Novo atraso nos benefícios pode levar servidores do Hospital BJ a entrarem novamente em greve

Publicado por Gazeta de Riomafra - 21/10/2013 - 22h45

Nessa ultima quarta-feira, dia 16 de outubro, cerca de 30 funcionários do Hospital Bom Jesus, em Rio Negro, realizaram uma assembleia juntos com dois membros do Sindicato dos Empregadores em Estabelecimento de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (SINDESC), para debater o atraso de três meses no repasse do Pati, benéfico de alimentação concedido no valor de R$ 240,00.

Ficou decidido na assembleia que um ofício será enviado ao Ministério Público, pedindo uma audiência com o prefeito, para que este tomasse conhecimento do caso e intervenha na questão, cobrando da direção do hospital a resolução do problema. Os funcionários estabeleceram um prazo de dez dias para que a direção do hospital resolva o impasse, caso nada seja feito, os funcionários ameaçam cruzar os braços.

Esta seria a segunda paralisação neste ano, em abril foram seis dias de greve, realizada pelo fato de que os funcionários não vinham recebendo seus salários corretamente. A paralisação só teve fim após ser assinado Um (TAE) Termo Aditivo Emergencial, que garantiu o repasse de pouco mais de R$ 200 mil, em um acordo selado entre a Prefeitura e o Ministério Público.

Agora a direção do hospital busca um empréstimo para sanar as dividas “Nos estamos negociando um empréstimo para liquidar as nossas dividas. O pagamento dos Pati’s atrasados seria feito em três parcelas. A primeira a ser paga ainda no mês de outubro. As outras duas seriam pagas junto com o décimo terceiro salário†– disse o administrador do hospital Marlon Witt.

Segundo Witt o empréstimo seria consignado, onde o valor da parcela seria deduzido direto do repasse feito pelo SUS “A administração anterior já fez algo parecido, a parcela final do empréstimo vence em maio do ano que vem, nós queremos pedir para o banco o saldo remanescente desse empréstimo mais o valor que pudesse cobrir o décimo terceiro e os dois Patis. Nossa intenção é reparcelar esse novo empréstimo, que seria pago em um ano, assim não estaremos atrapalhando as contas do hospital, e em dezembro resolveríamos esses atrasos de salário†– disse Marlon Witt.

A proposta mesmo sendo boa, não está sendo comprida. Os funcionários do hospital alegam que até agora que não receberam a parcela do Pati atrasada, e nem o vale transporte referente a esse mês. “Já foi descontado da gente, mas até agora eu não recebi o meu vale transporteâ€. – disse uma funcionária durante a assembleia.

O administrador do hospital rebate as criticas explicando a crise financeira que assombra a casa de saúde, “os repasses do SUS que nós recebemos estão defasados, a tabela SUS não tem reajuste desde 2005, ou seja são 8 anos sem revisão, quem paga essa diferença no preço dos serviços somos nós†– disse Marlon Witt

Outro fator que está contribuindo com o atraso no pagamento do PATIS, é o fato de que recentemente foi assinado um contrato para o PA (Pronto Atendimento), e segundo Marlon esse novo contrato só leva em conta os custos de operação do Pronto Atendimento, gastos extras como, por exemplo, cozinha não estão sendo contabilizado, o que tem gerado um déficit e um aumento na conta do hospital.

Para o dirigente do hospital, é preciso buscar novos pontos de receitas, não ficar dependente apenas dos repasses do SUS, ou dos serviços prestados pelo PA. O diretor acredita que com uma reforma no prédio do hospital, poderia oferecer novos serviços, o que traria novos clientes, e geraria mais captação de recursos. “Hoje o paciente particular tem a opção de escolher entre dois hospitais, o de Rio Negro, e o de Mafra, muitas pessoas tem escolhido o de Mafra pela estrutura que física que eles oferecem“- disse.

Outra solução segundo o diretor do hospital seria a inclusão da casa de saúde no programa Incentivo de Adesão Contra a Atualização (IAC), recém-criado pelo SUS. “o SUS não vai fazer reajuste na tabela, só que ele vai fazer um repasse para alguns procedimentos de alta e média complexidade, alta complexidade não abrange a gente, mas média complexidade abrange, poderíamos receber até 50% a mais do valor que é repassado pelo SUS hoje†– disse.

Marlon ainda fala de um acordo firmado com a Associação Comercial que talvez tire o hospital do Serasa, que desde 2005 não vem pagando suas contas com a Celesc e Sanepar, por isso teve o nome incluído a lista de devedores. “Com o nome retido o hospital não consegue receber verbas parlamentares. Nós estamos negociando com a associação comercial para que ela pague e regularize a situação, só assim poderíamos ter acesso a recursos para compra de equipamento e custeio.â€

A dívida do hospital, com o seus servidores é de R$ 17 mil reais por mês, como são três meses de atraso, o valor equivale a R$ 51 mil. “O que se tem de concreto até agora, é o fato de que o servidor tem pago o patoâ€, alegam os funcionários.

R$ 1 milhão para o hospital

Nessa última quinta-feira, dia 17, foi assinado um convênio entre o Hospital Bom Jesus e governo do estado. Ficou decidido que seria repassado ao hospital o valor de R$ 1 milhão, para reforma da casa de saúde, uma antiga reivindicação da comunidade rionegrense. Em março desse ano, iniciou-se uma campanha para pagamento de dívidas e recuperação do hospital. Esse seria o primeiro passo para o equilíbrio financeiro desta casa de saúde.

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01 comentário publicado
  1. Janaina

    Uma ideia seria fazer com o Hospital de Rio Negro, o mesmo que foi feito com a Maternidade de Rio Negro. Fazer um convenio com o Hospital de Mafra para que os pacientes de Rio Negro sejam atendidos em Mafra. Afinal de contas somos todos brasileiros, e vivemos no mesmo país, independente de Estados e Municípios, somo uma única nação, chamada Brasil.

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