesticus (pardal), ave extremamente adaptada a qualquer ambiente e ao homem. Esta espécie pode afugentar pássaros nativos, como corruíra-de-casa e o canário-da-terra-verdadeiro, já que possuem comportamentos semelhantes (SICK,2001). Foi introduzido no Brasil no século XIX, proveniente da Europa (SIGRIST,2009).

O hábito alimentar das espécies indicou que a maioria corresponde a alimentação insetívora em que se alimentam de insetos, num total de 35,7% das espécies, em seguida obteve-se 23,8% das espécies sendo onívoros, alimentam-se de frutos, insetos, larvas, etc. Quanto aos frugívoros obteve-se 11% das espécies em que alimentam-se basicamente de frutos, em relação ao hábito alimentar granívoro, no qual se alimentam de grãos obteve-se 9,1% das espécies, quanto aos carnívoros que são as aves de rapinas, como também os necrófagos que se alimentam de carcaças como os urubus, obteve-se 8,2% das espécies. Os nectarívoros que se alimentam de néctar obteve-se 4,5% das espécies e os piscívoros 1,8% das espécies com este hábito alimentar. É importante relatar que a presença destes variados hábitos alimentares caracterizam a área de estudo, mostrando a sua biodiversidade, e demonstra que a área apresenta esse tipo de alimentação para as espécies. É importante para área que se tenha aves frugívoras, pois são importantes para a dispersão de sementes.

Apesar de existir depredação na área, se torna importante comentar a existência de aves exigentes, tais como os pica-paus em que foram encontradas sete espécies, os arapaçus que se obteve 4 espécies e a tovaca-campainha. Também a presença de aves de rapina que são excelentes indicadoras ambientais, pois possuem alimentação especializada e baixa taxa de sobreviência. Outra espécie importante a ser comentada é Mesembrinibis cayennensis (coró-coró) que foi recentemente incluída para o estado de Santa Catarina por Amorim e Piacentini no ano de 2006, e foi encontrada três vezes durante as saídas de campo, e que nos estados vizinhos do Paraná e Rio Grande do Sul esta ameaçada de extinção.

Foram realizadas 24 saídas a campo entre novembro de 2010 e novembro de 2011, num esforço amostral de 73 horas de observação, no qual foram registradas 109 espécies de aves, distribuídas em 40 famílias.

Conclusões

Com a pesquisa realizada foi possível identificar 109 espécies de aves, na Zona de Preservação Ambiental e Lazer 1. Número significativo se observado a quantidade de problemas que a área apresenta, devido estar dentro do perímetro urbano da cidade sofrendo com a poluição urbana, lixo, a caça, a derrubada de árvores e antropozição. O levantamento das espécies de aves encontradas serve de base para futuras ações de manejo, conhecimento da avifauna da região. Se tratando de um levantamento não acabado, pois durante ainda os últimos meses de pesquisa teve obtenção de um número de espécies novas, o que indica que a área pode apresentar ainda uma diversidade maior de avifauna.

Com o presente número de espécies encontradas, contando inclusive com espécies com poucos registros em Santa Catarina, fica evidenciada a importância da preservação da área, assim como a realização da implementação da proposta de um parque, fato que ajudaria na preservação, futuras pesquisas e desenvolvimento da educação ambiental.

As espécies de aves da Zona de Preservação Ambiental e Lazer 1 correspondem a 18,2% das espécies de Santa Catarina e 6,49% das espécies que ocorrem no território brasileiro.

Gráfico

Comparação do número de espécies de aves encontradas na Zona de Preservação Ambiental e Lazer 1, com outros levantamentos realizados na região.

Comparação do número de espécies de aves encontradas na Zona de Preservação Ambiental e Lazer 1, com outros levantamentos realizados na região

Fonte: Da pesquisadora, 2011.

Vale a pena ressaltar que as demais áreas apresentadas no gráfico são unidades preservação já implantadas e que contam com programas de preservação.