Falta de agentes penitenciários é debatida na Câmara de Rio Negro

Publicado por Gazeta de Riomafra - 19/08/2013 - 19h18

Flagrante da Gazeta de Riomafra quando juiz chegou com os presos para a audiência

Após o juiz de Direito da Vara Criminal e diretor do Fórum, Rodrigo Morillos, buscar presos para a audiência com seu automóvel particular por falta de agentes penitenciários na comarca de Rio Negro, o magistrado utilizou a tribuna livre na sessão da última terça-feira, 13, na Câmara de Vereadores. Com isso, pediu apoio ao Poder Legislativo rionegrense para solucionar o problema.

Na edição do dia 12, o jornal Gazeta de Riomafra noticiou que o juiz da comarca de Rio Negro, Rodrigo Morillos, buscou com seu carro particular quatro dos seis acusados da tentativa de assalto ao Banco do Brasil  para poder realizar a audiência de julgamento no horário previsto, na quinta-feira, 8. Os responsáveis pelo traslado dos presidiários seriam agentes penitenciários ou de cadeia pública, porém a comarca de Rio Negro não os possui. Assim, a Polícia Civil juntamente com a Polícia Militar acabam realizando este trabalho que não é sua função. Após a reportagem, o caso foi noticiado pela Rede Paranaense de Comunicação, rádio de Curitibas e G1.

Utilizando a tribuna, o juiz, Rodrigo, explicou as causas e as consequências da ausência de agentes penitenciários ou agentes de cadeia pública na comarca de Rio Negro. “Trabalho como Juiz de Direito em Rio Negro desde abril de 2006, é a primeira vez que eu venho até a tribuna desta Câmara de Vereadores. O assunto que eu trago aqui não é novo, mas acredito que chegamos a um nível que não há mais o que tolerar. O tema é a inexistência de agentes penitenciários ou agentes de cadeia pública na nossa comarca de Rio Negro, que envolve os municípios de Piên, Quitandinha e Campo do Tenenteâ€, explicou Rodrigo.

Seguindo o exemplo nas manifestações que o Brasil vivenciou neste ano, juiz Rodrigo afirmou que se unirem esforços tem toda possibilidade de solucionar ou resolver parcialmente a situação. Segundo Morrillos, trabalhando há mais de 10 anos na justiça criminal se colhe aprendizados e conclusões. “Eu vejo as coisas de maneira bastante clara. O que estimula ao cidadão cometer um crime? É o sentimento de impunidade, a certeza de que se ele cometer um delito ninguém vai pegá-lo ou a chance de ser pego é muito pequena. Se você sabe que fez coisa errada e vai ter uma punição, diminui a criminalidade. Assim, como a impunidade é o combustível para prática de delitoâ€, declarou.

Explicou sua declaração comparado-a com as lombadas eletrônicas em uma rodovia. “Por mais que ao longo da rodovia existam placas sinalizando os limites de velocidade, volte e meia nos ultrapassamos a velocidade permitida. Agora, chegamos a uma lombada eletrônica todos reduzem a velocidade, pois existe a punição e no restante da rodovia nãoâ€.

De acordo com o juiz, para conseguirmos criar este sentimento de punição é preciso decisão judicial. Para ter uma decisão judicial é preciso, além do trabalho do Ministério Público, defensoria, advogados e outros, uma matéria prima. A Polícia Civil na investigação e a Polícia Militar na atividade de segurança ostensiva, mesmo porque é a primeira que chega ao local do delito. Ou seja, não adianta investir no setor judiciário se quem oferece subsídios para o resultado final não consegue exercer seu trabalho.

“Quantas vezes vivenciei o atraso no início de audiências, porque a PM estava atendendo uma ocorrência ou quantas ocorrências deixaram de serem atendidas prontamente pela PM, porque ela estava cuidando de presos na audiência? Quantas investigações a PC não deu uma resposta, pois no tempo que ela tem estava cuidando de presos?â€, indagou juiz Rodrigo.

Concluiu sua fala afirmando que estes problemas seriam resolvidos se tivessem agentes penitenciários ou agentes de cadeia pública, pois é função deles cuidar dos presos, como levar para audiência ou consulta médica. A comunidade da comarca de Rio Negro só está perdendo com a ausência destes agentes, por isso o juiz Morillos solicitou do Legislativo que busquem apoio em Rio Negro, Campo do Tenente, Quitandinha e Piên junto aos seus vereadores. Também solicitou ajuda do Executivo. Os vereadores apoiaram e afirmaram que vão unir forças com os poderes executivos das outras três cidades que pertencem a comarca de Rio Negro.

- Publicidade -

ENVIE UM COMENTÁRIO

IMPORTANTE: O Click Riomafra não se responsabiliza pelo conteúdo, opiniões e comentários publicados pelos seus usuários. Todos os comentários que estão de acordo com a política de privacidade do site são publicados após uma moderação.