Enfermeira explana aos vereadores sobre doação de órgãos na última sessão

Publicado por Gazeta de Riomafra - 13/07/2013 - 10h42

A enfermeira Aline Pures fez uso da tribuna na sessão da Câmara desta terça-feira, 9, e explanou sobre doação de órgãos. Aline é gerente de enfermagem do Hospital São Vicente de Paulo, e estava acompanhada da enfermeira Lucimara Kalva, que atua na UTI.

Aline explicou que a doação é um processo onde a pessoa manifesta a vontade em vida e os tipos de doadores são vivos e não vivos, os não vivos são constatados através de morte encefálica e parada respiratória.

Salientou que em vida pode ser doado apenas um dos rins, parte do pulmão, parte do fígado ou medula óssea, revelou que os doadores em vida são pessoas compatíveis e com saúde, os doadores não parentes através de ordem judicial podem também doar.

Sobre a história da doação disse que antigamente se falava em enterros prematuros, histórias de gritos em cemitérios, mas que a partir do século XX a visão de parada cardiorrespiratória mudou, e a partir dos anos cinquenta se estudou um novo tipo de coma através da ventilação mecânica para aumentar a sobrevida dos pacientes.

Explicou que existe uma grande diferença entre captação de órgãos e transplante, e em Mafra trabalha-se com captação de órgãos, já que não tem equipe de transplante, aqui é feito apenas o explante dos órgãos.

Aline revelou que Santa Catarina fechou o ano de 2011 como melhor índice efetivo de doadores por milhão da população e em2012 novamente. Explicou que o protocolo funciona identificando um paciente em potencial com morte encefálica através de critérios médicos, e a equipe composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistente social, secretário realizam os primeiros testes e diagnosticando a morte encefálica.

Depois de seis horas são repetidos os testes e feito uma prova gráfica que comprova ou não se o cérebro está em morte encefálica, falou que existem aparelhos que identificam a atividade elétrica do cérebro, e o que é usado em Mafra é o eletroencefalograma, em que o diagnóstico é feito por um neurologista, declarou que quando não temfluxo sanguíneo o cérebro está morto.

A enfermeira Aline disse ainda que, após todos os testes é feita a parte, considerada por ela como a mais complicada, que é a abordagem familiar, que de um lado temuma família com uma perda passando por um momento muito doloroso, e do outro lado à família que precisa da doação.

Revelou que quem pode fazer a doação são familiares de primeiro e segundo grau, e que as famílias questionam muito se os órgãos e tecidos são utilizados, e se não tem no estado algum receptor, aquele órgão jamais seria explantado, não tendo no estado vai para qualquer lugar do Brasil. Disse que tiveram órgãos transplantados em Mafra que foram para o Rio Grande do Sul e para o Sergipe.

A enfermeira Aline ressaltouque a lista de espera possui dados fornecidos pela Central de Transplante até o mês maio, mas esta lista muda de um mês para o outro. Ao todo no Estado de Santa Catarina, até maio possui 1.200 pessoas aguardando.

Mencionou que a maior causa de morte são os acidentes vasculares celebrais, o trauma crânio-encefálico que são os acidentes de trânsito e outros gerais que possam levar a morte encefálica.

Disse que o maior número de doadores é na faixa etária de 50 e 64, e no caso das crianças, a abordagem é ainda mais complicada, já que é mais difícil para a família.Mencionou que no transplante não se pode escolher nem o doador e nem familiares, pois existe esta lista nacional, e é rodada através de compatibilidade.

Declarou que, sobre os motivos em que as famílias mais recusam, é em primeiro momento, o não entendimento do diagnóstico, também a fé em milagres, a revolta com relação ao atendimento, ausência da manifestação em vida e o medo de que o corpo fique mutilado.

Ao final revelou que frisa em suas conversas com os familiares que é imprescindível compartilhar com a família que é um doador ou não.

Todo o Legislativo mafrense elogiou a iniciativa das enfermeiras, e os vereadores incentivaram a continuidade deste grandioso trabalho realizado no Hospital São Vicente de Paulo.

- Publicidade -

ENVIE UM COMENTÁRIO

IMPORTANTE: O Click Riomafra não se responsabiliza pelo conteúdo, opiniões e comentários publicados pelos seus usuários. Todos os comentários que estão de acordo com a política de privacidade do site são publicados após uma moderação.