Explicações da direção na imprensa não convencem mães que perderam seus bebês

Publicado por Gazeta de Riomafra - 05/08/2013 - 18h00

Diretor da Maternidade Dona Catarina Kuss, Luiz Mann

Na última quinta-feira, 1º de agosto, o diretor da Maternidade Dona Catarina Kuss (MDCK), Luiz Bernardo Mann, convocou uma reunião com a imprensa local para esclarecer os casos das mortes dos bebês e para entregar o relatório com dados da instituição. Durante a conversa, foram debatidos pontos como o atendimento dos funcionários, o caso do bebê Andriara que morreu, consultas e o número de nascidos e óbitos da maternidade.

Após 39 dias do caso de Andriara, o diretor entregou o relatório. Segundo Luiz, houve demora em convocar a imprensa, pois o gerente técnico estava organizando o relatório com todos os dados da maternidade para mostrar que os apresentados pela RIC TV não eram verdadeiros.

O primeiro item foi o atendimento, onde várias mães reclamaram da forma que enfermeiras, médicos e demais funcionários as atenderam. De acordo com dados da maternidade, os usuários da maternidade responderam no último levantamento estatístico que 91% deles gostaram do atendimento de uma maneira geral. Esta pesquisa funciona através de um questionário, onde o paciente ou acompanhante preenche alguns itens sobre o serviço utilizado, como internamento/recepção, enfermagem (diurno e noturno), atendimento médico, obstetra, pediatra, anestesiologista, higiene e limpeza, banheiros, camas e roupas, conforto, alimentação e silêncio.  Também existem espaços para comentários e sugestões, e elogio ou reclamação, porém não é obrigatório que respondam e nem que se identifiquem.

Luiz explicou que as decisões em relação às gestantes que chega à instituição são do médico plantonista que decide se ela ficará ou não internada, então se o plantonista quiser consultar o médico que acompanhou a gestação ficará a critério dele.

Em relação à manifestação que ocorreu dia 20 de julho, os manifestantes reivindicaram por gestantes terem que pagar as consultas particulares para serem atendidas. O diretor da maternidade informou que a Maternidade Dona Catarina Kuss não tem atendimento ambulatorial e muito menos consultório médico. Além disso, há em lugares estratégicos da área física banners chamando à atenção dos usuários SUS para que saibam que todos os atendimentos prestados na instituição são pagos pelo SUS. Outra informação dado pelo diretor é que durante a reivindicação pediu que as cortinas fossem fechadas para não constranger as mães que seriam internadas e indagou “Como uma gestante iria interpretar aquela situação?”.

Também foi questionado o atendimento das gestantes do município de Rio Negro, o diretor informou que se elas tiveram todas as informações necessárias da Casa da Mulher de Rio Negro não será negado atendimento. Porém, comentários de mães rionegrenses foram de que ao procurar a maternidade não às quiseram atender e tiveram que buscar auxílio em outra instituição.

Estatísticas

Aos números divulgados das mortes, primeiramente foi explicado conceitos básicos de nascimentos e óbitos que ocorrem durante a infância. O primeiro é o nascido vivo que se trata da expulsão ou extração completa do corpo da mãe, independente da duração da gestação, onde depois da separação apresente sinais vitais. Já o óbito fetal é a morte antes da expulsão ou extração do corpo da mãe, onde depois da separação não apresenta nenhum sinal vital.

Outro conceito é de óbito neonatal que é a morte de um nascido vivo que ocorre durante os primeiros 28 dias de vida. Essas mortes podem ser divididas em mortes neonatais precoces, que ocorrem durante os primeiros setes dias de vida, e as tardias, que ocorrem após o sétimo dia de vida e termina com os 28 dias completos. E o óbito infantil é aquele que ocorre com crianças nascidas vivas antes de completar um ano de vida.

Com isso no primeiro semestre de 2013, os números de óbitos neonatais (natimortos ou aborto espontâneo) na maternidade foram seis, e os números de óbitos fetais foram sete. Dos seis óbitos neonatais, dois eram de gestantes de Itajaí, uma era de Rio Negro, e três eram de Mafra. Dos sete óbitos fetais, uma era de Itajaí, duas de Canoinhas, uma de Papanduva, uma de Bela Vista do Toldo, uma de Mafra e uma de São Bento do Sul.

Então, os óbitos neonatais e fetais no primeiro semestre tiveram origem em gestantes vindas de outros municípios, correspondendo a 69,3% de todos os óbitos. E 30,7% do total de mortes infantis mafrenses.

De acordo com o diretor, a Maternidade Dona Catarina Kuss possui esses dados devido aos 10 leitos de UTI neonatais, pois gestantes ou bebês em casos críticos são mandados para instituição e comentou um caso em que o bebê de Itajaí ficou internado três meses na UTI neonatal. Por exemplo, nascem bebês com  apenas 300 gramas e tem todo o processo de ganho de peso, que é bem complicado. Houve algumas mães que informaram que vieram de outras cidades pelos casos serem considerados graves, porém demoraram três dias para realizarem os partos e bebês morreram.

