Pedras adquiridas pela Prefeitura de Mafra com supostas irregularidades

Publicado por Gazeta de Riomafra - 13/07/2013 - 11h01

Em diligências pelo interior do município, o vereador Edenilson Schelbauer disse ter ouvido inúmeras reclamações quanto à qualidade das pedras colocadas nas estradas nestes últimos dias. Diante deste fato buscou comprovar no Centro de Serviços a qualidade deste material. Na tarde de terça-feira, 9, o vereador esteve no local e pediu a nota que acompanhava uma carga de pedras que chegara ao Centro de Serviços, e segundo ele foi impedido pela administração local.

Na manhã de quarta-feira, 10, Schelbauer foi novamente ao Centro de Serviços e flagrou a chegada de um caminhão carregado de pedras e já na entrada pediu mais uma vez para ver a nota, e desta vez o motorista da BK Mineradora entregou.

De acordo com vereador Schelbauer, ao ver o descarregamento das pedras verificou que o material descrito na nota, pedra do tipo 4A, não condizia com o que tinha sido despejado no Centro de Serviços da Prefeitura de Mafra.

O vereador Edenilson contatou a Polícia Militar, que prontamente foi ao local, fez minuciosa averiguação, tirou fotos e indagou o motorista da BK. Também tomou relato do vereador, do motorista, Paulo Hubel, e do funcionário que recebe as notas, Rivamar Witt, para posterior registro de Boletim de Ocorrência junto a Delegacia de Polícia.

Por se tratar em tese, de possível crime a esfera, a Polícia Civil também foi acionada e desta forma também o Ministério Público foi informado, porém não foi possível estar no local naquele momento. Policiais civis também estiveram no Centro de Serviços para averiguações e diante do exposto foi determinado pelo delegado da PC que o Instituto Geral de Perícias, através de seus peritos, colhesse amostra do material (pedras) para análise.

Em dado momento a então secretária de Obras, Wilmara Herzer, discutiu com o vereador Schelbauer, segundo o vereador, dando a entender que o mesmo estava impedindo o trabalho dos servidores, e até tentou expulsá-lo do local, animosidade presenciada por parte imprensa local, lamentou o vereador.

Cerca de dois caminhões da Secretaria de Obras que iriam transportar as pedras para os locais necessários, ficaram momentaneamente parados, já que por determinação de autoridade policial, as pedras não poderiam ser removidas dali, até que os peritos do Instituto Geral de Perícias colhessem a amostra, o que ocorreu na tarde da mesma data.

O vereador está solicitando que seja verificado de quem é a empresa BK Mineradora e a Real Fértil, para que sejam elucidados os fatos, pois os caminhões são da BK e a contratada através de dispensa de licitação foi a Real Fértil.

Em entrevista Edemilson arguiu que o vereador tem o poder e o dever de fiscalizar a administração, cuidar da aplicação dos recursos, a observância do orçamento. Também fiscaliza através do pedido de informações. “…o vereador é a pessoa eleita pelo povo para vigiar, ou cuidar do bem e dos negócios do povo em relação à administração pública, ditando as leis (normas) necessárias para esse objetivo…” concluiu o vereador.

VERSÃO CENTRO DE SERVIÇOS

A secretária de Obras, Wilmara Herzer, não atendeu a impressa incumbindo sua assessora Cassia Regina Silva que ocupa o cargo de chefe de almoxarifado a responder os questionamentos da imprensa que se fazia presente naquele momento.

Ao questionar o ocorrido, Cassia prontamente e educadamente explicou que recebe ordens superiores onde estabelece que o vereador ou qualquer outra pessoa precisaria de um requerimento para poder ver a nota fiscal da carga e que jamais negaram isso a ele. Ou que fosse direto a Secretaria de Obras e falasse o que buscava no Centro de Serviço. O funcionário, Rivamar Witt, da mesma forma relatou que só estava cumprindo ordens e se o vereador apresentasse o requerimento solicitando para ver a nota fiscal, Rivamar teria cedido sem problema. Porém, o vereador não apresentou documento algum e não falou com a secretária.

