Sem compradores Cine Emacite caminha para o fechamento em outubro

Publicado por Gazeta de Riomafra - 22/08/2013 - 23h37

Na manhã desta terça-feira, 20, o Grupo em Prol do Emacite, composto por empresas, profissionais liberais e entidades riomafrenses, divulgou uma nota sobre o possível fechamento do estabelecimento. Até 10 de outubro, a comunidade regional terá que dar um retorno para o Banco Fibra, atual proprietário do Cine Teatro Emacite.

Em junho deste ano foi assinada uma escritura pública por instituições locais, empresários e profissionais liberais que declararam a intenção de compra do imóvel pelo valor de R$ 1,6 milhão. Por enquanto o funcionamento do cinema continua, mas segundo a nota divulgada pelo grupo, não houve uma arrecadação suficiente de quotas para a aquisição do imóvel, o que poderá causar o fechamento definitivo do maior cinema de rua da região.

Mais do que nunca o esforço dos representantes políticos torna-se fundamental para a continuação do cinema, que também é palco de apresentações culturais, contribuindo assim com a propagação da cultura em nossa região.

O grupo informou que a partir desta data, torna público que não fará mais parte de qualquer negociação para a viabilização do negócio em questão, deixando a critério das forças vivas da comunidade Riomafrense, dos representantes públicos do município de Mafra e do Estado de Santa Catarina.

Em relação ao tombamento do edifício do Cine Teatro Emacite, o pedido foi impugnado pelo proprietário, Banco Fibra.  Segundo a presidente do Conselho Municipal de Turismo – COMTUR, agora irão dar uma resposta para as 11 entidades riomafrenses que solicitaram o tombamento. Hoje irão entregar os ofícios e esperar a reposta por 15 dias destas entidades solicitando novamente o apoio, assim irão enviar o novo pedido de tombamento para os advogados do Banco Fibra, em São Paulo.

De acordo com o prefeito de Mafra, Roberto Scholze, declarou que não se tem muito o que fazer, porém irão estudar possíveis formas de salvar o cinema junto com a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo. Também disse que podem solicitar apoio do Ministério da Cultura, mas pedir o valor de R$1,6 milhão para aquisição de um imóvel é bem difícil de conseguirem.

Vale ressaltar que por enquanto o cinema continua funcionando com suas sessões nos sábados e domingos.

Histórico

Em 1940, José Rauen idealizou um projeto para a construção de um complexo constituído por Hotel, Cinema e Restaurante na cidade de Mafra, cujo objetivo principal era a exploração do comércio cinematográfico e teatral. Tal complexo, a Empresa Mafrense de Cinema e Teatro, vindo dessas iniciais o nome Emacite, foi fruto de uma parceria entre José Rauen e Alfredo Herbst, que disponibilizou parte de seu capital com um terreno situado em Mafra, na Rua Coronel Victorino Bacelar e Praça Hercílio Luz, com área de 1813,60m², onde foi edificado o prédio destinado ao cinema.

Sua construção teve início em 1950, sendo que o projeto inicial não passou de quatro paredes levantadas e teve a construção paralisada, sendo retomado apenas em 1958, pelo engenheiro Rubens Meister. O cinema foi concluído em 1961 e neste mesmo ano inaugurado em grande estilo, com acomodações para 901 pessoas. Sua arquitetura tem sido considerada uma das melhores do estado, com excelente acústica, tornando-se um dos mais modernos e perfeitos cinemas da época.

Com os avanços tecnológicos e o surgimento do videocassete em 1988, o cinema sofreu grande queda de público, não podendo mais repetir filmes, como era costume até então, e sim somente exibir lançamentos. Em meados do fim do século XX, o Cine Emacite deixou de exibir filmes definitivamente, por não conseguir manter as despesas da sala e pela escassez de público.

No início do século XXI foi reformado pela Prefeitura Municipal de Mafra, sob a responsabilidade da arquiteta Dilene Dias, e reaberto em 2005, sob nova direção e dispondo de ambiente moderno e, com a reforma, o palco ganhou espaço avançando sobre a plateia, que ficou com 717 lugares. Atualmente, atuando como Cine Teatro e Eventos Emacite, caracteriza-se por ser um dos poucos cinemas de rua ainda em atividade, e apresenta programação cultural diversificada abrangendo cinema e teatro.

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