Caso Andriara

Em 27 de junho, foi ao ar pela RIC Notícias que noticiou uma denúncia sobre a MDCK, pois uma grávida de 33 anos, Suzamar Alves Freitas, sentindo fortes dores, foi três vezes procurar atendimento na maternidade da cidade. Ela foi mandada pra casa, mesmo passando mal, porque o problema não era considerado grave. No dia 22 de junho, ela voltou até a unidade hospitalar, mas a criança estava morta.

Segundo diretor geral da Maternidade Dona Catarina Kuss, Luiz Mann, a paciente em questão foi encaminhada até a maternidade e as três vezes foi atendida, onde realizaram os exames necessários. Também informou que a família nunca procurou a direção da maternidade para conversarem, foram diretos a RIC TV. E que após acontecimentos como este, as gestantes e familiares tem todo um acompanhamento psicológico.

Em conversa com Suzamar, mãe da Andriara,  esta afirmou que não procuraram a direção, pois a resposta sobre a morte do bebê foi explicada pelo médico e iriam dar a versão da instituição. Outra informação é que uma vez o psicólogo foi a sua residência, porém não amenizou a dor da perda.

Contou que o caso teve início no Núcleo Materno Infantil, na Vila Nova, quando o médico que fez seu pré-natal a examinou e disse que deveria ser internada, porém não deu nenhuma documentação para que a mesma pudesse fazer isso. Também informou, que este mesmo médico teria dado a previsão para o nascimento da criança em 9 de junho e já era 20 de junho, então a chegada do bebê estava atrasada.

Ao chegar à maternidade, a médica de plantão realizou os exames e disse que não eram dores de contração, que a mãe deveria saber por não se tratar do primeiro filho. As dores não eram em intervalos de tempos curtos como as contrações normais, eram de meia em meia hora. Voltou para casa para esperar as contrações no tempo certo, porém as dores cessaram às 19h da quinta-feira, 20 de junho, e Suzamar acredita que foi a hora em que o bebê morreu.

Ao voltar à maternidade na sexta-feira, foi atendida pela enfermeira que não quis chamar o médico plantonista, o qual acabou aparecendo e era o mesmo do pré-natal de Suzamar. De acordo com relatos da mãe, o médico teria informado que não conseguia ouvir os batimentos do bebê e que tinha dito que o parto deveria ter sido feito no dia anterior.

Também contou que a levaram para um quarto da instituição, colocaram soro com remédio para fazer o parto induzido e foi a própria enfermeira que realizou o parto, sem auxílio médico e em local inapropriado. Suzamara declarou que ela estava bem de saúde, mas se não estivesse e houvesse alguma complicação o quarto onde fora atendida não dispunha de equipamentos necessários para a segurança da sua vida.

Devido a estes fatos, Suzamara a denunciou no Conselho de Ética Regional, e também registrou Boletim de Ocorrência contra a mesma, informou que já havia outras três denúncias para essa mesma médica. Também contatou um advogado para abrir processo contra a MDCK, a médica plantonista, e o médico do pré-natal.

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8 comentários publicados
  1. Mãe

    O descaso com as gestantes não está apenas na maternidade. Eu passei recentemente por uma situação bastante difícil.
    Aos três meses de gestação descobri que teria um bebê portador de uma síndrome. Isso porque paguei um exame pois pelo SUS não são realizados os exames necessários.
    Meu médico alertou que o parto teria que ser realizado num hospital onde houvessem cirurgiões pediátricos, pois meu bebê provavelmente necessitaria de intervenção cirúrgica logo após o nascimento.
    “Corri” os seis meses restantes atrás de um atendimento fora do município. Fui várias vezes no SUS, Regional de Saúde e Maternidade buscar ajuda e, acreditem, meu bebê acabou nascendo em Mafra.
    INFELIZMENTE meu bebê necessitou mesmo de cirurgia, a qual foi realizada cinco dias após o nascimento. Isso provocou uma série de aborrecimentos, inclusive mais duas cirurgias por causa da demora na primeira.
    Até quando teremos que conviver com esse descaso? Será que nossa vida e dos nossos filhos não tem valor nenhum? Queremos apenas ser tratados como seres humanos, tendo nossos direitos garantidos.

  2. saúde

    É uma pena que uma maternidade estadual e de referência regional como a MDCK esteja enfrentando este tipo de situações. Tem-se conhecimento de diversos casos como de mães que morreram por uma fatalidade, claro, mas na maioria dos casos, por desconhecimento da real situação da gestante. Quando tive meu filho, fiquei 25 horas em trabalho de parto. Um parto que seria impossível ser normal, devido à posição e tamanho do bebê. Acabei terminando em uma cesárea de emergência. Fato que poderia ter sido evitado se na chegada tivesse sido feito uma simples ultrassonografia. Por sorte fui muito bem atendida por pessoas como enfermeira Eliz, Dra. Sara, Eloi e Denise, técnica de enfermagem Angelina entre outras pessoas. Mas, infelizmente “funcionários” como técnica de enfermagem Luiza, Denise e enfermeira Andreia colocam a perder todo esforço do restante da equipe. Desejo do fundo do coração que estes casos sejam investigados, e que novos procedimentos sejam adotados, para que não hajam mais casos de óbitos por negligência da instituição.