Por isso, na manhã de quarta-feira, 10, o vereador voltou ao Centro de Serviço e abordou o caminhão da empresa BK Mineração que fora entregar as pedras. O motorista teria dito que era pedra 4A com bica corrida, e na nota estava apenas descrito pedra 4A. Mas segundo Cassia, nem o motorista, nem ela entendem de pedras, então não teria como mesmo afirmar isto. Schelbauer entende que o requerimento demoraria muito tempo a ser respondido e desta forma seu ato fiscalizatório naquele momento estaria comprometido. O objetivo da ação justamente era fiscalizar no ato da entrega e conferir se objeto da licitação estava de acordo com material entregue naquele momento, visto que no dia anterior também lhe foi negado.

O QUE DIZ REAL FÉRTIL

A Gazeta procurou ouvir a versão da empresa Real Fértil que nos explicou via e-mail que por força do decreto municipal nº 3665, onde declarou situação de emergência em áreas afetadas por inundação, mais precisamente em seu art. 6º, a Prefeitura de Mafra solicitou de várias “pedreiras” que atuam no entorno da cidade, orçamento para o fornecimento de Pedra do tipo brita 4A (especificação dada às pedras britadas com pó) para dar fixação ao pavimento, em caráter de emergência.

A administração de Mafra escolheu por menor preço a Real Fértil que pertence ao mesmo grupo empresarial da BK Mineração Ltda. Segundo a empresa, após assinar o contrato de fornecimento imediato, as entregas mal começaram a ser feitas e um dos motoristas da empresa, Paulo Hubel, acabou sendo abordado pelo vereador Schelbauer no portão de entrada do Centro de Serviços da Prefeitura, momento em que de mediato lhe deu voz de prisão.

A empresa alega, que, assustado, o referido profissional foi pressionado por este cidadão, leia-se: Edenilson Schelbauer, que se identificou como vereador da cidade, a lhe entregar a nota fiscal de compra e venda, bem como o ameaçava levá-lo ao distrito policial de Mafra e lá ser encarcerado, caso não “colaborasse” com as informações que ele pretendia escutar.

A Gazeta também entrou em contato com vereador Edenilson para ouvir sua versão, ele negou o fato. “…Ninguém deu voz de prisão, era só para ele colaborar com as diligências. Porque até a perícia chegar, a Polícia Militar adotou essa medida para o motorista e o funcionário irem para a delegacia para abrir o inquérito e serem liberados em seguida. Tomaram os depoimentos no Centro de Serviço mesmo e foi paralisada a entrega das pedras”, explicou.

O vereador também explicou que qualquer um do povo pode dar voz de prisão desde que seja um flagrante. Ou seja, como ocorreu na Centro de Serviço que o produto não estava condizente com o material da nota fiscal. Finalizou o vereador.

Prefeitura de Mafra

Por meio de comunicado público, a atual gestão se pronunciou em relação ao fato. Afirmou que não tem qualquer interesse em cercear o direito e o dever dos órgãos competentes de vigiar e fiscalizar o poder executivo.

O que a administração não irá aceitar é o abuso de poder e a arbitrariedade de parlamentares, tal como episódio que ocorreu na manhã desta quarta-feira, quando o vereador Schelbauer causou transtorno e impediu a atividade de alguns servidores públicos, constrangendo e obstruindo o trabalho no Centro de Serviços da Prefeitura. Da mesma forma que o poder executivo se coloca à disposição para o diálogo e para a busca de um trabalho transparente e ordeiro, exige um tratamento digno e respeitoso para com os servidores municipais, que nada têm a ver com qualquer disputa político partidária.

O IGP tem agora, prazo legal para concluir a perícia e dar um parecer sobre o caso.

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13 comentários publicados
  1. rodrigo

    O vereador ai devia ver como esta o seu bairro em vez d querer ficar apartecendo.

