“A grande problemática é a falta de profissional médico”. Essa é a afirmativa do secretário Municipal de Saúde de Mafra, Cidemar Ratochinski, com relação a mais uma demonstração de indignação de pacientes que procuraram pelo Pronto Atendimento “Edmond Jorge José Saliba”, na última quinta-feira.

Conforme nossa reportagem apurou, na data citada o vereador Clecio Witt recebeu uma série de ligações reclamando da demora para o atendimento médico, inclusive com pessoas ficando à espera por até quatro horas.

Procuramos nos inteirar do assunto, e verificamos que o vereador telefonou para o secretário Municipal de Saúde, Cidemar Ratochinski, e ambos foram verificar “in loco” a situação do atendimento, quando se depararam com uma série de ocorrências emergenciais, com ambulâncias do Corpo de Bombeiros e do Samu – com inclusive duas pessoas sendo encaminhadas para a Unidade de Tratamento Intensivo – UTI, do Hospital São Vicente de Paulo.

Na oportunidade, o secretário de Saúde chegou a prestar esclarecimentos aos pacientes que aguardavam atendimento, e em suas explicações, chegou a afirmar que há falta de médicos no Município, até porque os profissionais são melhor remunerados em vizinhos Municípios, como Itaiópolis, por exemplo.

Para nossa reportagem, Ratochinski disse que a falta de médico pediatra no plantão emergencial, não é um caso isolado de Mafra, mas sim do país inteiro. “A especialidade em pediatria está se tornando extinção em todo o país”, diz o entrevistado.

Ainda segundo o secretário, no dia citado, houve uma série de emergências que foram atendidas no Pronto Atendimento, inclusive com duas pessoas sendo encaminhadas para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Vicente de Paulo, além da falta de um dos três médicos contratados para atendimento durante o dia (outros dois são contratados para atuar no período noturno). “A demanda foi muito grande e temos problemas com a falta de profissionais médicos. Mafra está trabalhando no sistema curativo, e não na prevenção/promoção de Saúde, e é isso que vamos tentar mudar”, garantiu Cidemar.

O próprio secretário admite que a falta de médicos, inclusive nos Postos de Saúde (ESF), vem acarretando maior procura pelo Pronto Atendimento e pelo SUS no centro da cidade, o que acarreta esses acúmulos de pacientes em busca de atendimento.

Ratochinski diz que a Secretaria de Saúde de Mafra está dobrando a carga horária dos médicos efetivos, para que estes possam atender também junto aos Postos de Saúde. “Estamos descentralizando, ainda nesse mês, o serviço de médicos efetivos que atuam junto ao SUS, de forma que os mesmos possam atuar também nos ESF’s, de forma que a população possa ser atendida em seu próprio bairro”.

Lembra ainda o secretário, que o Pronto Atendimento é o acesso para todos os atendimentos emergenciais, e a “porta de entrada” para os internamentos junto ao Hospital São Vicente de Paulo. “Precisamos de mais profissionais, e da compreensão da população, porque todos os esforços para um bom atendimento estão sendo envidados”, finalizou o secretário de Saúde.

Embora tenha autorizado o aumento no salário dos médicos que atuam junto à Municipalidade, o prefeito Municipal disse à nossa reportagem que nada mais pode fazer. “Estamos procurando novos profissionais para atuarem em Mafra e pelo menos dois já demonstraram interesse”, destacou, afirmando que não possui condições financeiras de aumentar ainda mais o subsídio dos médicos. Cita, igualmente, que o Pronto Atendimento em Mafra atende pacientes de todo o Planalto Norte e inclusive do Paraná, não obtendo auxílio de nenhum Município e nem mesmo da Auto Pista Planalto Sul, concessionária da BR que corta a cidade.

O vereador Clecio Witt igualmente foi procurado pela Gazeta, e salientou que se não houver melhora no atendimento na Saúde em Mafra, irá procurar o Ministério Público para que este tome as medidas cabíveis. Destacou a atenção do secretário Municipal de Saúde, que com ele se dirigiu até o Pronto Atendimento e, inclusive, prestou esclarecimentos aos pacientes que aguardavam por uma consulta emergencial. No entanto, discorda do prefeito quando este diz que não pode aumentar o salário dos médicos. Para Clecio, “basta cortar a gratificação dos funcionários comissionados e enxugar a Máquina, para que o Executivo possa ter condições de aplicar mais na área da Saúde”.

“Há falta de médicos disponíveis para atuar, mas estamos envidando esforços para a contratação de novos profissionais”.
Cidemar Ratochinski – secretário Municipal de Saúde em Mafra