  3. Karina

    Concordo plenamente com Zico Rosado, isso chega até ser nojento depois de tanto tempo a Maternidade vem com esses esclarecimentos
    que não fala praticamente NADA e NADA e cham que o povo vai engolir mais essa……

  4. Mary Elen Menin

    Pacientes estão pagando SIM!!!! Não por consultas, mas para fazerem CESÁREA !!! Pra garantir que o bebê não passe da hora!!!! Mas pra Maternidade isso é lucro né$$$$

  5. Mary Elen Menin

    Bla bla bla bla…sempre isso..desculpas esfarrapadas…a família está realmente cansada disso! Por que o diretor não responde a pergunta que lhe foi feita? Aquela médica continua atendendo na Maternidade, ou foi afastada até as investigações serem concluídas? Foi tomada alguma atitude para que o atendimento seja mais humano? Minha cunhada mesmo, não fez preencheu nenhum formulário falando sobra a maternidade…geralmente a mãe que é mal atendida, ou em casos piores, que recebem em seu braço um bebê MORTO, não tem cabeça, tão pouco, vontade, de falar, expor sua opinião!!! Por favor!! Dão graça sair dali!! Eu mesma, fiquei indignada com uma enfermeira, que no momento em que eu estava saindo do centro cirúrgico, literalmente “jogou” o John nas minhas PERNAS e falou “toma que o filho seu! Exatamente com essas palavras! E ela não estava brincando! Imediatamente, antes de me levarem para o quarto, eu disse “Não estou sentindo minhas pernas”. Com as mãos eu estava segurando o John e dei graças a Deus qdo deitada na maca, vi minha mãe na porta do centro cirúrgico! Ela pegou meu filho no colo e levou para o quarto! E se eu não falo nada, e meu filho cai no chão, que Deus o livre???? Fiquei revoltada, mas não fiz nenhuma reclamação, até mesmo porque pensei: ” de que adiantaria???” Mas na verdade, fazemos errado, deveríamos sim reclamar!! Colocar todas as reclamações dentro da urna, pra ver se eles melhoram um pouco o atendimento! Mas de qualquer maneira, se o diretor está realmente achando que o atendimento está bom, basta ele ler comentários de mães, e pacientes que foram atendidas na Maternidade, que ele vai constatar a realidade. Na reportagem da RicRecord mesmo, está aparente a indignação das pessoas nos comentários!

  6. Oliveira

    Bom dia. Quero relatar que a alguns meses tive um filho, e nasceu na maternidade Dona Catarina Kuss, de Mafra, minha esposa ficou la por dois dias, e tenho um olhar muito percepitivo, e olhando com os olhos de não conhecedor da causa, pude perceber no meu angulo de vista que: A maternidade dispõe de poucos profissionais, para atender a grande demanda que ali ocorre. Digo profissionais tipo, Enfermeiras, e tambem técnicas de enfermagem, no ocorrido dia, tinha pouquisimas técnicas no plantão, sendo nescessario as que estavam no plantão se desdobrassem para fazer o trabalho. Mas tambem tenho que dizer os pontos positivos, fomos bem atendidos eu minha esposa e meu filho, como se fosse em pais de primeiro mundo. Parabéns as equipes de trabalho, que la prestam seus serviços. Ja ia esquecendo a pouco tempo atras teve um concurso para técnicos em enfermagem para aquela maternidade, porque não cobrar do nosso prefeito, para que interceda, junto ao governo para convocar as técnicas em enfermagem que foram aprovados, no concurso. Pensem nisso.

  7. Zico Rosado

    A avaliação da maternidade na ótica das usuárias é uma forma da administração do hospital de fugir do foco principal que é a questão dos óbitos… Certa vez, um leitor mafrense criticou o atendimento da UNIMED-SC em Mafra (falta de médicos, cobrança por fora) e o presidente da UNIMED na época, O HOJE SECRETÁRIO DA SAÚDE, respondeu as críticas com dados sobre o nível de satisfação dos usuários da UNIMED. Por que ele não mostrou uma pesquisa específica da UNIMED-SC? A família tem o direito de procurar quem quiser, não necessariamente a direção. E, além do mais, ouvir o quê? Termos técncos? Que foi uma fatalidade? Local inapropriado para o parto? São respostas que precisam ser respondidas. Vamos ver até onde CRMO vai deixar de ser CORPORATIVISTA e as autoridades atuantes. É pagar para ver!!!!!!

    • Mary Elen Menin

      Concordo plenamente Zico Rosado!

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