    • Leitor

      O papel do vereador é representar o povo como um todo e não apenas seu bairro, e de fato as pedreiras são de interesse total da população.

  2. Afonso

    O vereador agiu certíssimo, é essa a obrigação deles, FISCALIZAR, se todos eles fizessem isso teríamos uma cidade mais organizada, é ridículo esses comentários dizendo que o vereador não agiu corretamente, ser vereador não é somente comparecer as sessões da câmara não!

  3. ernesto

    Uma pergunta o veredaor em pauta conhce de pedras?

  4. mafrasanta

    ESTE DIAS ATRAS ESTAVAM RECLAMANDO DAS ESTRADAS RUIM PARA QUE PEDRA SO MANDAR TRAÇAR OS BURROS COLOCAR AS CHARRETAS PARA RODAR

  5. André

    Não é assim que um vereador deve trabalhar.

    O que ele fez foi abuso de autoridade, ele não representa a câmara de vereadores sozinho, não tem o direito de entrar em locais públicos e “exigir” que lhe mostrem documentos.

    Fez tudo errado, pra aparecer.

    • ernesto

      Mas vai falar o que de quem estaciona em vaga para idoso defronte a prefeitura, tem foto para provar, vereador conheça suas imcumbências,,
      Saliba como preseidente, cade o conselho de ética?

  6. mafrense

    Pelas imagens é clara a mistura de pó e pouca pedra.
    qto a entrega material qualquer servidor do centro conhece o dito pedra é simples.
    muito bem falado cade geologo e oque dizer da ex fraca né

  7. Pretinho Basico

    TA CERTO, VEREADOR, PREGUE O CACETE E TRAGA A VERDADE PARA O POVO MAFRENSE. É DISSO QUE ESTAMOS PRECISANDO. E VIVA NÓIS……

  8. Zico Rosado

    O vereador cumpriu o seu papel. Resta saber quem são os proprietários das empresas, uma vez que tem empresários por trás disto, a exemplo de anos atrás. Pelas fotos, constata a qualidade das pedras (péssima) pequenas. Há um geólogo na Prefeitura para fiscalizar? Transparência, já! SEria interessante que outros vereadores agissem da mesma forma para fiscalizar o Executivo. Habemos Vereadores!

  9. Carroça da Alegria

    Está mais com cara de terra e não pedra. Nem precisa de perícia pra constatar isso. Tão comprando pó de pedra para colocar as ruas esburacadas. Devem estar pagando gato por lebre.

  10. Pedro

    É interessante saber que o poder legislativo exerce na prática seu dever de fiscalizador, o que é descabido e mais uma vez começa a assustar a população mafrense, é acompanhar a forma como exercem seu poder de forma arbitraria e agressiva em particular este vereador que aparentemente não se desligou completamente de sua antiga atividade, onde em sua divisão, atuava justamente na repressão, só faltam agora os chutes e socos, porque a forma aspera e descabida de tratar o cidadão, respeito é bom e o cidadão gosta. Porque não são agressivos assim para solicitar aos correligionários de Brasilia ou Florianópolis que de alguma forma retribuam com verbas os votos que receberam de nosso povo…
    Se for só para fiscalizar certamente o povo preferiria votar em vez de em 10 ou agora 13, votar em algum escritório de auditoria que custaria bem menos ou quem sabe ter nomeados por orgãos representativos ( OAB, CRM, CRC, CREA) que indicassem profissionais técnicos e mais bem preparados para aí sim exercer uma fiscalização menos politica e mais profissional…. quem sabem um dia…

    • Renovação

      Ta certo o vereador, não me venha com história de direitos humanos, fiscalização………….etc, tem que denunciar e pegar em Flagrante, assim não tem desculpa de dizer, não sei, não vi, a culpa é do fulano, do funcionário, do ciclano. A politica passa por momentos de mudanças, e chega de dar um jeitinho.

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