Desde o mês de janeiro último a PolÃcia Civil de Mafra através do Departamento de Investigações Criminais, capitaneado pelo delegado Regional Rafaello Ross vem investigando supostos crimes de assédio sexual que teriam sido cometidos por um ex-estagiário de uma escola pública do municÃpio de Mafra.
O jornal Gazeta de Riomafra vem, desde então, mantendo contato com o delegado para saber sobre o andamento das investigações, que tiveram inÃcio quando o próprio investigado, no mês de janeiro, procurou a Delegacia e disse que ‘passava a mão nos órgãos genitais principalmente de meninos com idades entre quatro e seis anos durante as brincadeiras na Instituição’. Por várias vezes nossa reportagem procurou não só a PolÃcia, mas também pessoas envolvidas ou prováveis testemunhas do caso.
Uma semana depois o mesmo rapaz retornou à PolÃcia e desmentiu o depoimento anterior, afirmando que havia ingerido bebida alcoólica e não passava bem quando teria se ‘autoacusado’.
Na terceira semana novamente o rapaz procurou as autoridades e reiterou o primeiro depoimento de que teria realmente abusado das crianças.
Desde o primeiro depoimento do jovem a polÃcia comunicou o Ministério Público, direção da escola e o Poder Judiciário, dando inÃcio a uma investigação sigilosa por determinação legal e visando a preservação inclusive do nome das crianças que poderiam haver sofrido os abusos.
As crianças apontadas pelo rapaz como sua prováveis vÃtimas foram ouvidas acompanhadas de seus pais e passaram por exame médico psicológico da PolÃcia Civil, mas conforme demonstram os laudos em poder do delegado Rafaello Ross, nenhuma das crianças reconheceu abuso por parte do investigado e também não apresentaram qualquer alteração de comportamento, o que também foi citado pelos pais das mesmas.
Sem provas da existência do crime de abuso as investigações tiveram continuidade e, nas vezes em que o rapaz foi ouvido, citava que havia sofrido abuso sexual quando criança; que quando na escola também passavam a mão nele e que constantemente era vÃtima de bullying. Também submetido a teste psicológico o próprio investigado chegou a pedir que o profissional atestasse que o mesmo era ‘louco’, mas o psicólogo afirma em laudo que o mesmo sofre de ‘distúrbio sexual’, mas tem consciência de seus atos.
Mesmo ainda sem uma prova concreta sobre o cometimento ou não de crime pelo rapaz – que inclusive foi catequista em Riomafra e pertenceu a grupos religiosos as investigações tiveram prosseguimento mas não havia possibilidade de prisão a ser decretada pelo Poder Judiciário, até a última quinta-feira quando o mesmo foi preso.
Um dia antes, na quarta-feira, nossa reportagem encontrava-se na sala do delegado Regional Rafaello Ross quando o mesmo, sabedor de uma provável ameaça por parte do rapaz em uma escola de idiomas, onde teria dito que iria superar um assassino do Estado do Rio de Janeiro, que matou diversos alunos em uma escola, o delegado nos informou que na impossibilidade de um mandado de prisão até então, havia determinado que sua equipe, ao encontrar o rapaz que foi expulso de casa e agora vivia perambulando pelas ruas, fosse encaminhado para a Delegacia. A intenção do delegado, além de retirá-lo da rua para que não viesse causar pânico com falsas ameaças, era até mesmo de verificar a possibilidade de internamento do mesmo, haja vista a visÃvel demonstração de problemas psicológicos.
Mandado de prisão cumprido
Depois que a suposta ameaça de morte de alunos começou a se espalhar pela cidade o pânico tomou conta de centenas de pais e alunos, além de diretores das Instituições Escolares de Mafra e Rio Negro, o delegado Rafaello Ross comunicou o fato ao Poder Judiciário, que determinou pela prisão preventiva do jovem que vem sendo investigado, de forma a evitar maior tumulto e sensacionalismo a respeito do assunto.
O jovem não teve o nome nem a foto divulgados pela PolÃcia Civil que, na tarde da última quinta-feira, cumpriu o Mandado de Prisão do Judiciário, estando o rapaz preso junto ao PresÃdio Regional de Mafra, à disposição da Justiça.
Espalhando os boatos e causando pânico
Desde que as supostas ameaças começaram a ser difundidas por Riomafra, as redes sociais, em especial o Facebook deram inÃcio a uma série de informações inverÃdicas, conforme afirmado à nossa reportagem pelo delegado Rafaello Ross.
Repentinamente vários internautas acusaram o jovem José Bernardo da Silva com inclusive divulgação de fotos do acusado e boatos dos mais diferentes começaram a ser divulgados, retornando o pânico entre a população, especialmente de pais e alunos.
Já na manhã de ontem algumas pessoas chegaram a postar que o investigado teria sido visto rondando algumas escolas inclusive portando uma pistola calibre 45. Com a mania dos internautas em compartilhar links o assunto foi novamente disseminado para a sociedade e, cada vez mais, as afirmações eram maiores ou mais absurdas, levantando novamente o terror na comunidade.
Já no perÃodo da tarde o que se via no Facebook era a “informação†de que o rapaz havia sido solto (e pelo delegado, não pelo Poder Judiciário), mais uma vez alardeando o medo nos moradores de Mafra e Rio Negro.
O delegado Rafaello Ross foi enfático ao confirmar para nossa reportagem que o rapaz continua detido e que ao contrário do postado na rede social, com ele não foi encontrada nenhuma bomba ou arma de fogo. Segundo o delegado 95% dos comentários postados no Facebook são mentirosos e aos mesmos não se deve dar crédito, lembrando que as investigações estão sendo realizadas e que tem prazo de dez dias para a conclusão do Inquérito que irá apurar a responsabilidade ou não do suspeito tanto na questão de abuso sexual contra crianças quanto na ameaça coletiva.
“Pessoas irresponsáveis através do Facebook querem e estão conseguindo causar um pânico geral e a comunidade não pode acreditar no que vem sendo postado enquanto a polÃcia não findar as investigações que apurarão a realidadeâ€, aponta o delegado Ross, salientando que todas as postagens sobre o assunto no Facebook estão sendo monitoradas e impressas pela PolÃcia Civil e as pessoas que estão se utilizando deste meio para espalhar o medo serão chamadas à responsabilidade na Delegacia.
Rafaello realçou que não passou o nome ou foto do suspeito por razões óbvias, haja vista o mesmo ainda estar sob investigação. “Estão utilizando o meu nome e o meu cargo para divulgar o nome do suspeito e fotos do mesmo, além de providenciarem mentiras que supostamente eu teria afirmado e, assim como nos casos já citados, os responsáveis serão acionados a responder por seus atosâ€, discorreu.
O policial ainda declarou que em momento algum afirmou que o rapaz seja inocente ou culpado e que somente se pronunciará a respeito ao final do Inquérito. “Delegado não acusa e não julga, essas são funções do Ministério Público e do Poder Judiciário. A Delegacia investiga e é o que estamos fazendoâ€, finalizou o chefe do Departamento de Investigações Criminais.
